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Ataque massivo com spyware atinge sociedade civil e estudantes na Sérvia

Pelo menos 14 pessoas foram alvo de software de espionagem na Sérvia. Citizen Lab confirmou o Pegasus entre as ferramentas usadas. Governo rejeita envolvimento.

Joana Moreira
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Pelo menos 14 pessoas de diversos setores da sociedade civil sérvia, incluindo líderes estudantis, foram alvo de “spyware” (software de espionagem) no início deste ano, revela um relatório divulgado esta quarta-feira e avançado pelo jornal The Guardian. A organização de direitos digitais Share Foundation classifica o episódio como a maior vaga documentada de ataques de vigilância na história do país.

A operação de espionagem começou a ser desmantelada em agosto, quando a Apple emitiu notificações de ameaça a utilizadores de 110 países, alertando-os para a probabilidade de estarem a ser visados por spyware mercenário. Análises forenses subsequentes, conduzidas pelo laboratório de investigação Citizen Lab, confirmaram que pelo menos uma das vítimas sérvias teve o seu dispositivo infetado pelo software Pegasus, desenvolvido pelo grupo israelita NSO, uma ferramenta capaz de dar acesso total aos equipamentos eletrónicos (telemóveis ou computadores, por exemplo) do alvo.

Entre as pessoas visadas estão elementos de movimentos estudantis pró-democracia que têm liderado protestos contra o Governo do presidente Aleksandar Vučić desde 2024. O momento da intrusão — que coincide com a realização das eleições locais de março — terá servido, segundo os analistas, como uma espécie de teste de pressão às forças da oposição e aos movimentos sociais antes do arranque dos ciclos eleitorais cruciais de 2026.

Apesar de não existirem provas diretas do envolvimento do executivo no caso específico do Pegasus, outros programas detetados durante a investigação, como o NoviSpy, já foram associados no passado a autoridades estatais sérvias.

A reação oficial do Governo foi, contudo, de rejeição total. Em declarações à Euronews Serbia, a presidente do Parlamento, Ana Brnabić, desmentiu categoricamente qualquer vigilância, afirmando não acreditar numa única palavra dos relatórios apresentados.

No poder há 12 anos — primeiro como primeiro-ministro e, desde 2017, como presidente —, Aleksandar Vučić tem enfrentado crescente escrutínio internacional pela resposta dura aos protestos e pelo alegado esvaziamento das instituições democráticas no país.

Da parte dos alvos, contudo, a resposta é de resistência. Milica Popović, uma das estudantes visadas, descreveu a invasão como um ato “cruel” que a fez sentir-se extremamente exposta, mas garantiu que o ataque não vai intimidar nem travar a mobilização do movimento estudantil.