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Faturaram mais de 400 milhões, investiram 247 milhões e cada um cumpriu a sua estratégia: como foi o mercado dos "grandes"

FC Porto fortaleceu a base, Sporting iniciou um novo ciclo, Benfica moldou plantel à imagem do novo treinador: os objetivos do mercado dos "grandes", com mais de 600 milhões entre entradas e saídas.

Bruno Roseiro
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O mercado fechava oficialmente esta sexta-feira, o mercado fechou oficiosamente na passada terça-feira. Aí, todas as últimas mexidas nos plantéis dos três principais candidatos ao título, fosse nas entradas, fosse nas saídas, ficaram fechadas. Ainda houve outras movimentações, como a venda do médio encarnado Rafael Luís aos turcos do Gençlerbirligi, mas o principal estava feito. Resumo: esta foi outra janela de mercado bastante profícua para as contas de FC Porto, Sporting e Benfica, com mais de 400 milhões de euros em cedências definitivas ou por empréstimo, mas envolveu também montantes de 247 milhões em contratações com o objetivo de ir ao encontro daquilo que era desejado por cada um dos seus treinadores.

Cada “grande” tinha a sua estratégia, cada “grande” cumpriu a sua estratégia. No caso do FC Porto, Farioli conservou toda a base que foi campeã na última temporada mas passou a contar com mais opções, algo visível sobretudo nos jogadores de corredor central e avançados centro (todos obedecendo a um perfil mais físico, outra das imagens de marca dos dragões). Já o Sporting assumiu um “novo ciclo” na sequência de uma época sem títulos e com a derrota na final da Taça de Portugal frente ao Torreense, batendo o recorde de vendas do clube mas fazendo também um investimento acima dos 120 milhões de euros em dez reforços. Por fim, o Benfica, mesmo tendo um início de época oficial “retardado” pelo impasse em torno de Mourinho mas “antecipado” pelas qualificações da Liga Europa, procurou adequar o plantel às ideias do novo técnico, Marco Silva, não mexendo muito na estrutura mas contratando de forma cirúrgica e com maior critério.

FC Porto. Ali Mora o “três em um” desejado: manter titulares, reforçar base e receber mais

Uma das grandes dúvidas em torno do mercado de transferências do FC Porto passava pela capacidade (ou não) de aguentar o investimento recorde feito na temporada transacta, quando a SAD azul e branca superou a barreira dos 100 milhões de euros em reforços para dar uma nova “base” a Francesco Farioli. Havia uma dependência financeira dos resultados, ainda para mais depois de uma época em que os dragões voltaram a jogar a Liga Europa, mas a parte desportiva não falhou, com a conquista do Campeonato e respetivo regresso à Liga dos Campeões. Mais: apesar de alguns jogadores terem entrado na montra do mercado, os portistas conseguiram aguentar todos os habituais titulares e passaram para a segunda fase: reforçar opções.

Além de ter assegurado a continuidade de Jakub Kiwior acionando a cláusula de compra com o Arsenal, o FC Porto encontrou em In-beom Hwang uma solução low cost segura para o meio-campo, voltou a garantir o empréstimo de Fofana para dar outro músculo ao corredor central e trouxe os desejados avançados que irão competir entre si até novembro, altura em que Samu vai regressar de uma lesão grave no joelho: André Silva, de volta ao Dragão 12 anos depois após terminar contrato com o Elche, e Santi Giménez, número 9 que fez dois anos e meio fabulosos no Feyenoord antes de não vingar em San Siro. A eles juntaram-se mais um lateral esquerdo, Souza (até pela lesão de Zaidu na recente deslocação a Viseu), e outro elemento de características ofensivas capaz de fazer todas as principais de apoio à unidade mais adiantada, Gabriel Mec.

Para contrabalaçar tudo, numa operação que criou uma certa nostalgia no FC Porto, Rodrigo Mora acabou mesmo por sair depois da “ameaça” no último verão quando o Al-Ittihad tentou levar o jovem jogador. Por um lado, Mora sabia que dificilmente chegaria a um patamar de titular indiscutível dentro de uma ideia de jogo pouco talhada para as suas características. Por outro, a possibilidade de assumir a primeira aventura no estrangeiro jogando numa equipa competitiva e que luta pelos lugares cimeiros de uma Big Five tornou o cenário ainda mais aliciante. Por fim, mesmo sabendo que era o principal símbolo da formação e que não dera nem metade do que todos acharam sempre que daria, a SAD azul e branca assumiu que esta seria a hora da saída. As juras de amor foram mútuas, o respeito imperou – e foi essa operação, a par da saída de Deniz Gül para a Turquia, que fez com que o saldo final entre compras e vendas ficasse positivo.

Os primeiros encontros oficiais da temporada confirmaram que Farioli pretende seguir a matriz da última temporada – e reforçá-la. O sistema tático de 4x3x3 tem adjacente um modelo e uma identidade assentes na fisicalidade do corredor central que permite estar mais perto de criar oportunidades e, em paralelo, relegar os adversários a zonas mais afastadas da baliza de Diogo Costa (com o impacto que isso tem no número baixo de golos sofridos). A isso juntou-se agora um plantel com mais capacidade e opções no meio-campo e na posição 9, com avançados com características distintas mediante aquilo que o jogo possa pedir. Se o último mercado de janeiro mostrou que André Villas-Boas está disposto a que nada falte a Farioli, com as chegadas de Fofana, Moffi e sobretudo Oskar Pietuszewski, esta janela confirmou essa “vontade”.

Contratações em 2026/27 (32,5 milhões de euros)

  • Jakub Kiwior (17 milhões, Arsenal), Gabriel Mec (11 milhões, Grémio), In-beom Hwang (4,5 milhões, Feyenoord), André Silva (custo zero, Elche), Santiago Giménez (empréstimo, AC Milan), Souza (empréstimo, Tottenham) e Seko Fofana (empréstimo, Rennes)

Saídas em 2026/27 (46 milhões de euros)

  • Rodrigo Mora (25 milhões, Roma – pode chegar aos 50 milhões), Deniz Gül (10 milhões, Galatasaray), Danny Namaso (5 milhões, Auxerre), Eustáquio (4 milhões, Swansea), Ángel Alarcón (2 milhões, Utrecht), Samuel Portugal (custo zero), Thiago Silva (fim de contrato), Luuk de Jong (fim de contrato), Karamoh (fim de contrato) e Terem Moffi (fim de empréstimo)

Plantel do FC Porto para 2026/27

  • Guarda-redes: Diogo Costa, Cláudio Ramos, João Costa e João Afonso
  • Laterais: Alberto Costa, Martim Fernandes, Zaidu, Francisco Moura e Souza
  • Centrais: Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Nehuén Pérez e Dominik Prpic
  • Médios: Alan Varela, Pablo Rosario, Froholdt, In-beom Hwang, Vasco Sousa, Fofana e Gabri Veiga
  • Alas e médios ofensivos: Pepê, William Gomes, Pietuszewski, Borja Sainz e Gabriel Mec
  • Avançados: Samu, André Silva e Santi Giménez

Sporting. O início do “novo ciclo” trouxe um recorde de vendas – e metade foi para investir

Se a estratégia do FC Porto passou por reforçar a base que trazia da última temporada, a época de 2025/26 sem títulos em Alvalade, adensada pela derrota na final da Taça de Portugal frente ao Torreense, do segundo escalão, projetou o Sporting para outro rumo: dar início a um “novo ciclo”, cortando com quase todas as ligações que ainda existiam do núcleo bicampeão para construir uma base para os próximos três/quatro anos. E, ao contrário do que aconteceu noutros períodos este século, essa ideia não surgiu por necessidade mas sim por vontade, com a SAD leonina a concluir que tinha chegado ao fim uma fase da vida do clube.

Foi isso que justificou o anormal número de saídas de nomes que era habitualmente titulares: o defesa Diomande, os médios Hjulmand, Morita e Daniel Bragança, os alas/médio ofensivos Francisco Trincão e Pedro Gonçalves (além de Geovany Quenda, que já esteve em Alvalade na última época por empréstimo). Gonçalo Inácio, Geny Catamo e Luis Suárez também viram as respetivas vendas ventiladas, por abordagens de clubes italianos e ingleses ou vontade de dar um novo rumo à carreira, mas todos acabaram por ficar, com essa perceção de que mais ausências face ao que estava ser desenhado poderia colocar em causa tudo o resto. Ao todo, só em vendas “diretas”, os leões arrecadaram 226 milhões de euros, naquele que foi o mercado com mais encaixes financeiros com alienações de passes – a que se juntaram ainda mais de 11 milhões de euros de percentagens de mais-valias de Afonso Moreira, Mateus Fernandes ou Nazinho.

Para colmatar todas essas ausências, a nova base criada foi fazendo quase substituições “diretas” mesmo com elementos que apresentam características diferentes: Ibrahima Ba para o centro da defesa; o jovem Zekri para ser a “sombra” de Maxi Araújo na lateral esquerda; Altimira, Silas Andersen, Pedro Lima e Doumbia num meio-campo onde só resistiu João Simões; Zalazar, Irakunda e Jesse Derry para reforçar as opções de apoio ao número 9 (única posição que não mexeu). Contas feitas, o Sporting procurou rejuvenescer o plantel e baixar a folha salarial investindo cerca de metade do que conseguiu faturar em vendas no verão.

As primeiras jornadas evidenciaram um período de “dores de crescimento” de quem está a começar um novo ciclo, com o empate na Amadora a funcionar como exemplo paradigmático de tropeções que podem surgir nesta fase de consolidação de processos. Ainda assim, o Sporting, que decidiu manter a aposta em Rui Borges, vai conseguindo colocar em campo uma nova filosofia e ideia de jogo dentro de um sistema tático com muitas parecenças com o que se via na última temporada e com um “reforço” que tem dado nas vistas chamado Flávio Gonçalves, que se conseguiu consolidar na equipa A verde e branca. Problema? Tudo levará o seu tempo, da assimilação de processos à procura de novas referências de liderança. E é nesse binómio tempo-paciência que vai entroncar muito do que pode ser o sucesso da aposta da SAD leonina em 2026/27.

Contratações em 2026/27 (123,2 milhões de euros)

  • Rodrigo Zalazar (30 milhões, Sp. Braga), Ibrahima Ba (21,25 milhões, Famalicão), Issa Doumbia (20,5 milhões, Veneza), Sergi Altimira (18,25 milhões, Betis), Nestory Irakunda (15 milhões, Watford), Silas Andersen (7,25 milhões, Häcken), Pedro Lima (4 milhões, AVS), Kaique Pereira (4 milhões, Palmeiras), Moncef Zekri (3 milhões, Mechelen) e Jesse Derry (empréstimo, Chelsea)

Saídas em 2026/27 (232,8 milhões de euros)

  • Geovany Quenda (50 milhões, Chelsea), Morten Hjulmand (40 milhões, Atl. Madrid), Diomande (40 milhões, Nottingham Forest), Francisco Trincão (39 milhões, Al Ahli), Pedro Gonçalves (25 milhões, Fiorentina), Alisson (16,5 milhões), Diogo Travassos (5,5 milhões, Sp. Braga), Rodrigo Ribeiro (5 milhões, Augsburgo), Kochorashvili (4,5 milhões, Sevilha), Daniel Bragança (4 milhões, Torino), Mangas (1,8 milhões, Monza) e João Virgínia (1,5 milhões, Wolverhampton) e Morita (fim de contrato)

Plantel do Sporting para 2026/27

  • Guarda-redes: Rui Silva, Kaique Pereira, Diego Callai e Francisco Silva
  • Laterais: Iván Fresneda, Vagiannidis, Maxi Araújo, Moncef Zekri e Nuno Santos
  • Centrais: Eduardo Quaresms, Zeno Debast, Ibrahima Ba e Gonçalo Inácio
  • Médios: Altimira, Silas Andersen, Doumbia, Pedro Lima e João Simões
  • Alas e médios ofensivos: Geny Catamo, Luis Guilherme, Irakunda, Jesse Derry, Flávio Gonçalves e Zalazar
  • Avançados: Luis Suárez, Ioannidis e Rafael Nel

Benfica. O “cuidado” em adequar caras novas à outra face que Marco Silva trouxe à equipa

Em termos práticos, e apesar de ter feito o último encontro oficial da temporada a 16 de maio, a nova época do Benfica começou realmente a passar à prática a partir de 8 de junho, altura em que José Mourinho foi confirmado no Real depois da vitória de Florentino Pérez nas eleições do clube e o Benfica apresentou Marco Silva como novo treinador após cinco anos no Fulham. Quer isso dizer que os encarnados não prepararam nada de 2026/27 até aí? Não, longe disso. Aliás, quando todos sabiam que Mourinho ia rumar a Madrid mas não podia haver confirmações oficiais, o técnico apresentou uma pasta com o resumo de 2025/26 e o que devia ser feito para melhorar o plantel. Foi isso que o clube da Luz tentou fazer… à imagem do sucessor.

Kaminski foi um exemplo paradigmático entre preparar uma época vários meses antes ou preparar uma época em função do treinador que comanda a equipa. O polaco começou como titular nos primeiros jogos da qualificação da Liga Europa mas, após Prestianni cumprir castigo e Schjelderup estar de regresso à ação, deixou de entrar nas contas (Marco Silva faz questão de defender o jogador mas o polaco, que custou 17 milhões, tem pouca margem no atual plantel). Em tudo o resto, percebeu-se que existiu esse “cuidado” em adequar o perfil das contratações à ideia do técnico, o que justifica chegadas de nomes como Lenglet para liderar a defesa, Palhinha para dar ordem no meio-campo ou Jhon Durán para ser a “sombra” de Pavlidis.

Apesar de não contar com a presença na Liga dos Campeões, o que garante sempre um “bolo” acima dos 50 milhões de euros, o Benfica tentou equilibrar o saldo entre compras e vendas sem inferiorizar a base de um plantel que já perdera Nico Otamendi. Assim, Dedic e António Silva, vendidos para Inglaterra por mais de 60 milhões de euros, foram as principais alienações num montante total que já contava com 54 milhões de euros de Kökçü e Florentino Luís, que saíram na última época (a maior parte de Sudakov também só foi paga agora). No fecho do mercado, perante as posições ainda em aberto, El Karouani e Echeverri chegaram por empréstimo, com Richard Ríos a sair numa cedência temporária para a Arábia Saudita.

Em anos recentes, o Benfica já realizou montantes superiores de vendas e já teve investimentos superiores no reforço da equipa do que aconteceu agora em 2026/27. Assim, o mercado serviu em primeira instância para dar a Marco Silva as “armas” para lutar pelo título, como aconteceu com João Palhinha e a rábula dos 14 milhões (mais cinco milhões de objetivos) pagos ao Bayern como custo ou investimento. E, mesmo tirando jogadores que também jogam pela equipa B como Miguel Figueiredo, Gonçalo Moreira, Jaden Umeh ou Anísio Cabral, o plantel dos encarnados ficou com pelo menos duas opções por posição adaptadas ao sistema de jogo e à identidade que o novo técnico tem vindo a implementar desde que chegou à Luz.

Contratações em 2026/27 (91,35 milhões de euros)

  • Sudakov (20,25 milhões, Shakhtar), Alessandro Circati (18 milhões, Parma), Kaminski (17 milhões, Colónia), João Palhinha (14 milhões, Bayern), Enzo Barrenechea (12 milhões, Aston Villa), Jhon Durán (empréstimo de 6,1 milhões, Al Nassr), Gabriel Índio (4 milhões, Botafogo), Lenglet (empréstimo, Atl. Madrid), Souffian El Karouani (empréstimo, Al-Qadisiyah) e Echeverri (empréstimo, Manchester City)

Saídas em 2026/27 (128,4 milhões de euros)

  • Amar Dedic (35 milhões, Newcastle), Orkun Kökçü (30 milhões, Besiktas), António Silva (25 milhões, Bournemouth), Florentino Luís (24 milhões, Burnley), Sidney Lopes Cabral (7 milhões, Trabzonspor), Richard Ríos (empréstimo de 4 milhões, Al-Ittihad), Ivanovic (empréstimo de 2,5 milhões, Lens), Nico Otamendi (fim de contrato) e Henrique Araújo (custo zero, Casa Pia)

Plantel do Benfica para 2026/27

  • Guarda-redes: Samuel Soares, Trubin e Diogo Ferreira
  • Laterais: Alexander Bah, Banjaqui, Samuel Dahl, Souffian El Karouani e José Neto
  • Centrais: Tomás Araújo, Lenglet, Alessandro Circati e Gabriel Índio
  • Médios: João Palhinha, Enzo Barrenechea, Manu Silva, Leandro Barreiro, Miguel Figueiredo e Aursnes
  • Alas e médios ofensivos: Rafa Silva, Prestianni, Sudakov, Echeverri, Lukebakio, Gonçalo Moreira, Kaminski, Bruma, Jaden Umeh e Schjelderup
  • Avançados: Pavlidis, Jhon Durán e Anísio Cabral