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(A) :: Ventura acusa partidos da oposição de "esquizofrenia de coragem" no caso Luís Neves

Ventura acusa partidos da oposição de "esquizofrenia de coragem" no caso Luís Neves

O presidente do Chega diz que o expectável chumbo da moção de censura ao Governo resulta de "uma espécie de esquizofrenia de coragem" na política portuguesa.

Agência Lusa
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O presidente do Chega diz que o expectável chumbo da moção de censura ao Governo, apresentada em contestação à manutenção do ministro da Administração Interna, resulta de “uma espécie de esquizofrenia de coragem” na política portuguesa.

“Se o Chega está no centro das atenções é porque os outros [partidos] não tiveram nem coragem nem a capacidade de perceber que este era um assunto que não tinha que ver com discussão meramente política, não tinha que ver com discordar do ministro A ou do ministro B, tinha a ver com isto: decência. Onde não há decência, não há democracia. Onde não há decência, não há liberdade”, afirmou André Ventura, em declarações aos jornalistas à entrada de uma iniciativa de ‘rentrée’ da distrital de Lisboa do partido Chega, que ocorreu no concelho de Loures.

A moção de censura do Chega ao Governo de PSD/CDS-PP, motivada pela continuidade em funções do ministro da Administração Interna, Luís Neves, devido às polémicas que envolvem o seu nome enquanto foi diretor da Polícia Judiciária, vai ser discutida pelo parlamento na próxima terça-feira, prevendo-se que seja inviabilizada.

Questionado sobre a posição dos restantes partidos da oposição de inviabilizarem a moção de censura, apesar de criticarem a permanência do ministro Luís Neves no Governo, o presidente do Chega declarou: “Há nisto da política portuguesa uma espécie de esquizofrenia de coragem, que é: todos, quando veem que o Chega tem razão, ‘vamos lá atrás dele’, que é para não perder a opinião pública. Mas como é que votam agora? Contra.”

Sobre a consequência de fazer cair o Governo, caso a moção de censura fosse aprovada, André Ventura afastou essa intenção, explicando que não há outro instrumento de que o parlamento disponha para afastar um ministro de funções.

“Em Portugal não há nenhum instrumento, ao contrário de Espanha, por exemplo, que permita destituir ministros através do parlamento. Espanha, por exemplo, tem moções de censura setoriais aos ministros. Portugal não tem. Todos, todos não, quase todos estamos de acordo que o que se passa com o ministro Luís Neves é uma captura das instituições do Estado”, afirmou o líder do Chega.

Por isso, André Ventura questionou o que é diferente entre o caso do ministro Luís Neves e o da empresa imobiliária Spinumviva ligada à família do primeiro-ministro, Luís Montenegro (PSD), que também motivou a apresentação de moções de censura ao Governo, uma do Chega e outra do PCP, ambas rejeitadas, mas que levou à apresentação de uma moção de confiança ao Governo, que foi chumbada em março de 2025, levando à queda do executivo de PSD/CDS-PP, que depois acabou por ser reeleito.

Afirmando que o caso de Luís Neves “não para de enlamear as instituições”, o presidente do Chega considerou que a moção de censura, consoante for a votação dos partidos, servirá para “separar o trigo do joio”, evidenciando aqueles que “não querem fazer nada para afastar Luís Neves”.

“A Iniciativa Liberal acordou tarde e disse: ‘bom, mas Luís Neves tem de sair’. Como é que vai votar a moção de censura? Contra. O Partido Socialista diz: ‘bom, a autoridade do Estado está em causa’. […] Como é que vota o PS? Não sabemos, mas não vai viabilizar”, expôs, defendendo que, se se confirmar o chumbo da moção de censura, cada um dos partidos “ficará com as suas responsabilidades sobre isto”.

Ventura ressalvou que “o Chega tentou de todas as formas” que a situação fosse resolvida antes, referindo que falou com o primeiro-ministro antes de apresentar a moção de censura.

“Qual é o instrumento que um partido tem quando tudo está capturado pelo que parece ser, pelo que parece ser, uma espécie de pacto em que todos estão comprometidos e todos estão conluiados uns com os outros e todos têm medo de falar?”, interrogou, afirmando que Luís Neves se mantém no Governo “por um pacto de regime”, numa alusão aos 50 anos de governação alternada entre PS e PSD.

Quanto à presunção de inocência de Luís Neves, o presidente do Chega defendeu que isto não é uma questão de resultado de processo judicial, “é uma questão de elementos que metem em causa a integridade do ministro que ele próprio se recusou ou não conseguiu explicar”.

“Não é uma questão de acusação, resposta, etc. Os tribunais existem para isso, o seu tempo existe para isto. Há coisas concretas, elementos que desapareceram de investigações na Polícia Judiciária e foram parar a amigos dele”, indicou, acusando o Governo de mentir ao Governo sobre o custo da destruição de químicos para produzir droga.