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Rim de porco funcionou durante 271 dias no corpo de um paciente norte-americano. "Foi um milagre"

Tim Andrews sofria de doença renal terminal, provocada pela diabetes tipo 2, com os rins já em falência. Homem tinha 66 anos quando lhe foi feito o transplante. Entretanto, já arranjou um dador.

Margarida Vieira dos Santos
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Um rim de porco transplantado para um homem em janeiro de 2025 funcionou durante 271 dias no corpo do paciente, o período mais longo alguma vez registado, segundo uma equipa médica norte-americana. O órgão foi removido em outubro desse ano e, depois de fazer hemodiálise durante 82 dias, Tim Andrews acabou por receber um rim de um dador humano, em janeiro deste ano.

Andrews, de acordo com a BBC, sofria de doença renal terminal causada pela diabetes tipo 2, com os rins já em falência. Tinha 66 anos quando recebeu o transplante, a 25 de janeiro de 2025.

O rim de porco começou a funcionar de imediato, segundo dados publicados na revista médica The Lancet, citados pela emissora. Embora tenham sido detetados sinais precoces de rejeição pelo sistema imunitário, estes foram tratados com sucesso através de um ajuste da medicação.

No entanto, cerca de seis meses depois, os vasos sanguíneos do rim começaram a ser danificados, não sendo ainda claro o motivo, o que provocou uma inflamação do órgão. O rim órgão por começar a falhar e foi removido 271 dias após o transplante.

Tim Andrews afirmou que o transplante lhe deu “esperança” e poupou-lhe meses de internamento para fazer hemodiálise. “Senti-me revigorado e revitalizado. Foi um milagre. A magnitude do que estes médicos e enfermeiros realizaram é inacreditável e quero agradecer-lhes por me terem dado uma nova oportunidade de vida”, afirmou o homem, segundo um comunicado publicado nas redes sociais do Massachusetts General Hospital, em Boston.

A equipa do hospital em Boston considera que este trabalho demonstra que os órgãos de porco podem ser usados como uma “ponte” enquanto os doentes aguardam por um transplante humano.

https://observador.pt/2024/03/21/primeiro-transplante-de-um-rim-de-porco-para-um-paciente-vivo-nos-estados-unidos/

Os porcos são considerados os animais mais adequados para este tipo de transplante, uma vez que os seus órgãos têm aproximadamente o tamanho certo e existe já uma longa experiência na sua criação. No entanto, os animais têm de ser submetidos a modificações genómicas para “humanizar” os seus órgãos, relatou a BBC.

“Estamos a trabalhar arduamente para dar esperança aos doentes e acreditamos firmemente que o xenotransplante (utilização de órgãos de outras espécies em seres humanos) pode ser uma alternativa para quem não tem um dador vivo, permitindo, potencialmente, evitar a diálise e avançar diretamente para um transplante”, afirmou Leonardo Riella, investigador do Centro de Ciências de Transplantes do Mass General Brigham, do Massachusetts General Hospital, citado pela emissora.

Os médicos e investigadores estão a explorar a utilização de órgãos de outras espécies em seres humanos, numa tentativa de responder à escassez de órgãos disponíveis para transplante. Nos Estados Unidos, cerca de 100 mil pessoas aguardam por um transplante renal, enquanto são realizados apenas cerca de 25 mil por ano. Em 2025, foram realizados 525 transplantes deste órgão em Portugal.