Um ano de liderança. Chegado a Portugal na época passada, Francesco Farioli cumpriu esta semana um ano sem sair do primeiro lugar do Campeonato Nacional. Depois de ter dominado a principal competição interna na última temporada, o italiano tem feito o mesmo com o FC Porto em 2026/27, chegando ao jogo com o Moreirense com 32 vitórias em 38 jornadas e um notável registo de 100 pontos em 114 possíveis alcançado numa visita a Viseu que se esperava mais complicada do que realmente foi, dado que os portistas conseguiram facilitar a sua tarefa com uma primeira parte de luxo que se explica pelo capítulo da eficácia (3-0). Depois do intervalo, Farioli juntou a equipa e baixou o bloco como tanto gosta e, apesar de ter terminado com menos posse de bola, não concedeu grandes oportunidades de perigo ao Académico de Viseu.
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Com o fecho da janela de transferências aprazado para esta sexta-feira, o campeão nacional voltou ao Dragão com o plantel fechado. Na última semana, o clube liderado por André Villas-Boas aproveitou para arrumar a casa com a venda de Deniz Gül para o Galatasaray, por dez milhões de euros, e as contratações de Santiago Giménez, João Souza e Gabriel Mec, os dois primeiros por empréstimo de AC Milan e Tottenham, respetivamente, e o último a troco de 11 milhões. Ainda assim, o avançado brasileiro não conta, para já, para Farioli, que o preteriu deste jogo e da inscrição na Liga dos Campeões, ao contrário do que fez com o ponta de lança mexicano e o lateral brasileiro, até porque Zaidu Sanusi é baixa por lesão. Para lá do lateral, que se lesionou em Viseu, Vasco Sousa, André Miranda, Oskar Pietuszewski e Samu Aghehowa continuam no boletim clínico portista.
Ficha de jogo
FC Porto-Moreirense, 2-1
5.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: António Nobre (AF Leiria)
FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa (Nehuen Pérez, 90’), Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Francisco Moura (Martim Fernandes, 64’); Pablo Rosario, Victor Froholdt (Seko Fofana, 90’), Gabri Veiga (Hwang Inbeom, 64’); William Gomes (Borja Sainz, 75’), Pepê e André Silva (Santi Giménez, 75’)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Costa; Dominik Prpic, Alan Varela, João Souza e Duarte Cunha
Treinador: Francesco Farioli
Moreirense: André Ferreira; Dinis Pinto (Leandro Santos, 90+3’), Gilberto Batista, Maracás, Francisco Domingues, Landerson (Tiago Andrade, 75’); Manuel Mendonça (Rodri Alonso, 67’), Nile John (Mateja Stjepanovic, 67’), Guilherme Liberato, João Veloso (Kiko Bondoso, 75’); Alexandre Duville-Parsemain (Yan Lincon, 79’)
Suplentes não utilizados: Wanderson Santos; Kevyn Souza, Álvaro Martínez, Janderson e Afonso Vieira
Treinador: Vasco Botelho da Costa
Golos: Dinis (20’), Bednarek (37’) e William (58’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Veloso (44’) e Dinis (68’), vermelho a Henrique Monteiro (diretor executivo FC Porto, 39’), Bruno Pinto (adjunto Moreirense, 39’) e Liberato (85’)
“Moreirense? É uma equipa com mentalidade ofensiva. Organiza-se bem no relvado e cresceu muito com o Vasco Botelho da Costa. Exige-nos atenção e o espírito certo. Manutenção dos mais utilizados? É crucial. Os jogadores sabem como penso e como olho para o dia a dia no Olival, e isso facilita o trabalho. Os processos são mais rápidos. Quando estamos muito tempo com as mesmas pessoas, há o risco de entrarmos em piloto automático. Até agora temos evitado isso e mantemos a mesma fome competitiva. Agora o desafio é também integrar os reforços, que vêm de outras realidades. Só o Souza é teve 45 minutos de jogo na pré-época. O Santi estava afastado do plantel do AC Milan há bastante tempo e só agora está integrado neste tipo de trabalho. Temos de trazê-los para o nível dos restantes. Vai ser um trabalho exigente, com jogos de três em três dias e uma paragem para as seleções, pelo que não será um processo natural. Será um processo exigente”, assumiu o italiano na antevisão ao duelo que abriu a quinta jornada da Primeira Liga.
Quanto aos cónegos que, com Vasco Botelho da Costa ao leme, terminaram o último Campeonato no sétimo lugar, a 16 pontos dos lugares europeus, houve um processo de reformulação nas últimas semanas. Nas três primeiras jornadas, o Moreirense conheceu todos os resultados, tendo empatado na receção ao Sp. Braga (2-2), perdido em Arouca (0-4) e vencido o Casa Pia em Rio Maior (1-0). Pelo meio viu adiada a receção ao Benfica para a próxima quarta-feira. “Vamos estar muito tempo a defender. Não é do que mais gostamos, mas também é o que nos tem acontecido muito nesta época. A parte mais difícil de trabalhar é a ofensiva e sinto que a equipa ainda está um bocadinho atrás daquilo que queremos. Com o FC Porto vamos ter momentos em que temos de dar as mãos para defender a nossa baliza. O FC Porto pressiona de forma muito agressiva. Esse tipo de pressão também gera espaços e eventuais desequilíbrios”, disse o treinador de 37 anos.
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Forçado a mexer no lado esquerdo da defesa por conta da lesão do internacional nigeriano, Francesco Farioli ficou-se por essa mudança e, em parte, surpreendeu com a titularidade de Francisco Moura, que ainda não tinha somado minutos na nova época e esteve para sair nesta janela de transferências, mas ainda está a tempo de ganhar nova vida de dragão ao peito. Como prometido pelo italiano, os reforços Santi Giménez, João Souza e Seko Fofana estrearam-se no banco de suplentes. No Moreirense, Vasco Botelho da Costa optou por manter o onze que superou o Casa Pia, alinhando em 4x2x3x1 — 5x4x1 sem bola, com Landerson a baixar — com João Veloso a funcionar como elemento híbrido, ora como segundo avançado, ora como terceiro médio. Destaque ainda para a titularidade de Francisco Domingues, o herói de Rio Maior com um grande golo de letra.
Como seria de esperar, o FC Porto começou com mais bola e instalado no meio-campo de um Moreirense que se mostrou seguro a defender com o bloco baixo e compacto, e a apostar nas transições rápidas. Com o ataque descoordenado, a primeira ocasião de perigo acabou por nascer de um duelo físico de Alberto Costa, que cruzou para a entrada da área, onde Pablo Rosario apareceu a rematar colocado para a primeira intervenção de André Ferreira (7′). Contudo, o jogo acabou por mudar a partir daí, com os cónegos a aproveitarem as falhas defensivas do campeão nacional. A ameaça inicial nasceu num mau passe atrasado de Gabri Veiga, que isolou Alexandre Parsemain, mas o ponta de lança nascido em Martinica tentou o passe para um colega e o lance perdeu-se (12′). Seguiu-se um mau alívio de Jan Bednarek e uma transição notável de João Veloso, que combinou com Landerson na esquerda e ganhou espaço para tirar o cruzamento que originou o golo do capitão Dinis Pinto (20′).
A equipa portista acabou por sentir em demasia o golo sofrido e demorou a responder, com William Gomes a cobrar um canto na esquerda para uma cabeçada perigosa de André Silva ao primeiro poste (31′). Pouco depois, Jakub Kiwior desferiu um grande passe, teleguiado, da defesa para a direita, William dominou junto à área, puxou para dentro e desferiu um remate em arco para novo voo de Ferreira (35′). Logo a seguir, o brasileiro apareceu em grande plano ao cobrar um livre na direita para o coração da área, onde Bednarek apareceu a pentear de cabeça para o golo do empate (37′). A primeira parte chegou ao fim após uns minutos finais turbulentos, com confusão nos bancos e em campo, não sem antes Gabri tentar a reviravolta com uma trivela em boa posição, mas a bola acabou nas mãos de André (45+1′).
Determinado a reverter a situação na etapa complementar, o dragão teve um arranque afirmativo e quase chegou ao golo por Pepê, mas André Ferreira defendeu o remate colocado do internacional pelo Brasil (47′). Seguiu-se nova situação de bola parada, com William Gomes a cobrar um canto para o cabeceamento de Alberto Costa, que quase aproveitou a má saída do guarda-redes formado no Benfica (51′). No lance seguinte, Nile John atrasou mal a bola, Victor Froholdt recuperou e deixou para William que, à entrada da área, desferiu um remate forte, de pé esquerdo, que tirou tinta ao poste (51′). Perspetivava-se a reviravolta e ela acabou mesmo por aparecer, com o médio dinamarquês a recuperar no corredor central e a lançar Pepê na esquerda, com o extremo a cruzar de imediato para a banda oposta, onde William Gomes apareceu completamente sozinho a fazer o 2-1 (58′).
Com o golo da vantagem vieram as primeiras substituições, com Farioli a trocar Francisco Moura e Gabri Veiga por Martim Fernandes e Hwang Inbeom, ao passo que Botelho da Costa optou por lançar Mateja Stjepanovic e Rodri Alonso nos lugares de Nile John e Manuel Mendonça. Pelo meio, Alberto Costa subiu pela direita e cruzou para o primeiro poste, André Silva falhou o desvio e, depois de mais um grande corte de Dinis Pinto, Froholdt desviou para fora (67′). Pouco depois, o internacional português soltou-se novamente na área, mas André Ferreira impediu-lhe o golo (69′). À entrada para a reta final, Santi Giménez estreou-se, entrando para o ataque a par de Borja Sainz, ao passo que Tiago Andrade voltou ao Dragão, entrando juntamente com Kiko Bondoso. Depois de Yan Lincon ter saltado para o ataque, Alberto apareceu a finalizar à entrada da área, mas para fora (81′). Na resposta, o brasileiro recém-entrado recebeu na área, rodou e atirou para fora (83′).
Os cónegos continuaram a crescer na parte final e, num lance aparentemente inofensivo, Dinis Pinto voltou a aproveitar a passividade defensiva, desferindo um remate colocado que esbarrou num grande voo de Diogo Costa (85′). A reação minhota acabou por desaparecer com a expulsão de Guilherme Liberato, num lance bastante aparatoso com Victor Froholdt, que levou uma cotovelada na face do brasileiro e saiu de maca e com uma proteção facial (90′). Para o lugar do dinamarquês entrou Seko Fofana, com Farioli a aproveitar para fazer a sexta substituição, colocando Nehuen Pérez no lugar de Alberto. Na compensação, Giménez tentou o golo a todo o custo, mas André continuou em forma com mais duas belas defesas (90+2′ e 90+6′).
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