Um antigo procurador britânico, Nazir Afzal, foi escolhido pela Universidade de Cambridge para liderar o inquérito interno à morte de Jason Arday, o académico que foi encontrado morto em agosto depois de se ter demitido da universidade na sequência de uma série de acusações de plágio.
Jason Arday fez história ao tornar-se, aos 37 anos, o mais jovem professor negro da história da prestigiada Universidade de Cambridge. Porém, este ano começou a multiplicar-se uma série de acusações contra Arday, incluindo alegações de que teria feito plágio em vários dos trabalhos académicos que o levaram a subir na carreira e de que teria mentido em várias das afirmações públicas que fizera sobre o seu percurso pessoal e académico e sobre as suas qualificações.
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Depois de, inicialmente, rejeitar liminarmente as acusações, Arday acabou por demitir-se quando, após semanas de polémica, a Universidade de Cambridge anunciou uma investigação interna às qualificações do professor. Alguns dias depois, o professor universitário, entretanto alvo de duras críticas nas redes sociais, foi encontrado morto em casa.
Agora, a Universidade de Cambridge vai investigar os contornos da morte de Arday e chamou o ex-procurador inglês para coordenar o inquérito. “Trabalhámos muito para apoiar o professor Arday durante um período terrível de críticas e de atenção externa, mas, tendo em conta o desfecho devastador, estamos todos a questionar-nos se poderíamos e deveríamos ter feito mais”, disse a vice-chanceler da universidade, Deborah Prentice.
“Este inquérito responderá a essa pergunta”, acrescentou ainda a responsável, em declarações citadas pelo The Guardian. “Estamos comprometidos em garantir que quaisquer recomendações que surjam deste inquérito sejam discutidas e adotadas com responsabilização clara para implementar as mudanças necessárias.”
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“Estou honrado por ter sido convidado para liderar a primeira parte deste importante inquérito independente”, disse Afzal, citado pelo mesmo jornal. “No seu centro está uma pessoa, uma família e uma comunidade que foram profundamente afetadas pela morte do professor Arday. É importante que abordemos este trabalho com rigor e humanidade.”
“A minha responsabilidade será ouvir cuidadosamente, examinar as provas extensivamente e compreender que apoio, intervenções e proteções estavam ao dispor do professor Arday no período antes da sua morte. Temos de estar dispostos a fazer perguntas difíceis, incluindo se podia e devia ter sido feito mais. Este trabalho será feito de forma independente e com urgência”, acrescentou ainda.
Segundo a universidade, o inquérito terá como objetivo tentar compreender as várias dimensões do caso, desde o recrutamento dos académicos até ao apoio que está ao dispor dos professores quando estes estão “sujeitos a um escrutínio público e mediático extraordinário”.
Depois do trabalho conduzido por Afzal, haverá uma segunda parte do inquérito, também liderada por uma figura externa à universidade.
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