O mesmo onze, um resultado mais magro, sem sofrer golos mais uma vez. Entre Vila do Conde e Alvalade, entre a goleada contra o Rio Ave e a vitória contra o Nacional, o Sporting parece finalmente ter encontrado alguma estabilidade, coerência e consistência. Ao fim de cinco jornadas, com a relevância natural das últimas duas, a equipa de Rui Borges já não é apenas um projeto de revolução e parece mesmo ser um novo capítulo.
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Os leões derrotaram os madeirenses com muita tranquilidade, inaugurando o marcador ainda na primeira parte e de grande penalidade, por Luis Suárez, e aumentando a vantagem logo no início da segunda e por intermédio de Flávio Gonçalves, com assistência do colombiano. Apesar de a frente de ataque leonina ter desperdiçado várias oportunidades, também graças a uma enorme exibição do guarda-redes Renato Marin, a equipa nunca pareceu perder o controlo das situações e permitiu muito pouco ao adversário.
Depois do apito final, na zona de entrevistas rápidas e depois de ter sido eleito o melhor jogador em campo, Luis Suárez deu a ideia de querer colocar um ponto final em todas as polémicas: assumiu que teve um acordo com o Fenerbahçe no verão, garantiu que está de pedra e cal no Sporting e lembrou que “no trabalho nem sempre sorris”, referindo-se às críticas que recebeu por não ter celebrado os golos em Vila do Conde, sendo que este sábado festejou a “forçar” um sorriso.
“Continuei a trabalhar para voltar a encontrar-me da melhor maneira. O mais importante destes golos, neste e no último jogo, é que pude ajudar a equipa a ganhar e isso é o mais importante. Creio que é difícil para os jornalistas que queriam falar muito de mim. Eu dediquei-me a trabalhar e a procurar a minha melhor versão e é isso que estou a demonstrar. Eu sorrio sempre, é o que o mister disse na conferência de imprensa. Sorrio quando tenho de sorrir, quando estou no meu trabalho estou sempre a trabalhar, como toda a gente. No teu dia a dia, no teu trabalho, nem sempre estás sorridente, porque podes ter um mau dia. O presidente e o treinador falaram muito deste tema, tanto eles como eu já estamos cansados de ver um monte de coisas que dizem sobre mim. A verdade é o que aconteceu aqui dentro de campo, eu faço as coisas dentro de campo. Fora dele digam o que quiserem”, começou por dizer o avançado colombiano.
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Mais à frente, Suárez abordou diretamente — e confirmou — a questão do acordo com o Fenerbahçe. “A cada mercado fala-se de um monte de coisas, há possibilidade de tudo, hoje em dia a verdade é que quando um mercado abre qualquer coisa pode acontecer, é a oferta e a procura, como em qualquer outro trabalho, como em qualquer outro emprego. A verdade é que sempre trabalhei da melhor maneira para o Sporting e vou continuar a fazê-lo, vou continuar a demonstrá-lo. Se há algo que me caracteriza é que não vou com mentiras. O meu presidente foi muito claro nesse tema há uma semana. Obviamente que podem acontecer coisas no mercado, não vou dizer em nenhum momento que não aconteceu, porque aconteceu. Sou homem, olho para a câmara, para todos os adeptos, e aconteceu. Mas creio que já são águas passadas porque não fui a lado nenhum. A minha cabeça está no Sporting e já disse antes: dentro de campo continuo a demonstrar que estou totalmente comprometido com o Sporting”, terminou, sem sorrir.
Já Rui Borges, naturalmente, era um homem satisfeito. “Uma vitória que não merece contestação nenhuma. Acho que controlámos o jogo do início ao fim. Uma primeira parte onde falhámos algumas ligações, estávamos muito lentos. O Nacional entrou com um bloco coeso e às vezes até um bocadinho alto numa fase inicial, depois começou a baixar com naturalidade. Nós ameaçámos, mas muito previsíveis, alguns passes falhados quando entrámos em segundas linhas, mas fomos controlando o jogo, as transições acima de tudo, que sabíamos que tínhamos de estar muito concentrados nesse momento de jogo. Uma segunda parte onde entrámos bem, fizemos o 2-0 com coisas que até tínhamos falado ao intervalo que poderiam surgir, e depois falhámos alguns golos. Controlámos o jogo com bola, a malta não desligou. Criámos várias situações de finalização, várias situações que poderíamos ter finalizado e ter feito mais golos, mas acima de tudo feliz por toda a atitude da equipa”, começou por dizer.
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“Mais um jogo a zeros, mais um jogo controlado, mais um jogo em que fomos crescendo. Volto a dizer, criámos várias situações de finalização, a malta que entrou fê-lo muito bem. Claro que olhámos sempre um bocadinho para a gestão porque vamos ter aqui três jogos, estamos numa fase inicial. Toda a gente conta, toda a gente trabalha bem, toda a gente merece os minutos, toda a gente merece jogar. Dentro daquilo que é a gestão da equipa e do grupo optámos pelas substituições que fizemos. Mas acima de tudo também feliz pela resposta deles. Todos eles deram essa resposta de continuar, de querer mostrar, de querer continuar a criar situações de finalização. Até acho que foi quando criámos mais situações de finalização, por isso, volto a dizer, feliz com toda a atitude de todos eles”, atirou Rui Borges, sendo que o Sporting não somava duas jornadas do Campeonato sem sofrer golos desde fevereiro.
Mais à frente, o treinador leonino foi novamente questionado sobre Luis Suárez. “Já vejo o Luis a sorrir há muito tempo. Isso são vocês que criam essas… Essas novelas que às vezes vocês criam. Ele está sempre a sorrir, trabalha muito bem, demonstra isso em campo. É o Luis de sempre: um grande jogador, dos melhores do nosso Campeonato, se não o melhor, e está focadíssimo em querer ajudar a equipa e tornar o Sporting mais forte”, defendeu, antes de falar sobre as revelações feitas pelo colombiano na zona de entrevistas rápidas.
“Eu reajo com naturalidade. Acho que o mercado é natural, estamos a falar de um grande jogador que fez uma grande época com muitos golos, é natural que o mercado o procure. É natural que em alguns momentos mexa com a cabeça — não dele, mas de todos eles. Mas acima de tudo sempre o vi focado, com naturalidade. Percebo, e percebo não só do Luis como de outros jogadores que o mercado, volto a dizer, possa mexer às vezes com o pensamento deles. Mas jamais o vi, seja ele seja outro qualquer, com ambição ou com vontade de sair e tristes por estarem no Sporting, nada disso. Sempre focados, sempre muito concentrados naquilo que é o trabalho e acima de tudo com uma vontade enorme de ajudar a equipa”, garantiu.
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