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(A) :: Nove chefes de equipa da urgência pediátrica do Hospital D. Estefânia apresentam demissão

Nove chefes de equipa da urgência pediátrica do Hospital D. Estefânia apresentam demissão

Médicos reportam falta de condições para assegurar o serviço, devido à falta de anestesiologistas. ULS de São José tem 83 médicos desta especialidade para sete hospitais e três urgências.

Agência Lusa
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Tiago Caeiro
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Os nove chefes de equipa da urgência pediátrica do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, apresentaram na quinta-feira a demissão dos cargos, alegando constrangimentos com a anestesiologia, confirmou esta sexta-feira a Unidade Local de Saúde (ULS) São José.

A unidade de saúde adiantou à agência Lusa que recebeu na quinta-feira, às 21h53, a carta de demissão de funções dos nove chefes de equipa, que se reporta “exclusivamente às funções de coordenação e chefia” que desempenhavam na urgência pediátrica.

“Na comunicação remetida à instituição, os profissionais justificam a decisão com os constrangimentos associados à anestesiologia”, referiu a ULS, ao avançar que o conselho de administração tem “acompanhado de perto esta situação, mantendo um diálogo próximo e permanente com as equipas” e adotando medidas que permitam reforçar o serviço de anestesiologia.

A notícia foi avançada pela RTP na quinta-feira, adiantando que todos os chefes de equipa da urgência pediátrica tinham apresentado a demissão, alegando falta de condições para assegurar o serviço, em especial a falta de anestesistas.

Na resposta enviada à Lusa nesta sexta-feira, a ULS São José reconheceu que, durante o período de férias, têm existido “constrangimentos no preenchimento das escalas de anestesiologia”, atribuindo essa situação à menor disponibilidade de profissionais associada ao gozo das férias, mas também à escassez de médicos anestesiologistas a nível nacional.

Fonte oficial da ULS São José avançou ao Observador que os vários hospitais que fazem parte da ULS enfrentam uma carência de anestesiologistas. Neste momento, a ULS de São José (a maior da zona de Lisboa) conta com 83 anestesiologistas no quadro — profissionais que têm de assegurar três urgências externas em sete hospitais e ainda toda a área cirúrgica.

“Esta situação tem exigido a implementação de reajustamentos pontuais nos serviços, sempre com o objetivo de garantir a qualidade e a segurança dos cuidados prestados”, salientou a unidade local de saúde.

Garantiu ainda que, além disso, tem desenvolvido “todos os esforços” para reforçar os recursos humanos nesta área, promovendo a captação de especialistas e recorrendo, sempre que necessário, a outros mecanismos complementares, como a prestação de serviços e a colaboração de médicos aposentados.

A ULS São José recordou ainda que foi classificada como zona geográfica carenciada para a especialidade de anestesiologia no despacho do Governo deste ano que prevê a atribuição de incentivos aos médicos a contratar pelas ULS.

A expectativa é que, com o final do período tradicional de férias, a situação retome gradualmente a normalidade, avançou ainda a ULS São José.

No final de agosto, a ministra da Saúde admitiu a falta de médicos anestesiologistas na ULS de São José e noutros locais do país. “É um bocadinho por todo o país, mas tudo se reflete mais na região de Lisboa e Vale do Tejo”, assumiu Ana Paula Martins, em declarações aos jornalistas na ocasião.

“No verão temos sempre situações mais críticas, porque os médicos têm as suas férias e existem menos recursos humanos do que aqueles que precisaríamos para ter equipas mais reforçadas. Um dos casos é a anestesiologia”, disse a governante.

As declarações de Ana Paula Martins foram feitas na sequência do alerta do Sindicato dos Médicos da Zona Sul para a “grave escassez” de anestesiologistas na Unidade Local de Saúde de São José.