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BPI sai de Angola com venda da participação no BFA por pelo menos 388,5 milhões de euros

O BPI chegou a acordo com a Congolian Financial para a venda da sua participação no banco angolano BFA, anunciou a instituição liderada por João Pedro Oliveira e Costa.

Alexandra Machado
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O BPI chegou a acordo para vender a participação de 33,35% que detém no banco angolano BFA, anunciou a instituição liderada por João Pedro Oliveira e Costa.

Em comunicado, o banco português, detido pelo espanhol CaixaBank, indica que o comprador será a Congolian Financial (CFSA), uma sociedade ligada ao grupo Carrinho, empresa ligada ao agronegócio.

A venda está dependente de algumas condições, incluindo a não oposição do Banco Nacional de Angola, a confirmação pela Comissão de Mercados de Capitais Angolana da inexistência de dever de lançamento de oferta pública de aquisição (OPA) e ainda do não exercício pela Unitel — maior acionista do BFA — do direito de preferência que tem sobre essas ações.

No caso da OPA, embora a Congolian Financial já tenha sido acionista do BFA foi comunicado, em janeiro deste ano, que o grupo Axios tinha adquirido a participação que a CFSA detinha no banco. Com a compra à Congolian, a Axios ficou com 9,85% do BFA. O Jornal de Negócios noticiou, em junho, que a transação tinha, afinal, sido uma transferência, e não uma venda, para reunir numa única entidade posições que tinham vários titulares. Só que nesse caso a posição da Congolian sairá reforçada com a compra da posição do BPI.

O BPI indica que o acordo estabelece o pagamento em duas tranches pré-determinadas, no total de 388,5 milhões de euros (uma primeira de 345 milhões na data da transação e uma outra, diferida, de 43,5 milhões), podendo haver lugar a uma tranche variável diferida “correspondente a metade do dividendo do BFA de 2026 que seja atribuído a estas ações”. O diferimento em ambos os casos é até maio de 2027.

O BPI tinha inscrito no balanço, de junho, um valor de 379 milhões de euros para a participação no BFA, tendo passado a adotar o registo pelo justo valor. Numa base proforma referente a 30 de junho de 2026, a transação teria um impacto positivo nos capitais próprios do BPI de 9 milhões de euros.

O BPI tem 33,35% no BFA depois de ter vendido, numa oferta pública de venda, no ano passado 14,75% com um encaixe de 103 milhões de euros. Foi o BPI que constituiu o BFA em 2002, tendo ficado maioritário até 2017, com 50,1%. A Unitel tinha os restantes 49,9%. Em 2017, a compra por parte da Unitel de 2% ao BPI do BFA tornou a operadora de telecomunicações angolana na maior acionista, estatuto que manteve depois da OPV de setembro, mas já com menos de 50%. A Unitel tem hoje 36,9%.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]