(c) 2023 am|dev

(A) :: Hamas pede oposição a intenção israelita de retirar população de Gaza

Hamas pede oposição a intenção israelita de retirar população de Gaza

Ben-Gvir propôs expulsar dois milhões de habitantes de Gaza em sete anos. Katz já defendera o mesmo. Hamas classifica as declarações de "planos extremamente perigosos".

Agência Lusa
text

Acompanhe o nosso liveblog sobre os conflitos internacionais

O movimento islamita palestiniano Hamas exortou esta sexta-feira os países árabes e muçulmanos a oporem-se às recentes declarações de ministros israelitas apelando para se esvaziar a Faixa de Gaza da sua população, transferindo-a para o estrangeiro.

Tais declarações refletem “os planos extremamente perigosos” de Israel para o território palestiniano devastado pela guerra, afirmou o porta-voz do movimento islamita, Hazem Qassem, num comunicado.

Por esse motivo, apelou aos “países árabes e aos países muçulmanos para agirem de forma determinada e unida para enfrentar esses planos e tomar medidas eficazes para os fazer fracassar”.

Na quinta-feira, o ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben-Gvir, apresentou uma proposta, poucas semanas antes das eleições legislativas no país, para expulsar os cerca de dois milhões de habitantes da Faixa de Gaza nos próximos sete anos.

“Devemos incentivar a emigração dos residentes de Gaza”, sustentou, prometendo nomeadamente ajuda financeira aos países que os acolherem.

Na quarta-feira, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, já tinha lançado esta ideia, afirmando que “não há uma verdadeira solução para Gaza sem essa migração” da sua população para o estrangeiro.

Estas posições surgem em plena campanha eleitoral em Israel, um período marcado por uma escalada da retórica hostil aos palestinianos.

Até à data, o Governo israelita não anunciou quaisquer medidas concretas destinadas a transferir os habitantes da Faixa de Gaza para o estrangeiro.

A deslocação forçada de população civil é um crime de guerra à luz do Direito Internacional.

Em Gaza, a maioria dos habitantes já foi várias vezes obrigada a deslocar-se dentro do território pela guerra lançada por Israel a 7 de outubro de 2023, horas depois do ataque sem precedentes do Hamas a território israelita, que fez cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.

Desde então, mais de 73.000 pessoas foram mortas pelo Exército israelita na Faixa de Gaza, segundo o Governo do enclave palestiniano, desde 2007 controlado pelo Hamas e cujos números a ONU considera fidedignos.

Dessas, mais de 1.300 foram mortas em ataques das forças israelitas desde a entrada em vigor do cessar-fogo com Israel, a 10 de outubro de 2025.