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ONU aprova proposta para alterar mapa do mundo e representar África no seu tamanho real

Objetivo da proposta apresentada pelo Togo e apoiada pelos países africanos é que o mapa do mundo seja mais fiel ao tamanho real dos países. Atual mapa mostra África menor do que é na verdade.

João Francisco Gomes
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A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou esta sexta-feira uma proposta de resolução para recomendar que os mapas do mundo usados a nível global sejam gradualmente substituídos por novos mapas, desenhados de forma mais fiel ao tamanho real dos países.

A proposta foi aprovada com 164 votos a favor, seis abstenções e apenas um voto contra, o dos Estados Unidos.

A proposta foi avançada pela diplomacia do Togo e apoiada por vários outros países, incluindo os membros da União Africana, e tem como objetivo principal promover o uso de mapas do mundo que reflitam o verdadeiro tamanho de África — algo que não acontece com os mapas atualmente utilizados.

Uma vez que o planeta Terra é esférico, a única forma de o representar num mapa bidimensional passa pelo recurso às chamadas “projeções” — ou seja, a projeção da superfície da esfera terrestre num cilindro que depois possa ser representado numa superfície bidimensional.

A forma mais conhecida de o fazer é a chamada “projeção de Mercator”, batizada em nome do cartógrafo flamengo do século XVI Gerardo Mercator. Essa forma de converter a esfera terrestre numa superfície bidimensional tem sido a norma padrão desde o século XVI, de forma a permitir uma coerência entre os mapas usados em todo o mundo, facilitando a navegação marítima e a orientação.

Contudo, a projeção de Mercator tem um problema: quanto mais longe da linha do Equador está determinado território, mais exagerado é o seu tamanho nesta projeção. O exemplo clássico é a comparação entre África e a Gronelândia: num mapa feito com a projeção de Mercator (como o do Google Maps, por exemplo), estes dois territórios parecem ter o mesmo tamanho. Porém, África é cerca de 14 vezes maior do que a Gronelândia.

Algumas ferramentas online, como a “The True Size of“, permitem comparar diretamente os tamanhos reais de diferentes países: seria possível encaixar os Estados Unidos, a China e a Índia em África e ainda sobraria espaço.

“Esta discussão não é política, mas científica”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, Robert Dussey, em declarações citadas pelo The Guardian. “Há provas científicas, por isso temos de aceitar a realidade”, afirmou ainda, acrescentando que “está na hora de nós, em África, assumirmos a responsabilidade de mudar o que podemos mudar”.

Ao longo das décadas, vários historiadores e geógrafos têm feito campanha em favor da substituição da projeção de Mercator por outras projeções, mais fiéis ao tamanho real de cada território. Alguns, diz o The Guardian, defendem mesmo que o uso da projeção de Mercator, que tende a aumentar o tamanho dos países europeus e dos EUA, é também uma forma de “colonialismo cartográfico”, já que favoreceu, com o tempo, a implantação da ideia de que o Ocidente ocupa um espaço no mundo maior do que aquele que na verdade ocupa, enquanto África ocupa menos espaço do que na realidade.

A proposta do Togo é que passe a ser usada a projeção desenvolvida pelo projeto “Equal Earth“, da autoria de uma equipa de cartógrafos de todo o mundo.

A resolução não é vinculativa, mas poderá motivar a alteração do mapa em manuais escolares, ferramentas digitais e outro tipo de materiais que usam a representação do mundo. A projeção do “Equal Earth” é considerada melhor do que outras alternativas que têm sido usadas, como a projeção de Gall-Peters ou a projeção de Robinson.

O recurso a um mapa mais fiel ao tamanho real dos vários territórios é visto pelos proponentes africanos do projeto como uma forma de transformar o modo como o continente africano é representado aos olhos do mundo.

“África, em tempos diminuída nos mapas, insiste agora em ser vista à sua escala real, geograficamente, historicamente, moralmente, culturalmente, economicamente, diplomaticamente e globalmente”, disse a comissária da União Africana para a saúde, assuntos humanitários e desenvolvimento social, num comunicado em março, depois de a União Africana ter adotado formalmente a projeção do Equal Earth.

No próximo ano deverá realizar-se na capital do Togo, Lomé, uma conferência com a Unesco, a União Africana e empresas tecnológicas como a Google, responsável pelo Google Maps, para debater a possibilidade de implementar esta nova representação do mapa do mundo.

Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Noël Barrot, já anunciou que França irá abandonar a projeção de Mercator, passando a usar um mapa mais fiel ao tamanho dos países.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]