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(A) :: Em duelo Real, La Cartuja foi Villamarín e Sevilha foi igual a si própria: Betis vence Real Madrid e dita primeira derrota de Mourinho

Em duelo Real, La Cartuja foi Villamarín e Sevilha foi igual a si própria: Betis vence Real Madrid e dita primeira derrota de Mourinho

Quatro festas sevilhanas, mas só um golo. Sevillha viu Parrott lançar uma vantagem do Betis sobre o Real (81'), que os sevilhanos nunca largaram. Espí marcou um golo anulado e Mbappé falhou penálti.

Manuel Conceição Carvalho
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O Real Madrid chegava à quarta jornada da La Liga com três vitórias em três jogos — incluindo um expressivo 4-0 sobre o Málaga no Bernabéu — e em igualdade pontual com o Barcelona, ambos com nove pontos no topo da classificação. Do outro lado, um Real Betis que arrancava a época com alguma instabilidade: duas vitórias por margem mínima e uma derrota nos últimos três jogos, incluindo uma pesada por 2-5 frente ao Levante. Na classificação, os andaluzes somavam seis pontos, em sexto lugar — com a esperança de que a Andaluzia pudesse funcionar como o fator diferenciador que tem sido para o Real Madrid nos últimos anos.

E havia razão para essa esperança. Os merengues não venciam no estádio do Betis desde agosto de 2021 — um historial que pesa sobre qualquer equipa, por mais forte que seja. Na temporada passada, o Betis venceu por 2-1 no mesmo recinto, com golos de Johnny e Isco. A série fazia da casa do Betis um dos campos mais hostis para o clube madrileno na La Liga — e o treinador português sabia-o. “Para ganhar ao Betis tens de estar ao teu máximo nível”, disse na conferência de imprensa de quinta-feira.

A sombra que pesava sobre este jogo não era apenas desportiva. A semana do Real Madrid tinha sido dominada pelo caso Raúl Asencio — absolvido na quinta-feira no processo de partilha de imagens íntimas de uma menor, mas com um processo disciplinar ainda em aberto no clube por ter sido apanhado a conduzir com uma taxa de alcoolemia quatro vezes acima do limite legal. Mourinho não fugiu ao tema: “O jogador do Real Madrid é-o 24 horas por dia. O que fazes fora pode prejudicar o teu prestígio e o do clube. Não estou feliz e erros todos cometemos, mas erros acumulados é diferente”. O central não viajou para Sevilha — está lesionado há semanas —, mas a sua sombra seguiu a equipa.

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Para derrotar um adversário difícil, o Real Madrid levou alguns antídotos que se têm destacado nos primeiros jogos da temporada, como Jude Bellingham. O médio inglês arrancou a temporada 2026/27 com dois golos e duas assistências nas primeiras três jornadas da La Liga — uma média de participação direta em mais de um golo por jogo. Mbappé arrancou com a mesma média de contribuições: quatro golos marcados em três jornadas. O inglês, vindo do Mundial, onde foi uma das figuras da Inglaterra na campanha que terminou com o triunfo sobre França no jogo que valia a medalha de bronze, parece querer mostrar que a ressaca pós-Mundial não existe — pelo menos para ele. Para Mbappé, segundo melhor marcador do Mundial-2026 e um bom arranque na nova temporada, a perspetiva parece ser a mesma. O português Bernardo Silva tenta ainda encontrar-se e alcançar a preponderância que teve no Manchester City: o médio começou no banco de suplentes.

Os primeiros 10 minutos mostraram uma evidente orientação dos merengues para a frente, com o consentimento do Betis. Os andaluzes jogavam nos seus primeiros 30 metros, enquanto tentavam aguentar um Real Madrid, que também contava com Mbappé na construção e na combinação — e não só na finalização —, nos seus últimos 30. Aos 11′, o francês, à entrada da área, picou sobre a defesa sevilhana e deixou Arda Güler sozinho dentro da área, mas sem ângulo para rematar. Restava-lhe Vinícius do lado oposto, que leu o lance antes de todos os outros, mas também com pouco ângulo — a bola foi ao ferro. Era o primeiro do que se esperava serem muitos lances, não começassem os visitantes com aquela intensidade. Mas os anfitriões tiveram sempre uma palavra a dizer, não estivesse o jogo a realizar-se em Sevilha. Primeiro com um remate de meia distância de Antony aos 18′. Três minutos depois, o brasileiro protagonizou um lance individual, de elevada nota técnica, dentro da área e deixou rasteiro para Chucho Hernández, que atirou ao lado da baliza de Courtois.

A intensidade dos minutos iniciais dos blancos dissipou-se com o tempo. Os sevilhanos, liderados em campo por Isco — que bem conhece o Bernabéu —, confiavam no seu capitão para, a espaços, empurrar os madrilenos até à sua baliza e conseguir ter mais bola no espaço curto, proporcionado precisamente pela contração madridista, que ainda se sujeitava à qualidade individual de Antony e Pablo Fornals. Mas não estavam sozinhos. Do outro lado, Arda Güler num início de época que promete, conseguiu ir contra a corrente e aos 33′ encontrou espaço onde não parecia haver. Começou na direita, fletiu para o meio sobre alta pressão adversária e viu Vinícius Júnior arrancar no corredor central. Seguiu-se uma bola no espaço, nas costas da defesa contrária, que o brasileiro não apanhou por pouco — Álvaro Valles, guardião dos andaluzes, leu corretamente o lance e antecipou-se ao extremo brasileiro —, em nova parceria entre o turco e o sul-americano.

O lance de Güler, de certa forma, animou as hostes madrilenas, mas não travou os anfitriões de surgirem na frente. O preço a pagar por estar tão projetado no terreno era, no entanto, estar sujeito à velocidade de Mbappé e Vinícius numa eventual resposta em transição. Foi isso que aconteceu aos 43′, quando em três toques e muita velocidade, a equipa de Mourinho saiu em direção à baliza de Valles com muito perigo. Vinícius recebeu de Mbappé, que estava no centro do terreno. O brasileiro ultrapassou com relativa facilidade Marc Bartra e seguiu em direção à baliza, mas, quando todos adivinhavam um remate — até os adversários —, o extremo devolveu a Mbappé, que chegou depois. O segundo melhor marcador do Campeonato do Mundo acabou por ver o seu remate bloqueado por um defesa, com Valles — que subiu para a mancha a um remate de Vini — já fora do lance.

Com muita intensidade, mas nenhum golo, ao intervalo Sevilha confirmava ser o que foi para os merengues desde 2021: difícil. Não era o Benito Villamarín — em obras —, mas era um La Cartuja a fazer o mesmo efeito. A primeira parte fechava-se com um empate a zeros, mas com um jogo intenso e rico estética e taticamente, com a posse de bola a ser distribuída de forma praticamente igualitária. No capítulo das tentativas de golo, era o Real Madrid quem dominava, com distância clara.

Se Mbappé foi mais associativo no primeiro tempo, a segunda parte começou com o número 10 do Real mais igual a si próprio: a tentar resolver a solo o que ainda não tinha sido resolvido em equipa. Aos 47′, Kylian Mbappé transportou o esférico para junto da baliza andaluza e, com uma finta de corpo, ultrapassou um opositor, que acreditou num gesto que sugeria o passe para Vinícius à esquerda. Daquela vez, o avançado francês, depois da simulação, partiu para o meio e deixou Valles estático, enquanto a bola seguiu em arco, não muito longe do poste esquerdo.

Mbappé parecia saber que aquele era o melhor caminho, porque, com ou sem ele, a equipa visitante decresceu qualitativamente o prato ofensivo que tinha servido ao Betis no primeiro tempo. E, como na primeira parte, não estavam sozinhos. O Betis já não conseguia lançar a dúvida que tinha apresentado na primeira parte. De ambos os lados, o intervalo levou alguma da qualidade que o primeiro tempo deu ao encontro. Com isso, as oportunidades, outrora frequentes, começavam a escassear.

Para contrariar uma corrente cada vez mais lenta e previsível no jogo, Mourinho mexeu na equipa: Bernardo Silva entrou para o lugar de Camavinga; Dumfries saiu por Alexander-Arnold; Yan Diomande substituiu o amarelado Arda Güler. O jogo não piorou no capítulo da intensidade — mas também não melhorou. A escassez de oportunidades mantinha-se a 20 minutos dos 90′. A grande exceção foi aos 74′, quando Troy Parrott, recém-entrado, atirou pouco por cima da baliza de Courtois, a passe de Fran García, mas mesmo assim o lance seria invalidado segundos depois, por posição irregular do avançado irlandês.

Sobravam apenas 10 minutos para o Sevilha voltar a ser um amuleto andaluz contra o todo-poderoso Real Madrid, da capital espanhola. E não era apenas sorte. Embora também não conseguisse grandes oportunidades, o Betis também não concedia muito aos merengues. E a isto tudo juntou-se um golo. Troy Parrott tinha avisado minutos antes e, aos 81′, fez a recarga a uma grande defesa de Courtois na sequência de um canto, para colocar os sevilhanos na frente e o La Cartuja em apoteose.

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Afinal não era preciso muita ação para haver golos. O futebol voltou a provar que não é uma ciência exata e a parte que teve menos oportunidades teve mais emoção. Esse lance de Parrott não foi caso único. Poucos minutos depois, os adeptos do Betis voltaram a fazer a festa. Desta vez não era um golo — era um (grande) golo anulado a Espi, que pensava ter empatado tudo aos 87′, depois de um pontapé de bicicleta pouco ortodoxo, mas suficiente para fazer a bola entrar e deixar Sevilha em silêncio, antes de a equipa de arbitragem anular o lance.

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Da pouca ação, o jogo passou à abundância de situações: aos 93′, Natan derrubou Vinícius dentro da área e Hernández Hernández apontou para a marca de penálti. O Real Madrid não baixava os braços — o Betis também não: Mbappé atirou forte para a sua esquerda e Álvaro Valles adivinhou, evitando o golo. Nova festa no La Cartuja. Seguiu-se o silêncio do suspense, com a possibilidade de uma repetição da grande penalidade, por possível infração sevilhana. A segunda oportunidade não foi concedida pelo VAR, o que tornou o recinto numa reedição de um Villamarín em ebulição e fora de obras. Quatro festas e apenas um golo. Já sem tempo para discutir mais nada, depois de um golo anulado e uma grande penalidade falhada, Sevilha confirmou ser talismã do Betis contra o Real, que continua sem vencer os verdiblancos na Andaluzia desde 2021. Nem Mourinho conseguiu reverter a tendência e saiu do sul de Espanha com a sua primeira derrota após o seu regresso ao futebol espanhol.

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Com este triunfo, os andaluzes saltam para o terceiro lugar, igualados em pontos com o Real Madrid. Agora, os merengues podem ver o Barcelona isolar-se na liderança da La Liga, caso os catalães vençam o Valencia no próximo domingo.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]