1 São coisas completamente diferentes. Uma é o multiculturalismo outra a integração. O multiculturalismo, por sua vez, é moderado ou esquerdista. O primeiro quis e quer abrir as portas das sociedades europeias aos imigrantes, designadamente aos oriundos do próximo oriente e aos africanos. A ideia era construir uma sociedade aberta e enriquecida pelo contributo do trabalho dos imigrantes bem como de mundividências e culturas diferentes em pacífica coexistência. Foi essa a bem sucedida aposta dos países do norte da Europa a partir da década de sessenta do passado século. Valeria o reino da diversidade logo acompanhada pela integração. É esta a visão do multiculturalismo que nos chegou pela mão da chanceler Merkel e de outros.
Mas distingue-se deste o multiculturalismo esquerdista. Este não quer fazer coexistir nada. O que quer é achincalhar a herança cultural do ocidente, a pretexto de imperialismo, racismo, fascismo, etc…, e subjugá-la a tudo quanto vier de fora. Nem sequer quer aproveitar seja o que for da herança ocidental. Quer é simplesmente destruir, não coexistir. É este o multiculturalismo esquerdista sobre o qual já aqui me pronunciei. É este que vive no nosso país pela mão de muitas organizações activas, do jornalixo que temos e de partidos políticos até com assento parlamentar.
Para ele a cultura ocidental é nefasta, os autores ocidentais são todos fascistas e racistas (e insuportavelmente brancos), os estados europeus devem indemnizar os países que foram colonizados, devem ser restituídos todos os bens de origem colonial, propósito que defendia inexplicavelmente (para não dizer outra coisa) um ex-presidente, devem ser destruídos todos os monumentos alusivos à expansão colonial, devem ser dadas preferências aos alunos oriundos daqueles países no acesso ao ensino superior, deve ser permitido e quicá incentivado o uso da burka em espaços públicos, como defendiam ainda há pouco nos jornais determinados cretinos, deve ser ensinada a religião islâmica nas escolas, atribuídos vultuosos subsídios públicos à construção de mesquitas, proibido o culto cristão em sítios públicos, de modo a não ofender os não cristãos, ao mesmo tempo que o culto destes deve ser estimulado, proibida a celebração do Natal, mas incentivada a do Ramadão, proibida a invocação do nome de Deus aos cristãos mas admitir que os muçulmanos invoquem o nome de Alá quando quiserem, fechar o santuário de Fátima, tornar obrigatória para os hospitais públicos e privados, a pedido, a castração sexual feminina, legalizar a poligamia, permitir o casamento infantil, acabar com a obrigatoriedade de frequentar a escola para não escandalizar os ciganos, etc… O esquerdismo chama a isto «solidariedade», sem levar em conta que a solidariedade com uns equivale a martirizar a maioria.
O multiculturalismo esquerdista não é islâmico. Serve-se é do islamismo, que é em si, note-se, uma religião admirável, não para construir a convivência e a espiritualidade mas para atacar a cultura europeia. As primeiras vítimas do esquerdismo multiculturalista são os próprios islamitas. Tenho falado com muitos que têm, avisadamente, esta opinião. O esquerdismo serve-se do Islão apenas com aquele propósito destruidor. Podia ter sido outro pretexto qualquer, tudo servia, desde que o objectivo fosse o mesmo. Se Horkheimer e até Marcuse soubessem que a sua «teoria crítica» do capitalismo ia ser o pretexto, muito depois da morte deles, para promover o jihadismo contra a cultura ocidental e europeia e o antisemitismo achavam que estava tudo doido e se o próprio Marx, convicto defensor do racionalismo europeu e inimigo figadal da (qualquer uma) religião, soubesse que a sua tão amada «consciência de classe do proletariado» ia ser substituída por um vago jihadismo radical apoiado por uns suburbanos depressivos, cheios de tatuagens, daria por mal empregue tanto esforço.
2 Evidente é que o multiculturalismo esquerdófilo deu mau resultado. Nem vale a pena explicar porquê. Toda a gente sabe. Vistas as coisas de um ponto de vista estritamente económico, para não apontar agora os outros, o resultado é este: chegam cá resmas de imigrantes sem qualificações e sem falarem português, mal pagos e de baixíssima produtividade e saem anualmente os jovens mais qualificados de sempre do nosso país, jovens estes em que o contribuinte português tanto dinheiro investiu. Havemos de ir longe. E não é que aparecem uns patetas, alguns até padres, a dizer que isto é xenofobia e racismo? A estupidez humana não tem limites.
Outra coisa completamente diferente é a integração. Esta aposta não na subserviência do modo de vida e dos valores próprios dos países de acolhimento à específica cultura dos oriundos de outros países mas sim à adaptação destes aos valores mínimos e à ordem constitucional dos países que os acolhem. Esta adaptação não tem de ser máxima. Basta que se fique pelo mínimo, de modo a gerar a convivência possível, mas tem de haver adaptação.
Integração dos imigrantes? O esquerdismo português e estrangeiro nem quer ouvir falar nisso. Perdiam logo audiência e potenciais apoios. Quanto mais isolados os imigrantes islâmicos estiverem, melhor.
3 Os portugueses de origem, brancos ou não, não têm dívidas históricas para com ninguém nem têm de expiar culpas que não são deles. Não têm de prescindir de um modo de vida que deu frutos desde há muitas gerações para se submeterem a critérios estranhos e até extravagantes. Não são culpados de nada. Quem disser o contrário é apatetado. Depois de cinquenta anos de independência a situação política e social nos países que foram por nós colonizados não melhorou, pelo contrário e a situação de muitos países islâmicos é caótica. A culpa é nossa? Esta tendência para o remorso e o arrependimento deve ser um último vestígio da influência católica, creio eu, na cabeça dos radicais esquerdistas, mas é insuportável, sobretudo quando estimulada por quem tinha a obrigação de não ser pateta.