A Casa Branca lançou dois videojogos que retratam a deportação de imigrantes ilegais, justificando que estes jogos destacam “o contraste entre uma cultura divertida e vencedora e a visão socialista sombria dos democratas” para os Estados Unidos.
Um primeiro jogo online, disponível desde quinta-feira no site oficial da presidência norte-americana, é inspirado no clássico “Snake”, adotando os seus gráficos antiquados.
O jogador deve orientar uma personagem que representa Tom Homan, o principal conselheiro de imigração do Presidente Donald Trump, e reunir o maior número possível de pessoas que atravessaram ilegalmente o Rio Grande, na fronteira com o México, para depois as deportar.
Outro jogo lançado na quinta-feira pela Casa Branca, baseado no famoso ‘Tetris’, consiste na construção de um muro na fronteira com o México, uma das principais bandeiras de Trump. O jogo chama-se “Proteja a Fronteira da Horda que se Aproxima”.
Outros jogos no site da Casa Branca focam-se em bandeiras presidenciais, como os monumentos de Washington, refeições escolares e contas bancárias criadas para crianças.
O governo de Trump, que fez do combate à imigração ilegal uma das suas principais bandeiras na vitoriosa campanha às eleições de 2024, vangloria-se frequentemente da dureza com que estes indivíduos são tratados e deportados.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) divulgou recentemente um vídeo que mostra a deportação de imigrantes haitianos algemados, depois de Washington ter revogado um estatuto que lhes permitia permanecer legalmente no país.
O vídeo, com música de fundo, foi considerado degradante e racista pelos opositores de Trump. O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou ter detido um número “recorde” de quase 51 mil imigrantes indocumentados em agosto.
A estratégia de comunicação da Casa Branca emprega abertamente o princípio do “trolling” nas redes sociais, que consiste em disseminar conteúdo provocatório para gerar indignação e, com probabilidade, tornar-se viral.
Amérika García Grewal, codiretora da ONG Frontera Federation, afirmou à AFP que os criadores dos jogos sobre deportações “perderam de vista o que significa ser humano e preocupar-se com os outros”.
“Isto causa-me nojo. Brincaram com a vida das pessoas durante anos e agora estão a fazer um videojogo sobre as suas ações”, disse à AFP a responsável da ONG com sede no Texas.
A política de deportações maciças é uma das poucas que está alinhada com o rumo traçado pelo Presidente republicano.
As medidas na economia e na diplomacia estão a ser negativamente avaliadas pelos norte-americanos à medida que se aproximam das cruciais eleições intercalares em novembro, em que estará em jogo o controlo do Congresso.
[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]