Pelo menos 25 pessoas, maioritariamente crianças e jovens, morreram e várias ficaram feridas este sábado em Cabo Verde na sequência de um acidente de viação com um autocarro na ilha do Fogo, confirmou o jornal cabo-verdiano A Nação, citando o presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Nuías Silva.
O número de vítimas mortais tem vindo a subir. Um primeiro balanço apontava para 18 mortes e um segundo para 22.
De acordo com o jornal Expresso das Ilhas, o motorista do autocarro encontra-se entre as vítimas mortais. Do total de 25 mortes, 20 foram confirmadas logo no local do acidente, incluindo a do motorista, e cinco pessoas morreram no Hospital Regional São Francisco de Assis. No total, 19 feridos tinham sido transportados para essa instituição.
Segundo a Câmara Municipal de São Filipe, o “autocarro transportava alunos num passeio” quando saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros, na localidade de Campanas de Cima, no município de Santa Catarina do Fogo.
A Câmara Municipal de São Filipe adiantou ainda que mantém uma equipa no local, em articulação com a Delegacia de Saúde, a Polícia Nacional, os Bombeiros Municipais Voluntários e outras autoridades, para prestar assistência às vítimas e aos familiares.
Segundo o jornal A Nação, sete das 25 vítimas mortais foram já sepultadas, numa celebração realizada durante a madrugada de domingo, com a presença de familiares e de centenas de pessoas. O jornal explica que a decisão de realizar os enterros tão rapidamente esteve relacionada não só com questões logísticas, mas também com pedidos das famílias.
O município declarou dois dias de luto municipal e anunciou uma reunião extraordinária para este domingo, para deliberar sobre os apoios aos familiares das vítimas.
Numa mensagem publicada na rede social Facebook, o Presidente da República, José Maria Neves, apresentou as condolências às famílias das vítimas e desejou uma “rápida recuperação aos feridos”.
O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, manifestou nas redes sociais o pesar do Governo pela perda de vidas no acidente e apresentou as condolências às famílias das vítimas, estendendo a solidariedade aos feridos e à população do Fogo.
O chefe do Governo desejou ainda uma pronta recuperação aos feridos e reconheceu o trabalho dos profissionais de saúde, das equipas de socorro e de todos os que estão a prestar auxílio às vítimas.
Falha técnica, sobrelotação, curvas fechadas e declive acentuado. Polícia investiga possíveis causas do acidente
Entretanto, de acordo com o jornal A Nação, a Polícia Nacional e um conjunto de peritos rodoviários já estão a investigar os contornos do acidente. O jornal dá conta de que, apesar de o relatório das autoridades ainda não estar concluído, há pelo menos quatro hipóteses em cima da mesa a partir dos elementos recolhidos no local.
Duas possíveis explicações prendem-se com as condições específicas do local: um declive acentuado ou uma curva fechada na zona onde o acidente ocorreu poderá ter estado na origem do desastre. O jornal explica que aquela zona, além de ter curvas bastante fechadas e declives muito acentuados, não está equipada com barreiras de proteção de alto impacto.
Há dois outros cenários a ser considerados pelos especialistas. Um deles é a possibilidade de a lotação da viatura ter sido excedida, sobrecarregando a capacidade de travagem do autocarro numa situação de emergência.
Mas o cenário para o qual converge a maioria dos relatos até agora recolhidos, aponta ainda A Nação, é o de uma falha técnica súbita no sistema de travagem do autocarro, ocorrida num momento em que a viatura se encontrava num declive acentuado descendente, ganhando grande velocidade.
Ainda de acordo com o mesmo jornal, a polícia cabo-verdiana já garantiu que irá submeter o autocarro a uma detalhada peritagem técnica para determinar as causas do acidente.