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(A) :: La Pandera trouxe uma surpresa, novo murro de Enric e o melhor João: Brenner ganhou, Mas passou os dois minutos de vantagem e Almeida em 10º

La Pandera trouxe uma surpresa, novo murro de Enric e o melhor João: Brenner ganhou, Mas passou os dois minutos de vantagem e Almeida em 10º

A 14.ª etapa chegou com novo triunfo na fuga e a melhor prestação de João, com direito a Almeidada em La Pandera. Brenner venceu pela primeira vez numa Grande Volta e Mas defendeu vermelha.

Tiago Gama Alexandre
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Sexta-feira foi, finalmente, dia de Wout van Aert. Depois de muito tentar e de trabalhar, em prol das três vitórias de Matty Brennan, o belga da Visma-Lease a Bike voltou a tocar o céu da Volta a Espanha dois anos depois de ter vencido três etapas, num dia marcado pelo triunfo da fuga e o domínio da sua equipa, que geriu a corrida como quis e partiu-a na parte final. Só Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step) seguiu o camisola verde que também luta pela montanha, mas viria a perder, de forma natural, no sprint final, com Van Aert a fazer valer a sua explosão. A geral manteve-se intocável depois de os protagonistas terem chegado juntos, a três minutos do vencedor, pelo que Enric Mas (Movistar) chegava à duríssima etapa deste sábado confortavelmente na liderança, mas com tudo em aberto.

https://observador.pt/2026/09/04/e-preciso-aert-para-chegar-a-loja-e-nao-pedir-licenca-para-entrar-belga-vence-pela-primeira-vez-nesta-vuelta-depois-de-muito-atacar/

“O plano era entrar na fuga. Foi uma etapa muito difícil de controlar. Sabíamos que, com o Matthew [Brennan], eu, o Bruno [Armirail] e o Christophe [Laporte], tínhamos ciclistas muito bons numa etapa como esta. Tentámos manter-nos na frente com alguns ciclistas para podermos jogar as nossas cartas e funcionou na perfeição. O Bruno e eu passámos grande parte do dia a seguir na roda, porque tínhamos o Matty no grupo da frente. Conseguimos alcançá-los na última subida. Com o Matty e eu num grupo assim, ambos temos uma oportunidade, mas também podemos sacrificar-nos um pelo outro. Continuámos a atacar e o ataque final resultou. Tinha isso um pouco em mente quando vi o perfil e aquela última subida antes de chegar à meta”, explicou Van Aert.

“Não posso dizer que o calor me tenha incomodado, porque fui eu que o pedi. Estamos na Andaluzia, é verão, é normal. Mantivemos a calma em todos os momentos. Costumamos utilizar um homem para puxar, enquanto outras equipas utilizam toda a equipa. A gestão a partir do carro foi nota 10 e a da corrida também. Estratégia? Ao longo da história já ganhámos tantas Grandes Voltas. Deve ser por alguma razão. Foi um momento tático [Mattias Skjelmose na fuga] na descida e decidimos continuar um pouco mais devagar do que ele. Havia um grande grupo na frente. Mantivemos a diferença entre dois e quatro minutos e, depois, outras equipas vieram ajudar. De certeza que amanhã [sábado] vamos sentir o calor de hoje. Temos de ir dia a dia, e acho que estamos a fazê-lo muito bem. Tenho boas recordações [da Sierra de la Pandera]. Foi em 2022. Estou motivado para amanhã”, disse o espanhol.

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E foi precisamente em Sierra de la Pandera que terminou mais uma etapa de alta montanha, com 4.170 metros de desnível positivo acumulado em 154,5 quilómetros. Foi numa das subidas mais duras de Espanha que Roberto Heras, Alejandro Valverde e Richard Carapaz, em 2022, se coroaram vencedores, mas até lá havia que enfrentar o calor da região de Jaén, onde se deu a partida. A partir daí seguia-se um percurso ondulante, praticamente sem terreno plano, com a primeira contagem de montanha a surgir a meio da etapa, em Los Villares (10,5 km a 5,4%). Mais à frente, a cerca de 20 quilómetros da meta, os ciclistas iam passar pelo alto de Locubín (8,7 km a 5,1%), antes de enfrentarem La Pandera, com 12 quilómetros a 7,2% e um piso longe do ideal.

A etapa voltou a ser bastante atacada desde o início, com um grupo de quase 50 ciclistas a conseguir escapar ao pelotão. Nele encontravam-se os portugueses João Almeida e Ivo Oliveira (UAE Team Emirates-XRG), que completou este sábado 30 anos, bem como Santiago Buitrago (Bahrain-Victorious), Clément Berthet (Groupama-FDJ United), Valentin Paret-Peintre (Soudal) ou Lorenzo Fortunato (XDS Astana). Olhando ao top 10, só Red Bull-Bora-hansgrohe e Lidl-Trek não colocaram nenhum corredor na fuga. O Puerto de los Villares acabou por não ditar diferenças, com Buitrago a aproveitar para conservar a camisola das bolinhas. Na descida, Kevin Vermaerke (Emirates) aproveitou para atacar em solitário, chegando ao sprint intermédio de Castillo de Locubín com 1.45 minutos de vantagem. 

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Na penúltima subida da jornada, a diferença caiu para os 45 segundos, com Cristián Rodríguez (XDS) e Berthet a bonificarem. O francês deu seguimento ao sprint e atacou com Paret-Peintre, Georg Steinhauser (EF Education-EasyPost) e Fortunato. O norte-americano acabou por ser alcançado pelo alemão no Muro de Valdepeñas de Jaén, que passou diretamente e arrancou sozinho antes do início da Sierra de La Pandera. Guillaume Martin (Groupama) atacou pouco depois e alcançou Steinhauser, com Almeida a juntar-se a Oliveira e a despedir-se da luta pela etapa a oito quilómetros do alto. O grupo acabou por reagrupar e, nessa altura, Mario Aparicio (Burgos Burpellet BH) desferiu novo ataque. Nessa altura, o Bota Lume mostrou-se com mais uma impressionante Almeidada e reentrou no grupo perseguidor. A 3,5 quilómetros da meta, Marco Brenner (Tudor), Buitrago e Rodríguez neutralizaram o espanhol.

O líder da montanha contra-atacou e deixou Brenner para trás poucos metros depois. No pelotão, Mas começou por testar os rivais e Richard Carapaz (EF) respondeu com um ataque forte, ao seu estilo, mas os ciclistas do pódio organizaram-se e alcançaram-no. Rodríguez e Iván Sosa (Kern Pharma) reentraram na frente já dentro dos últimos dois quilómetros, quando Gall e Mas tentaram escapar a Roglic e Carapaz, sem sucesso. À entrada para o último quilómetro, Buitrago voltou a atacar, Brenner respondeu e, quando o terreno voltou a empinar, o alemão passou para a frente e bateu o colombiano para somar a sua primeira vitória numa Grande Volta. Cristián Rodríguez chegou em terceiro lugar, a 11 segundos, ao passo que Almeida continuou a recuperação na parte final e foi décimo, a 1.09 minutos.

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Quanto aos favoritos, Mas arrancou de vez com Gall e contou com o contributo de Raúl García Pierna na parte final, mas acabou por chegar juntamente com o austríaco, sem perder tempo. O camisola vermelha ganhou mais 25 segundos a Roglic, que acabou por perder o segundo lugar para Felix Gall (estão a 2.06 e 2.10). Com a prestação deste sábado, João Almeida subiu ao 74.º lugar da geral, a 2.10,02 horas de Mas, e está a cerca de 25 minutos de entrar no top 50.

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