Questionado na quinta-feira sobre a alegada responsabilidade dos Estados Unidos num ataque que matou quatro pessoas, incluindo uma criança, e feriu outras 68, durante uma festa de casamento no sudeste do Irão, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que “às vezes as coisas acontecem”.
O ataque, segundo o The Guardian, atingiu na terça-feira a cidade de Kuhestak, na província de Hormozgan, no sudeste do país, que dispõe de um porto com acesso direto ao Estreito de Ormuz. O número de mortes foi divulgado pelo Crescente Vermelho Iraniano, membro do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, que opera independentemente do Governo.
“Devo dizer que os meios de comunicação estatais iranianos não têm sido muito bons a relatar o que aconteceu no conflito até agora, por isso estou extremamente cético em relação a isso”, disse JD Vance, citado pelo jornal britânico, sem mencionar que as mortes tinham sido confirmadas por um organismo humanitário internacionalmente reconhecido.
O vice-presidente norte-americano afirmou “com 100% de certeza” que, ao contrário do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC), os Estados Unidos nunca têm como alvo civis em combate. “Nunca o faremos. Nunca o fizemos e, infelizmente, obviamente, às vezes estas coisas acontecem”.
Durante a conferência de imprensa na quinta-feira, Vance referiu ainda que não dispunha de novas informações sobre o ataque em causa, mas garantiu que as autoridades norte-americanas estão a investigar o incidente. O vice-presidente acrescentou que, ao contrário do Irão, os EUA “aprendem com os seus erros”. Sobre o conflito entre Washington e Teerão, que entrou já no sétimo mês e provocou a morte de 18 militares norte-americanos, Vance recusou classificá-lo como uma “guerra” nesta fase.
https://observador.pt/2026/05/21/irao-organiza-casamentos-em-massa-para-pessoas-que-estejam-dispostas-a-sacrificar-a-vida-na-guerra/
O ataque que atingiu a festa de casamento terá resultado do impacto direto de uma munição norte-americana, e não de um ricochete após atingir outro alvo. A conclusão surge de uma análise realizada por especialistas a imagens do incidente, divulgada pela Reuters. Segundo dois responsáveis norte-americanos citados pela agência de notícias, o alvo da operação seria uma torre de comunicações situada nas proximidades do local da celebração.
[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]