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(A) :: AfD vence eleições com 43,8% dos votos na Saxónia-Anhalt mas falha maioria absoluta. Partido recusa coligações com "grandes concessões"

AfD vence eleições com 43,8% dos votos na Saxónia-Anhalt mas falha maioria absoluta. Partido recusa coligações com "grandes concessões"

Partido de extrema-direita conseguiu obter vitória confortável na Saxónia-Anhalt. Ainda assim, ficou a três deputados da maioria absoluta. CDU afunda para os 17%.

José Carlos Duarte
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Tiago Caeiro
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Em atualização

A Alternativa para a Alemanha (AfD, sigla em alemão) venceu as eleições regionais no estado federal de Saxónia-Anhalt com 43,8% dos votos. Este é já um resultado histórico para o partido, que foi, por larga margem, o mais votado nas eleições deste domingo e mais do que duplicou a votação alcançada nas últimas eleições naquele estado.

Ainda assim, o partido de extrema-direita não conseguiu a maioria absoluta. A AfD elegeu 39 deputados estaduais, ficando assim a três da maioria absoluta no parlamento estadual da Saxónia-Anhalt, que tem 83 assentos.

Ainda este domingo e enquanto os votos eram ainda contados, o candidato da AfD na Saxónia-Anhalt, Ulrich Siegmund, assegurou que “tem mandato para governar”. “Independentemente do que aconteça”, o político alemão disse que esta é uma “nova era”, estando aberto a formar uma coligação com “um parceiro democrático”. E destacou que este resultado terá um “impacto” em toda a Alemanha.

A AfD venceu em quase todas as circunscrições eleitorais da Saxónia-Anhalt, um estado com 2,1 milhões de habitantes, inclusive na capital, Magdeburgo. A exceção foi uma das circunscrições da cidade de Halle, onde os Verdes venceram.

Em segundo lugar nestas eleições, ficaram os democratas-cristãos da CDU com 17,2% das intenções de voto. O resultado foi desastroso: o partido passou de governar a região (obteve 37,1% dos votos em 2021) para ser remetido para a segunda força mais votada com uma queda de mais de 20 pontos percentuais. A CDU agora tem apenas 15 deputados no parlamento estadual.

Em terceiro lugar, ficou o Partido Social-Democrata, com 9,2% dos votos (uma ligeira subida em relação a 2021). Os Verdes ficaram em quarto lugar, com 8,9% dos votos (mais três pontos percentuais do que há cinco anos), e, em quinto, surge o Die Linke, de esquerda radical, com 8,6% (menos 2,4%). Estes três partidos elegeram oito deputados cada. A Aliança Sahra Wagenknecht (BsW), de esquerda nacionalista, conseguiu mesmo estrear-se no Parlamento da Saxónia-Anhalt, ficando-se pelos 5,3%, e ultrapassando, assim, a marca mínima para obter representação parlamentar. Os liberais do Partido Democrático Livre (FDP) caíram para 2,6% e saíram do parlamento estadual.

Mesmo não obtendo uma maioria absoluta, o resultado é histórico para a AfD. O partido de extrema-direita está a normalizar-se na cena política alemã, começando a quebrar o cordão sanitário que lhe foi imposto pelas restantes forças partidárias na Alemanha.

Se não conseguir obter maioria absoluta, o partido de esquerda nacionalista Aliança Sahra Wagenknecht pondera viabilizar que a AfD lidere o Governo regional. “Se 44% dos eleitores escolheram a AfD, então, na minha opinião, seria completamente antidemocrático não envolvê-la de alguma forma no Governo”, afirmou este domingo Claudia Wittig, a candidata da BsW na Saxónia-Anhalt.

O partido de esquerda nacionalista, que defende medidas à direita no âmbito social e à esquerda na economia, a BsW pode ser o primeiro partido a quebrar o cordão sanitário e colaborar com a AfD. Contudo, a Aliança Sahra Wagenknecht dá sinais apenas de viabilizar o Executivo através de uma figura “não partidária”, que seria uma personalidade conciliadora.

Em entrevista ao canal ZDF após esta sugestão, Ulrich Siegmund assegurou, não obstante, que não vai abrir mão de formar uma coligação. O líder da AfD na Saxónia-Anhalt considerou a sugestão de viabilização do BsW “uma confusão”. Uma aliança governativa apenas se poderá formar se não houver “grandes concessões”, avisou, acrescentando: “Se necessário, simplesmente haverá novas eleições. Nesse caso, a AfD alcançaria 50 ou 55%”.

CDU admite derrota, AfD fala numa “nova era”

O governador e atual líder da Saxónia-Anhalt, Sven Schulze, reconheceu a derrota e felicitou a Alternativa para a Alemanha. Numa conferência de imprensa, o responsável enfatizou que a AfD venceu claramente as eleições. “É democracia. O povo enviou uma mensagem e essa mensagem agora precisa de ser ouvida — não apenas na Saxónia-Anhalt.” De qualquer forma, a secretária-geral da CDU, Franziska Hoppermann, veio garantir mais tarde que não “colabora com extremistas”.

Por sua vez, o líder da AfD na Saxónia-Anhalt apelou à formação de uma coligação, caso não consiga atingir uma maioria absoluta. Ainda assim, estipulou como linhas vermelhas a imigração e as questões sociais. O dirigente partidário disse que se tratou de um “dia incrivelmente grandioso não apenas para a Saxónia-Anhalt, mas para a Alemanha”, frisando que é a abertura de uma “nova era”.

“Sempre dissemos que estamos prontos para o diálogo. A nossa mão está sempre estendida para melhorias, por uma boa Alemanha e, acima de tudo, por uma boa Saxónia-Anhalt”, disse Ulrich Siegmund. O líder regional da AfD pretende contactar todos os outros partidos políticos para implementar mudanças. “Fizemos história neste estado. O que não verão é eu a ceder renunciando aos nossos valores para [alcançar] o poder”, afirmou.

Ventura dá os parabéns à AfD

Numa nota no X, o presidente do Chega, André Ventura, deu os parabéns à Alternativa para a Alemanha. “A AfD teve hoje uma vitória histórica no Estado da Saxónia-Anhalt. Ainda não sabemos se há ou não maioria absoluta, mas também os alemães estão a abrir os olhos contra a imigração ilegal e descontrolada, a corrupção e a captura da nossa liberdade e identidade”, escreveu o líder partidário.