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(A) :: Afinal, ele só precisava de um dia destes para voltar a sorrir (a crónica do Sporting-Nacional)

Afinal, ele só precisava de um dia destes para voltar a sorrir (a crónica do Sporting-Nacional)

Suárez voltou a ser titular, voltou a marcar e ainda arranjou tempo para assistir — e para sorrir, numa clara resposta às críticas. Sporting venceu Nacional e somou quarto triunfo seguido (2-0).

Mariana Fernandes
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A goleada de há uma semana contra o Rio Ave, em Vila do Conde, foi muito mais do que uma goleada. Para além de marcar quatro golos e voltar a ganhar, o Sporting não sofreu qualquer golo — algo que tinha acontecido em todas as jornadas até então e que ia provocando alguma fragilidade nos leões, uma ideia plantada de que, independentemente da vantagem, qualquer resultado poderia ser colocado em causa mesmo que nada apontasse para isso.

Um pormenor que até pode parecer leviano, mas que, numa equipa como a que o Sporting tem atualmente, torna-se crucial. Nos primeiros dias de setembro, os leões estão ainda a dar os primeiros passos com um plantel que foi revolucionado, intervencionado e desenhado sem medo de virar a página do passado e começar a escrever a página do futuro. Saíram referências, chegaram nomes novos e até há uma não novidade a querer ser protagonista. E Rui Borges é o primeiro a garantir que não quer que os jogadores de agora sejam as versões 2.0 dos jogadores de antigamente.

Ficha de jogo

Sporting-Nacional, 2-0

5.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: João Pinheiro (AF Braga)

Sporting: Rui Silva, Iván Fresneda, Debast, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo (Vagiannidis, 78′), Sergi Altimira (Silas Andersen, 87′), Issa Doumbia, Geny Catamo (Luis Guilherme, 67′), Rodrigo Zalazar (Nestory Irankunda, 67′), Flávio Gonçalves, Luis Suárez (Ioannidis, 67′)

Suplentes não utilizados: Kaique Pereira, Rafael Nel, Pedro Lima, Jesse Derry, Rodrigo Dias, Eduardo Quaresma, Eduardo Felicíssimo

Treinador: Rui Borges

Nacional: Renato Marin, Matheus Dias, Markus Jensen (Chiheb Labidi, 62′), Miguel Baeza (Daniel Júnior, 80′), Stavros Gavriel (Matchoi Djaló, 73′), William Kokolo, Chico Gonçalves, Léo Santos (Deivison, 45′), Zé Vítor, Wesley Gasolina, Pablo Ruan (Allen Obando, 62′)

Suplentes não utilizados: Kevyn Vinícius, Daniel de la Cruz, Fernando Nava, Danel Dongmo

Treinador: Bruno Abreu

Golos: Luis Suárez (gp, 32′), Flávio Gonçalves (49′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Maxi Araújo (5′), a Sergi Altimira (20′), a Markus Jensen (48′)

“Não se trata de uma revolução, tratou-se do que ditou o mercado e do que quisemos trazer. Já disse que não é possível ir buscar um jogador igual ao Morten [Hjulmand], ao Trincão… Não há gémeos. Trouxemos as melhores soluções possíveis e estou contente com o que adicionámos ao plantel. A imagem do Rui Borges no plantel existe desde o dia em que cheguei. Todos os treinadores, quando chegam, apanham treinadores de outros treinadores. A imagem é criada desde o dia em que cheguei. Quanto às mudanças, uns partem e vêm outros. O mercado foi o que nós quisemos e chegaram miúdos com uma ambição enorme, em quem vemos um grande futuro”, atirou o treinador leonino, que nos últimos dias viu confirmadas as saídas de Daniel Bragança e Pedro Gonçalves para Torino e Fiorentina, respetivamente.

Assim, este sábado e em Alvalade, Rui Borges não mexia e mantinha o onze que goleou o Rio Ave há uma semana, com Flávio Gonçalves, Rodrigo Zalazar e Geny Catamo no apoio a Luis Suárez e Debast a fazer dupla com Gonçalo Inácio no eixo defensivo. Do outro lado, num Nacional a atravessar um período conturbado em que João Gião foi despedido ao fim de apenas quatro jornadas, o interino Bruno Abreu assumia a equipa antes da chegada do já anunciado Alexandre Santos e tinha Markus Jensen, Pablo Ruan e Stavros Gavriel no ataque.

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O jogo demorou a arrancar e nunca chegou propriamente a acelerar imenso, mas não foi preciso esperar muito para perceber que o Sporting teria um autêntico jogo de paciência pela frente. Zalazar protagonizou o primeiro lance de perigo, com um remate de fora de área que passou muito perto da baliza (10′), e os leões iam mesmo optar pela meia-distância para procurar o golo, já que o Nacional mantinha-se organizado e compacto, sem permitir que o adversário entrasse muitas vezes no último terço.

A equipa de Rui Borges não demonstrava grande inspiração, ainda que o ascendente fosse inegável até pela posse de bola, e raramente tinha capacidade para romper as linhas defensivas madeirenses — que, diga-se, até causavam alguns calafrios sempre que subiam e procuravam encontrar espaço na profundidade contrária. Os leões subiram níveis de intensidade e assertividade a partir dos 20 minutos, com Geny Catamo a rematar de fora de área para Renato Marin defender (26′) e o guarda-redes evitar também o golo de Maxi Araújo logo a seguir (30′), e a verdade é que o golo acabou por ser uma questão de tempo.

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Maxi Araújo recebeu na grande área, preparava-se para finalizar e foi carregado em falta por Léo Santos, com João Pinheiro a assinalar penálti de imediato. Na conversão, Luis Suárez marcou, abriu o marcador e sorriu, com os dedos a puxar os cantos dos lábios — numa clara provocação e resposta às críticas que recebeu depois de quase não ter festejado os golos que marcou há uma semana em Vila do Conde, ainda muito relacionadas com a polémica sobre um eventual mal-estar do colombiano dentro do balneário e na relação com os colegas.

Os leões ainda poderiam ter aumentado a vantagem até ao fim da primeira parte, com Renato Marin a evitar novamente o golo com uma grande defesa a remate rasteiro de Suárez (39′), e Rui Silva deixou de ser um mero espectador já nos descontos, defendendo à segunda um pontapé de Miguel Baeza de fora de área (45+1′). Ao intervalo, em Alvalade, o Sporting estava a vencer o Nacional de forma merecida, mas precisava de fazer muito mais para garantir que os madeirenses não continuavam totalmente dentro das decisões.

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Bruno Abreu mexeu logo no início da segunda parte e para tirar Léo Santos, que teve algumas dificuldades no primeiro tempo e foi rendido por Deivison. O jogo estava com mais espaço, até porque o Nacional estava mais subido e a pressionar o adversário de forma diferente e sem ficar à espera, e o Sporting acabou por aproveitar: Debast tirou um passe longo perfeito a descobrir a velocidade de Suárez e o colombiano assistiu Flávio Gonçalves, que só precisou de encostar para voltar a marcar (49′).

O segundo golo trouxe mais tranquilidade aos leões, que começaram a gerir ainda mais com bola, até ofereciam alguma iniciativa aos madeirenses e atacavam essencialmente em transição rápida ou em busca da profundidade que era deixada atrás da defesa. Bruno Abreu fez mais duas substituições já dentro da última meia-hora, lançando Allen Obando e Chiheb Labidi para dar algum pulmão a uma equipa completamente desgastada e esgotada por estar a correr sem bola, e o jogo ia caminhando sem pressa.

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Rui Borges mexeu pela primeira vez pouco depois, lançando Luis Guilherme, Nestory Irankunda e Ioannidis de uma vez numa tripla alteração que parecia ser já a pensar na receção de quarta-feira ao Galatasaray no arranque da Liga dos Campeões. Os leões mantiveram a reação à perda da bola, souberam evitar que o jogo se tornasse anárquico e raramente permitiram que os madeirenses aproveitassem o espaço que existia para incomodar Rui Silva. Pelo meio, Fresneda ainda obrigou Renato Marin a outras duas defesas em oportunidades consequentes (75′) e Ioannidis acertou na trave (83′), com muito azar à mistura para o avançado grego.

Vagiannidis e Silas Andersen ainda entraram na ponta final, mas já nada mudou. O Sporting venceu o Nacional em Alvalade, voltou a não sofrer golos e somou o quarto triunfo consecutivo, mantendo-se com os mesmos pontos que o Benfica e a dois da liderança do FC Porto. Luis Suárez foi titular, marcou e assistiu — e mostrou que só precisava de um dia destes para voltar a sorrir, mesmo que ainda só para provocar.

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