12 de março de 2023. Há 1.273 dias, Benfica e Marítimo encontraram-se pela última vez. Na altura, o Benfica tinha pela frente uma difícil deslocação aos Barreiros na caminhada rumo ao seu 38.º título de campeão nacional. Enquanto deslumbrava na Europa — já sem Enzo Fernández —, a águia comandada por Roger Schmidt estava privada de Rafa Silva, um dos maiores desequilibradores do plantel… do passado e do presente. David Neres foi o escolhido para o lugar do ex-internacional português e respondeu com dois golos, com João Mário a completar o 3-0 final. Essa acabou por ser a última época que terminou com o Benfica como campeão nacional, ao passo que os verde-rubros passaram três anos na Segunda Liga, até conquistarem o troféu há poucos meses, garantindo a subida no… Seixal.
https://observador.pt/2026/08/31/joao-chegou-entrou-e-foi-o-melhor-em-campo-e-isso-ajuda-a-explicar-muita-coisa-a-cronica-do-benfica-estoril/
Com a reconquista do título no horizonte, os encarnados voltaram a investir bastante no plantel nas últimas semanas, garantindo nos últimos dias mais dois reforços: Souffian El Karouani, lateral-esquerdo emprestado pelo Al Qadisiyah que voltou à Europa para dar luta a Samuel Dahl; e Claudio Echeverri, médio-ofensivo que é uma das maiores promessas do futebol argentino, que chegou à Luz emprestado pelo Manchester City com vista a confirmar de vez o seu potencial. Por outro lado, Tomás Araújo renovou contrato até 2031 e Richard Ríos fez o caminho inverso ao do marroquino, tendo reforçado o Al-Ittihad por empréstimo. A expectativa era grande, mas a sofrida receção ao Estoril colocou os benfiquistas de novo com os pés assentes no chão (2-1).
Ficha de jogo
Marítimo-Benfica, 0-3
5.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio do Marítimo, no Funchal
Árbitro: Sérgio Guelho (AF Guarda)
Marítimo: Alfonso Pastor; Igor Julião (Nilton Varela, 78’), Rafael Fernandes, Romain Correia, Paulo Henrique; Rodrigo Andrade, Vladan Danilovic (Israel Ayuma, 66’); Bryan Limbombe (Samuel Bamba, 66’), Raphael Guzzo (Maxime Dominguez, 90+2’), Martín Tejón; Adrián Butzke (Maurice Boakye, 78’)
Suplentes não utilizados: Gonçalo Tabuaço, Fran Vieites; Francisco Silva, Ibrahim Alani e Gábor Szalai
Treinador: Mitchell van der Gaag
Benfica: Samu Soares; Alex Bah (Jakub Kaminski, 16’), Tomás Araújo, Clément Lenglet, Samuel Dahl; João Palhinha (Enzo Barrenechea, 82’), Leandro Barreiro, Giorgi Sudakov (Alessandro Circati, 61’); Rafa Silva (Andreas Schjelderup, 61’), Gianluca Prestianni e Vangelis Pavlidis (Jhon Durán, 82’)
Suplentes não utilizados: Anatoliy Trubin; Frederik Aursnes, Dodi Lukebakio, Manu Silva, José Neto, Anísio Cabral e Gonçalo Moreira
Treinador: Marco Silva
Golos: Barreiro (7’ e 71’) e Prestianni (82’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Danilovic (40’), Sudakov (41’), Julião (42’), Tomás (61’) e Circati (66’)
“Marítimo? Entraram na temporada com bons resultados, com bom impacto neste regresso. É sempre importante para uma equipa que regressa à Primeira Liga. Percebe-se, quando jogam em casa, que o ambiente está a favor da equipa e isso é fundamental. Vai fazer-nos a vida difícil, é uma equipa forte, agressiva no seu espaço, confiante como as equipas que sobem de divisão e com dinâmica de vitória. Isso é decisivo para o resto da temporada. Vão tentar contrariar-nos com jogadores em posições específicas que nos podem criar problemas. Temos de dar continuidade ao que temos feito bem. Temos de provar novamente a nossa qualidade. Gestão? Vai ter influência, porque temos um calendário carregado e quatro jogos fora de casa [em setembro] a pensar sempre no próximo. Já o mês de agosto foi atípico em termos de carga de jogo”, explicou Marco Silva, que confirmou a disponibilidade de Enzo Barrenechea.
O regresso do Marítimo ao Campeonato Nacional começou com sinais positivos, com a equipa insular a somar sete pontos nos quatro primeiros jogos. Na Pérola do Atlântico, a equipa de Mitchell van der Gaag bateu Casa Pia na estreia (1-0) e empatou frente ao Académico de Viseu (2-2), tendo vencido em Vila Nova de Famalicão (2-1) e perdido em Arouca (1-2) nos restantes jogos. “Estes jogos são bons para mostrar a nossa qualidade. Espero um jogo difícil, como sempre, contra uma equipa grande que tem muita qualidade. Costumo dizer aos meus jogadores que não somos ‘coitadinhos’. Temos de lutar e trabalhar. Sei que o Benfica não perdeu nenhum jogo do Campeonato na época passada, o que também quer dizer muito em termos de espírito de equipa. Agora tem ideias diferentes com Marco Silva, que fez um caminho espetacular em Inglaterra e traz essa experiência. E o Benfica é o Benfica”, partilhou o neerlandês.
https://twitter.com/SLBenfica/status/2096270058850763246?s=20
Como se esperava, Marco Silva fez apenas uma alteração no seu onze e lançou desde já João Palhinha a titular, deixando Enzo Barrenechea no banco, onde ainda não estiveram os reforços mais recentes, ao contrário de José Neto, Anísio Cabral e Gonçalo Moreira, que voltaram a merecer a confiança do treinador português. Por seu turno, Mitchell van der Gaag manteve o onze que perdeu em Arouca, alinhando em 4x2x3x1, com Raphael Guzzo a funcionar como segundo avançado, ao lado de Adrián Butzke, e terceiro médio, juntamente com Rodrigo Andrade e Vladan Danilovic.
O Benfica entrou dominador e a conseguir quebrar, maioritariamente por fora, o frágil bloco maritimista, que se mostrou vulnerável principalmente pelo corredor central e no setor mais recuado. Nesse sentido, Gianluca Prestianni aproveitou para desbloquear pela esquerda, ultrapassando um defesa e desferindo um remate colocado para defesa incompleta de Alfonso Pastor para a frente, com Leandro Barreiro a aproveitar o erro do guarda-redes para fuzilar a rede com o pé esquerdo (7′). Pouco depois, Palhinha recebeu no corredor central, longe da baliza, ganhou metros e atirou colocado, mas a bola saiu a rasar o poste esquerdo (12′). A primeira contrariedade para os encarnados surgiu ainda no primeiro quarto de hora, com Alex Bah a chocar contra um fotógrafo e o seu equipamento depois de ter sido empurrado por Paulo Henrique e a sair lesionado, com o braço direito ao peito. Para o seu lugar entrou Jakub Kaminski, dado que Daniel Banjaqui jogou na equipa B e os únicos defesas no banco eram José Neto e Alessandro Circati.
O Benfica continuou por cima e, depois de um erro da defesa insular, Vangelis Pavlidis atirou colocado à entrada da área, acertando em cheio no poste direito (17′). Seguiu-se um cruzamento largo de Prestianni à procura de Kaminski, que se antecipou a Henrique e desviou para fora (20′). Com o jogo mais calmo e o Marítimo a crescer, Prestianni continuou endiabrado e a perfilar-se como o elemento mais influente do ataque lisboeta e, em mais uma arrancada de fora para dentro, obrigou Pastor a fechar o primeiro poste (26′). O ritmo acabou por baixar e as equipas perderam critério no passe, embora o Benfica tenha assumido o controlo. O jogo acabou por tomar um rumo mais físico, com muitos duelos e três cartões amarelos em dois minutos, com a primeira metade a chegar ao fim com a formação visitante em vantagem (0-1).
O intervalo fez bem aos leões da Almirante Reis, que criaram a primeira oportunidade da segunda etapa através da bola parada, com Paulo Henrique a ficar a centímetros de completar o cruzamento de Raphael Guzzo (51′). O Marítimo continuou melhor com as alterações táticas promovidas por Mitchell van der Gaag, que colocou Guzzo na direita e Igor Julião mais por dentro, com Martín Tejón, na esquerda, a fechar por dentro na tentativa de condicionar Leandro Barreiro. Nesse sentido, Marco Silva decidiu lançar Alessandro Circati e Andreas Schjelderup nos lugares de Rafa Silva e Giorgi Sudakov, com o australiano a passar para o corredor direito. Mitchell van der Gaag respondeu com duas trocas diretas — Israel Ayuma e Samuel Bamba renderam Vladan Danilovic e Bryan Limbombe — e continuou a explorar o lado esquerdo, com Tejón a “sacar” o amarelo a Circati logo a seguir.
Os encarnados acabaram por desbloquear o jogo na bola parada, com Gianluca Prestianni a receber curto e a atrasar para Schjelderup depois de ter atraído a pressão. O norueguês colocou a bola no desmarcado Vangelis Pavlidis, ao segundo poste, com o grego a virar de cabeça para o poste mais distante, onde Barreiro chegou ao bis com novo cabeceamento (71′). O Marítimo acabou por sentir em demasia o golo sofrido e encolheu-se, com o Benfica a controlar a seu bel-prazer. O neerlandês respondeu com Nilton Varela e Maurice Boakye no ataque, com o português a responder com Enzo Barrenechea e Jhon Durán. Logo a seguir, Prestianni roubou a bola a Rodrigo Andrade num lançamento lateral e arrancou endiabrado para a baliza, ganhou no duelo físico e, à entrada da área, fletiu para dentro e colocou a bola no poste mais distante com um grande remate em arco (82′). Para o fim ficou reservada a entrada de Maxime Dominguez, com o Benfica a sair do Funchal com os três pontos no bolso (0-3).