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Morreu André Dinis Carrilho, artista visual que ajudou o Observador a contar histórias em vídeo

Fazia parte da equipa de Som e Audiovisual do Teatro Nacional D. Maria II e entre 2017 e 2018 integrou a redação do Observador, onde foi coordenador de multimédia.

João Francisco Gomes
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Morreu, aos 43 anos, o artista visual André Dinis Carrilho, que entre 2017 e 2018 trabalhou na equipa de multimédia do Observador como fotógrafo, videógrafo, realizador e coordenador. Trabalhava atualmente na equipa de Som e Audiovisual do Teatro Nacional D. Maria II.

Na sua passagem pelo Observador, André Dinis Carrilho esteve envolvido em vários projetos inovadores, incluindo as entrevistas Carpool, as Summer Sessions e os vários trabalhos especiais sobre o primeiro aniversário do incêndio de Pedrógão Grande. O seu trabalho no Observador pode ser recordado aqui.

“O André começou a trabalhar connosco numa altura em que estávamos a precisar de ajuda para encontrar uma nova forma de contar histórias em vídeo. E ele ajudou-nos — muito”, recorda o diretor-executivo do Observador, Miguel Pinheiro, lembrando os vários projetos assinados por André Dinis Carrilho.

[Reportagem em Pedrógão Grande, um ano após os incêndios, com realização de André Dinis Carrilho:]

https://www.youtube.com/watch?v=lS7GXD0-OXo

“Ajudou-nos a mostrar a vida dos sobreviventes do fogo em Pedrógão um ano depois da tragédia. Ajudou-nos a mostrar o lado menos visível dos músicos que andam na estrada a dar concertos. Ajudou-nos a divertir as pessoas nas Summer Sessions. Ajudou-nos a escrutinar políticos nos Carpool. E ajudou-nos de muitas outras maneiras que não se conseguem mostrar num vídeo. A forma como o André olhava a realidade era única; e os trabalhos dele no Observador eram únicos também”, acrescenta Miguel Pinheiro. “Todos nós, no Observador, enviamos sentidas condolências à família do André.”

O músico e compositor Samuel Úria, amigo de André Dinis Carrilho, diz, num testemunho partilhado com o Observador, que a perda do artista é “impossível de digerir”.

“O Carrilho trabalhou no meu primeiro teledisco em 2009. Sendo uma equipa pequena, e como ainda ambos estávamos tenros nas nossas profissões, a memória regista menos uma colaboração profissional e mais o travar duma amizade — que, nunca chegando a ser próxima na sua intencionalidade, se estendeu por muitos encontros felizes, dezenas de episódios caricatos e uma alegria tão efusiva que torna este desfecho impossível de digerir”, contou Samuel Úria.

“Talvez os melhores momentos com o André tenham sido à boleia do Observador”, acrescentou ainda o cantor, recordando a sua participação numa rubrica em 2017.

“Na realidade, foi o Observador que veio à boleia comigo, enquanto eu conduzia até um concerto na Casa do Povo de Santo Estêvão, Tavira [era a estreia da rubrica ‘Na Estrada Com‘, cujo vídeo foi realizado pelo Carrilho]. Nesses dois dias de convívio muito estreito, e com uma dieta perigosa de Lepicortinolo e medronho, uma das minhas missões de vida foi arrancar gargalhadas por entre a barba cerrada do André (há um arquivo secreto de imagens e som que o comprova). Não era uma missão nada difícil, o que a tornava ainda mais imperativa. E saudosa”, lembrou Úria. “Não me espantam agora, portanto, tantas homenagens e lamentos, de grupos de amizade tão diversos.”

Mais recentemente, o artista visual trabalhava no Teatro Nacional D. Maria II. Ali, de acordo com uma nota da instituição, “o André entregou sensibilidade e exigência aos projetos em que participou, tendo sempre um olhar criativo, impulsionador de novas possibilidades”. “Dia triste, hoje, em que, com profundo pesar, nos despedimos do nosso colega e amigo André Dinis Carrilho”, lê-se numa nota divulgada pelo Teatro Nacional, através da rede social Instagram.

[Reportagem na estrada com Samuel Úria:]

https://www.youtube.com/watch?v=4pjg0OfRrtE

Era, segundo a mesma nota, “uma presença que não se impunha, pelo contrário, mas que se fazia notar, sem querer, pela sensibilidade, originalidade, sentido crítico e autenticidade”.

“Enquanto artista, o André desenvolveu trabalho nas áreas da fotografia, do cinema e do vídeo, também eles testemunho e eco do seu olhar atento sobre o mundo, a realidade que testemunhava e, talvez, sobre o imaginário com que sonhava”, acrescentou ainda o comunicado.

O diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Pedro Penim, também publicou uma homenagem a André Dinis Carrilho, recordando o seu “talento desmedido” e a sua “capacidade de fazer e de inventar imagens que nunca deixava de impressionar”.

[Carpool Autárquicas 2017 com Isaltino Morais:]

https://www.youtube.com/watch?v=7FTVDZJ_WmA&list=PLuA3C1Hw3DNWFinq5WIek9s-L1KkEtLDB&index=12

“Tive a sorte de o ter como colega no D. Maria II e, recentemente, de trabalhar com ele no Filodemo, onde fez um trabalho de vídeo absolutamente deslumbrante. O seu olhar está por todo o lado naquele espetáculo. Também no filme que realizou sobre o ATOS, Alcanço, construído a partir das imagens que recolheu ao longo de um ano a acompanhar este projeto por todo o país. É uma demonstração extraordinária daquilo que o André sabia fazer com uma câmara: criar olhar”, escreveu ainda Pedro Penim.

A sua carreira ficou também marcada pelo cinema, trabalhando na direção de fotografia do documentário Nos Interstícios da Realidade (João Monteiro, 2016) e da curta Unicorn Hunting (Miguel Afonso, 2024), e como produtor executivo da curta Cenas de Uma Vida Amorosa (Miguel Afonso, 2019). Na televisão, trabalhou na série documental O Tempo e o Modo, da RTP2.