Na política, é muitas vezes mais fácil prometer quando não se tem a responsabilidade de governar.
Há sempre margem para aumentar um apoio, reforçar um subsídio, criar uma nova gratuitidade ou reduzir uma taxa. Cada proposta, vista isoladamente, parece generosa, justa e difícil de contestar.
Quem pode ser contra ajudar mais?
Quem pode ser contra pagar menos?
É precisamente por isso que estas propostas são politicamente tão tentadoras.
O problema começa quando são apresentadas sem que se façam contas. Se aumenta a despesa e diminui a receita, onde se vai buscar o dinheiro?
A resposta acaba quase sempre por conduzir à mesma fonte, o dinheiro dos contribuintes.
É fácil propor mais apoios quando não se tem de decidir de onde vem o dinheiro. É fácil defender uma redução de receitas quando não se tem de garantir o pagamento dos serviços, a manutenção dos equipamentos ou o funcionamento diário das instituições.
Quem apresenta a proposta recolhe o aplauso. Quem governa fica com a obrigação de equilibrar as contas.
Não há nada de errado em propor o aumento de um apoio ou a redução de uma taxa. Uma medida pode ser justa, necessária e financeiramente sustentável.
Reduzir impostos e taxas pode e deve ser um objetivo político. Mas uma redução responsável deve resultar de ganhos de eficiência, da eliminação de desperdício, da diminuição de despesas desnecessárias ou de uma avaliação fundamentada das necessidades financeiras da instituição.
Não deve resultar apenas de uma percentagem escolhida por ser fácil de comunicar ou por produzir um bom título.
O que não é sério é apresentar apenas a parte agradável de uma decisão e omitir as suas consequências.
Não existe uma solução mágica em que todos recebem mais, todos pagam menos e nada deixa de ser feito.
A política responsável começa precisamente onde termina a promessa fácil.
Começa quando se pergunta:
Quanto custa?
Quem paga?
Que receita compensa a redução proposta?
Que despesa terá de ser reduzida?
Que serviço poderá ficar comprometido?
E, sobretudo, teria quem apresenta a proposta coragem para a executar se tivesse a responsabilidade de governar?
Governar é escolher. Fazer oposição com responsabilidade também deve ser.
Uma oposição séria não existe apenas para contrariar quem governa. Existe para fiscalizar, questionar, apresentar alternativas e melhorar as decisões públicas.
Mas apresentar uma alternativa implica explicar as suas consequências.
Há uma diferença profunda entre anunciar uma proposta e tomar uma decisão. Uma decisão obriga a estabelecer prioridades, assumir consequências e explicar aos cidadãos por que razão nem tudo pode ser feito ao mesmo tempo.
O dinheiro público é o dinheiro de todos. Deve, por isso, ser tratado com ainda mais responsabilidade do que o dinheiro privado, não com menos.
Exigir essa responsabilidade não significa ser contra os apoios sociais, contra as associações ou contra a redução de impostos e taxas.
Significa defender que cada medida deve ser fundamentada, quantificada e acompanhada por uma explicação honesta sobre a forma como será financiada.
Uma oposição responsável não se limita a dizer o que gostaria de oferecer. Apresenta propostas completas.
Não diz apenas que é preciso gastar mais. Explica de onde vem o dinheiro.
Não diz apenas que é preciso cobrar menos. Esclarece o que será ajustado para compensar a perda de receita.
Não apresenta escolhas políticas como se fossem gratuitas.
O populismo começa quando se apresentam benefícios sem custos, direitos sem deveres e soluções sem escolhas.
Fala-se como se o dinheiro público não pertencesse a ninguém, quando, na realidade, resulta do esforço de quem trabalha, produz, investe e paga impostos.
É sempre mais agradável fazer promessas do que explicar limites. É mais fácil tentar agradar a todos do que admitir que os recursos são finitos.
Mas a política não deveria ser uma competição para saber quem promete mais.
Deveria ser um exercício de responsabilidade, seriedade e respeito por quem paga.
Ficar bem na fotografia é fácil. Basta anunciar aquilo que todos gostariam de ouvir.
Difícil é apresentar a conta, explicar quem a paga e assumir aquilo que poderá ter de deixar de ser feito.
Ser populista com o dinheiro dos outros é fácil.
Ser responsável com o dinheiro de todos é que exige coragem.