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(A) :: Negociações entre enviados especiais dos EUA e Putin "foram muito benéficas", mas são "confidenciais"

Negociações entre enviados especiais dos EUA e Putin "foram muito benéficas", mas são "confidenciais"

Em Moscovo, Kushner e Witkoff tiveram uma reunião de 3 horas com Putin. “A conversa foi significativa, construtiva e franca", descreveu o assessor presidencial, mas não deu detalhes: "Confidencial".

José Carlos Duarte
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O resultado parece ter sido positivo. Os enviados especiais norte-americanos, Jared Kushner e Steve Witkoff, estiveram este sábado no Kremlin, onde se encontraram com o Presidente russo. Numa longa reunião de três horas, Vladimir Putin admitiu que as negociações seriam “difíceis”. À saída, o conselheiro da presidência russa, Yuri Ushakov, adjetivou-as como “muito benéficas” para ambas as partes, ainda que não tenha dado detalhes sobre o teor das conversas: “São confidenciais”.

Os enviados especiais vão agora viajar para Kiev, onde se deslocam pela primeira vez e onde se encontrarão com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Sob as ordens de Donald Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff estão a tentar negociar um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia. A tarefa não tem sido nada fácil, mas o chefe de Estado norte-americano acredita que talvez este seja o timing ideal para acabar com o conflito.

Em Moscovo, Vladimir Putin assumiu que a mediação de Steve Witkoff e Jared Kushner é bem-vista no Kremlin. Durante a reunião no Salão Vermelho do Grande Palácio do Kremlin, indicou que se sente confortável a “trabalhar” com os enviados especiais: “O nível de confiança da nossa parte é bastante alto”. O Presidente russo destacou que, mesmo que não saiam conclusões deste encontro, os contactos deste tipo “são sempre benéficos”.

Antes de a reunião ter começado, Vladimir Putin salientou que se compromete com o cessar-fogo de três dias e que, desde a meia-noite deste sábado, “não foram realizados” quaisquer ataques contra Kiev. “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir a segurança do processo de negociação e dos mediadores”, destacou. O Presidente russo frisou ainda que “as autoridades ucranianas fizeram um apelo por um cessar-fogo mais amplo de três dias”. Porém, Vladimir Putin enfatizou: “Nunca concordámos com isso”.

Por sua vez, Steve Witkoff deixou um agradecimento pessoal a Vladimir Putin e à Rússia “por concordar com um cessar-fogo durante estes três dias, de modo que nenhum ataque seja realizado contra Moscovo e Kiev, o que nos permitiu voar até aqui em segurança”. O enviado especial destacou também que, “quando se reformar”, terá “histórias e lembranças maravilhosas”. As conversas com o líder russo “serão algumas das mais memoráveis”.

Conselheiro faz balanço positivo do encontro

Antes da reunião, os enviados especiais tiveram um almoço de três horas com Kirill Dmitriev, enviado especial do Kremlin para a área de investimentos e cooperação económica. Foi este homem que os foi buscar ao aeroporto e que depois os levou ao avião antes de partirem este domingo para a Ucrânia.

No final da reunião, Kirill Dmitriev publicou no X uma fotografia com Jared Kushner e Steve Witkoff, em que escreveu que esta tinha sido uma “visita importante para fazer a paz”. Mais tarde, foi o conselheiro presidencial a dar mais detalhes sobre a reunião. “A conversa foi significativa, construtiva, extremamente franca e confidencial”, resumiu Yuri Ushakov, em declarações aos jornalistas, citadas pela agência RIA.

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O conselheiro do líder russo sinalizou que Jared Kushner e Steve Witkoff foram a Moscovo “para dar continuidade ao diálogo sobre a resolução do conflito ucraniano e outras questões”. Na mesma linha, Yuri Ushakov revelou ainda que os enviados especiais formularam várias ideias “sobre possíveis soluções” para o fim da guerra, não tendo detalhado quais.

Yuri Ushakov referiu que o Presidente russo fez questão de fornecer “avaliações claras e abrangentes da situação militar”. O conselheiro assinalou que foram destacados os “sucessos reais do Exército russo no avanço na zona de combate”. “Steve Witkoff e Jared Kushner prometeram usar as observações e avaliações que receberam do Presidente russo durante os seus contactos em Kiev amanhã.”

Em qualquer dos casos, o conselheiro confirmou que Donald Trump e Vladimir Putin vão “manter os contactos pessoais”. Na Rússia, esperam continuar a contar com os enviados especiais — uma presença a que o Kremlin se habituou e da qual aparenta gostar.