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Weimar: o terror na cidade histórica na véspera do Terceiro Reich

Entre a glória, a ambição e o pesadelo: o Observador faz a pré-publicação de um excerto do mais recente livro de Katja Hoyer, "Weimar: A Vida à Beira da Catástrofe", a publicar a 7 de setembro.

Observador
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Situada no estado de Turíngia, a cidade de Weimar ficaria para sempre associada ao regime político que sucedeu ao período imperial pós-unificação e precedeu o Terceiro Reich nazi. Mas mais do que ficar no coração da Alemanha, esta localidade ficou no coração da história europeia pelo papel central que teve no rumo do Velho Continente.

Em Weimar, a historiadora germano-britânica Katja Hoyer traça o papel que a cidade teve desde 1919, quando nela nasceu uma república democrática marcada pela instabilidade política, até 1939, quando rebentou a Segunda Guerra Mundial, conflito espoletado por um regime fascista que consolidou o seu poder no mesmo local que foi o lar de Goethe e Nietzsche.

Para contar esta história, a investigadora visitante no King’s College de Londres e membro da Royal Historical Society recorreu a uma extensa pesquisa de arquivo, mas, principalmente, focou-se nas vidas de cidadãos que consideravam Weimar a sua casa. Hoyer já tinha aplicado esta estratégia em “Para Lá do Muro” — livro que recupera a história da Alemanha de Leste a partir dos seus habitantes e a propósito do qual deu uma entrevista ao Observador em 2025 quando esteve em Portugal. Antes, já tinha publicado “Sangue e Ferro”, obra que percorre a extensão do Império Alemão, da sua ascensão à sua queda.

https://observador.pt/especiais/katja-hoyer-a-ideia-de-que-a-rda-foi-como-uma-prisao-a-ceu-aberto-e-um-disparate-e-tambem-bastante-ofensivo-para-as-pessoas-que-la-viviam/

Neste excerto que o Observador revela em antemão, Katja Hoyer leva-nos para o ano de 1933, quando Adolf Hitler subiu ao poder ao tornar-se chanceler da Alemanha, dando-nos a conhecer as vidas de apoiantes e pessoas coniventes com o nazismo, dos seus opositores que iniciaram ações de resistência, de cidadãos parte da maioria silenciosa que encarou o novo regime com esperança e da população judaica que tentou adaptar-se a uma nova realidade que tinha como objetivo a sua extinção. Weimar é publicado a 7 de setembro.

Emmy Sonnemann fez uma vénia e saiu do palco. A atriz há anos que representava no Teatro Nacional Alemão. A sua vida em Weimar seguia agradáveis rotinas. Mas aquele dia não era como qualquer outro. Era o dia 29 de janeiro e a vida de Emmy estava prestes a mudar para sempre.

O seu namorado, Hermann Göring, telefonara-lhe de Berlim ao fim da tarde. Andavam a encontrar-se há alguns meses, mas era uma relação à distância. «Eu era uma atriz que via a sua profissão como uma verdadeira vocação», escreveu nas suas memórias, «e por isso precisava de liberdade para conduzir a minha vida.» Sendo um dos coadjuvantes mais próximos de Hitler, Göring mantinha o seu apartamento em Berlim, onde uma divisão inteira era dedicada à sua falecida mulher, Carin. Emmy achava aquilo «um pouco sinistro […] Centenas de pequenos objetos que lha recordavam estavam dispostos como se se tratasse de um museu». Mas também se sentia comovida com a devoção de Göring.

Quando Göring lhe telefonou nessa tarde, parecia entusiasmado. «É amanhã o dia», disse a arfar. «Adolf Hitler será o chanceler do Reich. Tens de vir absolutamente a Berlim. Vou enviar-te um carro.» Emmy mal teve tempo para fazer as malas, indo a correr do palco da sua atuação da tarde e arranjando-se o mais depressa que podia. Quando chegou a Berlim, após uma longa viagem, já era de madrugada, mas Göring tinha um favor a pedir-lhe antes de irem para a cama: «Vai ter com Hitler amanhã de manhã e leva-lhe umas flores. Ele vai gostar.» No dia seguinte, Emmy fez o que ele lhe disse. Comprou no florista o último ramo disponível e foi conduzida ao quarto de Hitler, no luxuoso Hotel Kaiserhof. Quando entrou, Hitler estava de pé junto à janela, de costas voltadas para ela, a olhar lá para fora, como se «estivesse ausente do que estava à sua volta», parecia a Emmy. Finalmente, virou-se e olhou para ela. «Estas são as minhas primeiras flores», disse, pegando-lhes com um gesto solene. «E a menina é a primeira mulher a felicitar-me.» Após uma pausa, caiu num dos seus monólogos, a esclarecer não se sabia quem sobre como provara que os que tinham duvidado dele estavam errados. Emmy sentiu que não estava ali a fazer nada, «aquele homem tinha de ficar agora só». Retirou‑se lentamente enquanto Hitler continuava a resmungar para si próprio.

Por um momento, a magnitude da forma como a sua vida iria mudar abateu-se sobre Emmy. Göring teria um lugar no governo de Hitler como Reichsminister sem pasta, Reichskommissar da Aviação e chefe do estado prussiano. Tê-lo-ia «mantido à distância se soubesse aquilo em que se tornaria?», ponderava. «Mas só conhecia uma resposta para esta pergunta: “amava-o”.» Quando viu de novo o namorado à tarde, era «uma importante personalidade de topo do Reich». Por muito apolítica que dissesse a si própria que era, sentia-se orgulhosa por ser a mulher ao lado daquele homem. Decidiu então que poderia viver com a sua política.

Göring contou a Emmy que iria haver um enorme desfile de tochas para celebrar a chancelaria de Hitler e que ele lhe reservara um quarto no Kaiserhof, de onde ela o poderia ver. Esperando problemas, possivelmente vindos do exército ou dos comunistas, deu-lhe uma pistola «para o caso de acontecer alguma coisa». Emmy olhou horrorizada para a arma. «Certamente que não fez com que ficasse mais calma.» Quando se sentou no seu quarto ao fim da tarde, ouviu o som dos tambores e os cânticos à distância. Correu para a janela e olhou lá para baixo, para as infindáveis colunas de homens a marchar em passo cerrado. Emmy assistiu ao «inesquecível, gigantesco espetáculo», enquanto as chamas lhe dançavam nos olhos. Mais tarde, disse a si mesma que «não tivera qualquer mau presságio nessa noite».

«Em Weimar, na estação», escreveu no seu diário nessa noite, «o velho bagageiro estava à minha espera com um olhar muito tímido no rosto. Aqui em Weimar as coisas estavam terríveis, a “polícia auxiliar” (SA) estava por todo o lado, ninguém se atrevia a dizer uma palavra.»

Alguns pisos abaixo de Emmy Sonnemann, Harry Graf Kessler assistia a um evento do SeSiSo Club, um grupo de influentes políticos, intelectuais e figuras públicas que se encontravam regularmente no Kaiserhof. Viu o mesmo que Emmy viu: homens de uniforme a marcharem por Berlim, mas detestou «aquele carnaval». «Quando saímos da nossa conferência», escreveu no seu diário, «uma infindável coluna de tropas SA em passo de ganso passou por alguns manda‑chuvas […] A praça inteira está cheia de basbaques.» Harry vira o suficiente. Precisava de uma bebida. De preferência, noutro sítio. Juntamente com Hans von Seeckt, um dos três fundadores do SeSiSo Club, dirigiu-se à cervejaria Fürstenberg Bräu, na Potsdamer Platz, para escapar, mas aí a «disposição carnavalesca estava a atingir o seu zénite». Com Tropas de Assalto por todo o lado, uma atmosfera de júbilo arruaceiro engoliu a cidade. Os homens tinham acabado de pedir bebidas quando duas jovens surgiram à sua mesa. Seeckt achou aquilo divertido e encomendou bebidas e comida para elas. Mas depressa percebeu que eram prostitutas e que não tinham intenções de abandonar a mesa «por isso acabámos por passar o resto da noite, até às duas da manhã, com aquelas duas crianças louras», escreveu Harry. Sendo gay, achou intensamente divertido ver um Seeckt «cada vez mais atrapalhado» a debater-se para mandar embora educadamente as duas mulheres que não paravam com as suas risadinhas. O homem tinha quase 70 anos, era um antigo chefe do Estado-Maior alemão e cedo viria a ser conselheiro militar do líder chinês Chiang Kai-shek. Contudo, ali estava ele, com duas trabalhadoras do sexo que lhe chamavam «avozinho». Na verdade, refletia Harry com todo o humor negro que conseguia reunir na noite em que Hitler acedia ao poder, o pouco digno espetáculo parecia um «final à altura e completamente apropriado para este dia “histórico”».

Enquanto Harry se embebedava num barulhento bar em Berlim, Carl Weirich escutava «o júbilo e a euforia do povo» em Weimar. Estava sentado no seu apartamento com Marie, ouvindo a transmissão em direto da capital. Tinha desembolsado uma boa maquia por uma telefonia Seibt no Natal de 1932, achando que seria para Wilhelm poder escutar «as muitas rubricas educativas e os programas musicais» que eram transmitidos. Por 200 marcos, não fora barata. Carl e Marie tiveram de desistir das suas aulas de música, mas valia a pena. No dia de Ano Novo tinham ouvido os sinos da igreja em Naumburg, um serviço religioso em Nuremberga e uma cantata de Bach em Leipzig.

A nova tecnologia inspirava admiração e cedo se tornou a peça central do lar familiar. Os amigos juntavam-se para ouvir certos programas, ou grandes acontecimentos que se davam muito longe. Os dois primeiros desenhos a lápis de Wilhelm foram o da sua casa no número 10 da Geleitstraße e o da telefonia da família. O pai gostava de «poder ficar a par da política». E, assim, a família Weirich ficou acordada até tarde, no «dia em que o cargo de chanceler do Reich foi assumido por Adolf Hitler».

Elisabeth Förster-Nietzsche viu Hitler passados alguns dias. Ambos assistiam a uma exibição do drama musical de Richard Wagner, Tristão e Isolda, no Teatro Nacional Alemão em Weimar, em honra do quinquagésimo aniversário da morte do compositor. Quando o líder nazi visitou a irmã de Nietzsche no seu camarote, ela garantiu-lhe que seria sempre bem recebido na Villa Silberblick. Mais tarde, ofereceu-se mesmo para lhe preparar um pequeno-almoço vegetariano. Hitler visitaria Elisabeth durante cada uma das suas estadias em Weimar, entre 1933 e 1935.

Por muitas reservas que pudesse ter, Elisabeth sabia que o poder estava agora do lado de Hitler. Não existiriam mais negociações com intermediários locais. O parlamento turíngio iria ter a sua derradeira sessão apenas duas semanas depois, a 14 de fevereiro. Em deferência para com o regime de Hitler, os nazis turíngios leram uma declaração de subordinação. Em protesto, os deputados do SPD e do KPD abandonaram a sala e os restantes votaram para adiar o parlamento estadual «indefinidamente».

Uma rápida e impiedosa mudança estava em marcha. Seguindo as mesmas reformas que Hermann Göring estava a concretizar na Prússia, a Turíngia ordenou o alistamento dos homens das SA, das SS e do Stahlhelm como Hilfspolizei, ou «polícia auxiliar», a partir de 22 de fevereiro. Sob a liderança de Sauckel, começaram a espancar, aprisionar, torturar e matar os adversários políticos. Após um ataque comunista com fogo posto ao Reichstag em Berlim, a 27 de fevereiro, o presidente Hindenburg usou os seus poderes de emergência para suspender as liberdades civis, na verdade libertando os arruaceiros nazis e a polícia das amarras da lei. A escalada foi imediatamente percetível, incluindo em Weimar, onde Harry Graf Kessler chegou de comboio na noite do dia a seguir ao do Incêndio do Reichstag.

Viera para negociar a nova hipoteca da sua casa e aquilo que encontrou foi uma cidade a que já não queria chamar o seu lar. «Em Weimar, na estação», escreveu no seu diário nessa noite, «o velho bagageiro estava à minha espera com um olhar muito tímido no rosto. Aqui em Weimar as coisas estavam terríveis, a “polícia auxiliar” (SA) estava por todo o lado, ninguém se atrevia a dizer uma palavra.»

No espaço de dias, milhares de pessoas foram presas na Turíngia e levadas sob «custódia protetora». A cadeia de Weimar tinha capacidade para 102 presidiários. Agora, albergava 117 pessoas, entre as quais 54 eram presos políticos, incluindo quatro mulheres. Temendo que a situação pudesse escalar, o procurador-geral do tribunal estadual do estado da Turíngia pediu ao ministro da Justiça para «albergar alguns dos prisioneiros políticos noutro sítio; a presente situação é insustentável». Esse «outro sítio» foi rapidamente encontrado. A 3 de março, Sauckel ordenou que os prisioneiros fossem levados para um edifício escolar localizado num aeródromo em Nohra, nos subúrbios de Weimar. Inspecionou as instalações num domingo, 5 de março, altura em que cerca de 200 pessoas tinham sido levadas para lá, incluindo cinco dos dez deputados do KPD no parlamento turíngio. Foram-lhe mostradas três grandes divisões com palha no chão para os prisioneiros dormirem e algumas mantas. As condições higiénicas eram más, já que não existiam casas de banho nem lavatórios suficientes. Os presidiários eram regularmente espancados e não tinham forma de contactar familiares ou amigos. A partir de 8 de março, os jornais começaram a chamar à prisão improvisada em Weimar-Nohra um «campo de concentração» — o primeiro na Alemanha nazi.

Em Weimar, ninguém duvidava de que os nazis pretendiam que o seu domínio fosse permanente. Houve um enorme desfile de tochas a anunciar a nova era no primeiro dia da chancelaria de Hitler. Era encabeçado por tropas das SA, das SS e da Juventude Hitleriana e a rua em que desfilou a principal marcha — uma larga avenida a sudeste do centro da cidade — cedo se passaria a chamar Straße der SA, ou Rua das SA. Quando as multidões chegaram à praça do mercado, foram saudadas por Fritz Sauckel, o qual declarou que, no futuro, seriam livres de «exercer o tipo de intolerância que não aceitava nada e que não permitia nada que fosse contra as ideias da Alemanha». Tropas das SA retiraram a placa desenhada pela Bauhaus da fachada do Teatro Nacional Alemão, que comemorava a Assembleia Nacional de 1919.

O Weimarische Zeitung anunciava exuberantemente: «Os partidos políticos são agora um adereço!» Mas isso ainda não era completamente verdade. Hitler queria uma maioria parlamentar com um verniz legal para o processo de transformar uma democracia numa ditadura. Assim, foi marcada uma eleição federal para 5 de março. Uma feroz violência contra os adversários políticos enviesou os resultados da última eleição multipartidária do país numa geração. Os nazis aumentaram a sua percentagem de votos para 43,9 por cento, mas isso ainda não constituía uma maioria. Como sempre, o número foi mais elevado em Weimar, mas com os 49,7 por cento ainda ligeiramente aquém do alvo. Notavelmente, na capital turíngia, 11,9 por cento dos eleitores mantinham-se fiéis ao KPD, apesar do encarceramento de deputados comunistas.

Poderia achar-se e sentir-se que Weimar estava muito diferente, mas a vida continuava. Rosa e Arthur Schmidt receberam Carl Weirich e os seus amigos no Hotel Hohenzollern no sábado 4 de março, véspera da eleição. Os seus hóspedes não tinham ido discutir política, nem organizar a resistência, nem decidir o que haviam de fazer a seguir. Tinham alugado a sala para celebrar o aniversário da Associação da Cítara. Carl há anos que tocava o instrumento, mas teve de desistir das aulas para poupar dinheiro. Continuava a adorar tocar e socializar com os outros entusiastas da cítara. Rosa e Arthur tinham um negócio para gerir. Com ou sem governo nazi, continuavam a receber noites sociais, bem como reuniões mais formais, como as da Associação dos Professores da Turíngia, que se encontrou para eleger uma nova direção em abril.

O interesse de Carl pela política disparou a partir do momento em que a sua telefonia o mantinha a par dos acontecimentos. A 21 de março, sintonizou-a quando o Reichstag foi reaberto numa cerimónia em Potsdam, o antigo centro de poder dos reis da Prússia. Hitler aproveitou a oportunidade para se associar aos antigos regimes germânicos. O príncipe herdeiro Guilherme estava presente, tal como o ainda popular presidente Hindenburg, ao qual fez uma vénia com a cabeça. Carl ouvia atentamente enquanto «Hindenburg [e] Hitler falavam juntos perante a sepultura de Fr[ederico] o Gr[ande]», antes da «primeira sessão do Reichstag da parte da tarde, na Ópera Kroll», o edifício usado como substituto do parlamento incendiado. Apesar de seguir os acontecimentos diários pela rádio, para Carl a vida não era sobre política. «A loja exigia todas as nossas forças», escreveu. Naquele ano, tinha de entregar 30 mil manuais escolares de camião. Cedo o seu filho também iria precisar deles. Wilhelm iria  ser aluno da Escola Primária Herder, ali perto. Carl colou orgulhosamente uma fotografia do seu rapaz no diário, que o mostrava com o seu Zuckertüte, um enorme cone de papel cheio de doces e artigos de papelaria que as crianças alemãs recebiam de prenda no seu primeiro dia de escola. A vida continuava depois de 30 de janeiro de 1933. O novo regime de Hitler não considerava os Weirich inimigos políticos ou raciais.

Para Kurt e Heddy Nehrling, a vida tornou-se difícil. Não apenas eram ambos membros do SPD, como Kurt fazia parte da paramilitar pró-democrática Reichsbanner. Os nazis temiam a feroz resistência de pessoas como os Nehrling, por isso tentavam purgá-las do serviço público. A 18 de março, o regime turíngio decretou que os membros do SPD não podiam ser funcionários públicos. Apenas as pessoas «que nas suas opiniões políticas, nos seus trabalhos políticos e nos seus objetivos políticos estejam alinhadas com a política do governo nacionalista do Reich de Adolf Hitler». Kurt foi suspenso indefinidamente. Nunca voltaria ao seu antigo emprego.

Os Nehrling enfrentavam agora uma dura escolha: respeitarem as suas convicções e arriscarem-se a ser perseguidos, ou optarem por uma vida sossegada. Na visão do mundo racista dos nazis, não existia nada de biologicamente errado nos comunistas, socialistas e sociais-democratas alemães. Tinham simplesmente adotado a ideologia errada. Eram alemães equivocados, mas, apesar disso, alemães. Enquanto os judeus cedo seriam espoliados dos seus direitos como cidadãos, os presidiários comunistas do campo de concentração de Nohra tiveram autorização para votar nas eleições de 5 de março. Um polícia e um funcionário levaram uma urna de voto ao campo, onde todos os prisioneiros introduziram o seu voto pelo KPD, enviesando enormemente os resultados eleitorais no distrito de Nohra. Havia 172 votos comunistas, enquanto tinham sido apenas 10 na última eleição local. Os aldeãos estavam menos preocupados por terem um campo de concentração à porta do que com a interpretação errada da sua comunidade nos resultados eleitorais. «172 comunistas! Escandaloso!», vociferava uma declaração oficial no Weimarische Zeitung. «A boa e velha reputação de Nohra desapareceu!» Houve um suspiro de alívio quando foi tornado público que não tinham sido os habitantes a votar no KPD: «Assim, a questão da eleição fica suficientemente clarificada e Nohra brilha mais uma vez a uma luz pura, antiga, patriótica.»

Os presidiários do campo seriam libertados se assinassem uma declaração em que se comprometiam a «não contribuir de qualquer forma para o movimento comunista, nem fazer parte dele sob qualquer aspeto, no futuro». Quando Sauckel inspecionou a prisão improvisada, disse aos comunistas que «dói profundamente ao seu governo encarcerar trabalhadores alemães». Suspeitava de que fora apenas por causa das «políticas delirantes» dos seus predecessores que «cada vez maiores massas de pessoas se deixaram confundir». Os adversários políticos dos nazis tinham maneiras de reduzir a perseguição: podiam renunciar à sua política, refugiarem-se na sua esfera privada, ou emigrar. Os nazis compensá-los-iam com trabalho estável, férias acessíveis e, potencialmente, habitação, se se integrassem no seu sistema. Os Nehrling resolveram respeitar as suas crenças e lutar.

Não estavam sós. Muitos jovens de esquerda, em particular, estavam dispostos a resistir ao nazismo. Isto era claro para Cläre Herbst. Nascida em Weimar, era uma assistente de loja de 20 anos. Era um membro ativo da Juventude dos Trabalhadores Socialistas (SAJ), desde 1929, organizando eventos e atividades para as crianças. Quando os nazis chegaram ao poder, Cläre e o seu namorado, Heinz Adler, tentaram esconder livros incriminatórios, cartões de militante e documentos em casa da sua avó, «completamente apolítica». Cedo dois polícias surgiram no local de trabalho de Cläre e disseram-lhe que tinham encontrado os livros e que os tinham confiscado. Uma vizinha avisara a polícia.

Os polícias disseram a Cläre que mantivesse a cabeça baixa daí para a frente, mas ela continuou a assistir a reuniões clandestinas. Num desses encontros, apareceu a polícia e prendeu todos aqueles que não tinham saltado pela janela. Os detidos foram levados para a esquadra da polícia de Weimar, mas mais tarde libertados, o que sobretudo se deveu ao facto de August Frölich, o ex-líder da Turíngia, estar entre o grupo e acharem que tinha um perfil demasiado proeminente para ficar preso.

O namorado de Cläre, Heinz, também arriscou bastante na primavera de 1933. Disseram-lhe que fosse buscar armas a uma fábrica em Suhl, na Floresta da Turíngia. Conseguiu obter seis pistolas, guardando uma para si, que depois passou a Cläre. O casal sentiu-se mais tranquilo com a orientação de camaradas mais velhos, enquanto tentavam despistar um aparelho de segurança cada vez mais impiedoso e os seus espiões na cidade. Cedo se ligaram a Kurt Nehrling e ao seu amigo, Hans Eberling, um escultor de madeira e camarada da SAJ e membro do SPD. Kurt e Hans estavam prestes a estabelecer uma rede de resistência clandestina. Não havia já muitos camaradas dispostos a arriscar a vida pelos seus valores, mas aqueles que sobravam formavam um grupo fortemente unido que resolvera prosseguir, qualquer que fosse o custo.

A maioria dos judeus de Weimar fazia o melhor que podia para mostrar que eram alemães patriotas. Quando o governo nazi da Turíngia reintroduziu a bandeira preta, branca e vermelha da Alemanha imperial, em janeiro, os proprietários judeus dos armazéns comerciais Hermann Tietz, no mercado, fizeram o mesmo. Tinham orgulho em ter uma filial mesmo no coração de Weimar. A Kaufhaus Hermann Tietz estava ali desde 1887 — há quase meio século. Era absolutamente moderna, com a primeira escada rolante de Weimar. Simultaneamente, os proprietários tinham tido um grande cuidado em restaurar o exterior num estilo histórico que se harmonizasse. Claro que a Tietz desfraldou as cores imperiais quando era esperado que todos o fizessem. Era um estabelecimento respeitável e cumpridor da lei. Em vez de ficarem satisfeitos, os nazis ferveram de raiva no jornal do seu partido, dizendo que «Os judeus não devem exibir símbolos de honra». A 13 de março, tropas das SA foram enviadas para obrigar os proprietários a retirarem a bandeira.

Esta intimidação sistemática era apenas o início. O governo estava a experimentar até onde podia ir. Como noutros sítios, os nazis encontravam pouca resistência em Weimar quando atacavam proprietários de lojas judeus. Assim, três dias depois do incidente com a bandeira na Tietz, foram mais longe. Na tarde da quinta-feira de 16 de março, lançaram uma campanha de boicote contra as poucas lojas de proprietários judeus. Os homens das SA percorriam o centro da cidade com cartazes que diziam: «Os alemães compram em lojas alemãs!»

O que cedo mostrou ser não só economicamente desastroso para os negócios dos judeus, mas também profundamente doloroso. Os proprietários dos armazéns Heka, junto ao teatro, protestaram amargamente, colocando no exterior um cartaz que dizia: «Nós também somos alemães!» As SA limitaram-se a removê-lo e prosseguiram. A vítima seguinte foi Ludwig Leopold, que era dono de uma sapataria no número 15 da Rittergasse, ao virar da esquina da casa de Carl Weirich. Os Leopold eram uma comum família alemã. Exasperado por ser tratado assim, Ludwig colocou um cartaz na montra: «Só vendo produtos alemães, sou um veterano e um inválido de guerra.» Como muitos judeus alemães, acreditava que os nazis chefiavam um qualquer tipo de sistema com regras estabelecidas que honrasse a lealdade e o patriotismo. O que viria a revelar-se um equívoco fatal.

A 1 de abril, o regime levou a cabo o seu primeiro boicote a nível nacional contra os negócios judaicos. Revelou que Hitler não só podia confiar nos seus subordinados para executarem medidas repressivas, mas também no apoio tácito de maior parte da população. Harry Graf Kessler observava a situação à distância com grande alarme. Viajara para Paris há pouco mais de três semanas e não se atrevia a regressar a Berlim devido a rumores de que as SA estavam a planear visá-lo como adversário político relevante. Ao ler sobre o «repugnante boicote judeu no Reich», pensou: «Esta loucura criminosa destruiu tudo […] Não sei se hei de ter nojo ou pena destas pessoas extremamente estúpidas e más.»

O apelo ao boicote, impresso nos jornais locais, que estavam agora sob o controlo nazi, declarava que «também em Weimar, a defesa contra os judeus começou no sábado de manhã; às dez horas». No momento combinado, as tropas das SA saíram do restaurante Viktoriagarten, onde se tinham reunido, e encaminharam-se para o centro da cidade, onde ficaram à frente das lojas, com cartazes que diziam: «Vive aqui um judeu, não lhe comprem nada! Se comprarem aos judeus, serão fotografados e expostos à vergonha pública.»

Enquanto os proprietários da Tietz decidiram encerrar os seus armazéns nesse dia como medida de precaução, a Heka, na praça do teatro, manteve-se desafiadoramente aberta. À porta estava um membro das Tropas de Assalto, de máquina fotográfica em punho. Uma mulher recordou mais tarde que estava a refilar com ele: «Não me queriam deixar entrar, porque se tratava supostamente de uma loja judaica. Eu retorqui: mas os produtos não são judeus; mas mesmo  assim não me deixaram entrar.» Uma menina assistiu à sua mãe a desafiar os SA. «Ela fazia compras sempre na Heka e foi o que fez nesse dia», recordou mais tarde. Mas a mãe teve de suportar o facto de «ser fotografada quando saía da loja e ver a sua imagem exibida publicamente, como se estivesse no pelourinho».

Satisfeitos com o resultado do seu primeiro boicote antissemita coordenado, os nazis locais reuniram-se na praça do mercado em Weimar e proclamaram: «Vós, judeus na Alemanha, vós, judeus no mundo. Acreditais que sois nossos senhores. O nacional-socialismo e o seu Führer deram-nos o poder para nos tornarmos nos vossos executores.»

O boicote alcançou também os profissionais judeus: médicos, advogados, atores, toda a gente. Uma vez que não existiam nem médicos nem advogados judeus em Weimar, os nazis recorreram a notícias falsas, dizendo às pessoas para boicotarem um fictício «Dr. Etzel». Mas também encontraram alvos reais, como o colega de Emmy Sonnemann, o proeminente cantor operático Emil Fischer. Ativo na comunidade judaica e, ainda por cima, membro do SPD e do Reichsbanner, enfrentara já os nazis durante o comício nazi em Weimar em 1926, quando denunciara as suas difamações antissemitas às autoridades. Agora, eram os nazis as autoridades. A atuação de Emil nessa noite foi cancelada. Cedo começou a receber menos papéis e o seu contrato acabou por ser terminado. Sentia-se desesperado e deprimido, dizendo a um conhecido: «Sentimo-nos tão inúteis como pessoas, é terrível.»

Uma semana depois do boicote, foi promulgada uma nova lei que permitia que só os «arianos» fossem funcionários públicos, pessoas que pudessem provar que os seus pais e avós não eram «não-arianos, especialmente judeus». Uma vez que muitos alemães judeus estavam altamente assimilados, as autoridades começaram a recorrer aos registos batismais como meio de os identificar. Desta forma, três weimarianos perderam os seus empregos apesar de não praticarem o judaísmo há anos, ou mesmo nunca: Hans Basserman, professor na escola de música; Cäcilie Ledermann, professora; e o diretor musical Gustav Lewin, que se convertera ao protestantismo há mais de uma década. Gustav ficou furioso, queixando-se às autoridades: «O meu credo sempre foi alemão e nacionalista, só me senti alemão […] Ser alemão no espírito de Richard Wagner tem sido para mim um facto da vida.» Cäcilie tinha pais judeus, mas convertera-se ao protestantismo. Nascera em Weimar em 1900, frequentara a Sophienstift como muitas outras raparigas locais e, depois, tornara-se professora. Como cidadã cumpridora, aceitara a nova regra, segundo a qual os funcionários públicos, incluindo os professores, tinham de revelar a sua ascendência. Não conseguia acreditar que estava a ser despedida por causa disso, protestando que provinha de uma família que «vivia na Turíngia há décadas e que sempre se comportara positivamente em relação às pessoas e ao estado». Já demasiado velho para combater na guerra, o pai comprara cupões de guerra no valor de 60 mil marcos e servira na frente interna. No entanto, não havia quantidade de lealdade e patriotismo capaz de contrabalançar o antissemitismo visceral do novo regime.

Como Cäcilie, Rosa Schmidt descendia de dois pais judeus. Não era funcionária pública, mas os boicotes eram imensamente destruidores e, se incidissem sobre o Hotel Hohenzollern, isso poderia significar o fim do rendimento dos Schmidt. Os nazis interromperam o primeiro boicote após alguns dias, mas mais se seguiram e a repressão depressa se fez sentir, afastando empregados e clientes dos negócios judaicos. Os armazéns Tietz foram vendidos ao negociante não-judeu Kröger, passado menos de um ano.

Rosa decidiu manter um perfil discreto. Tinha mais com que se preocupar além de si. Os seus três filhos mais velhos, Alexandra, Arthur e Ernst já estavam crescidos, mas o pequeno Horst tinha  apenas 11 anos. Além disso, como muitos outros judeus, Rosa sentia‑se alemã e patriota. Se mantivesse a cabeça baixa, decidiu, ficaria bem. Uma vez que vinha de Żółkiew, que era agora na Polónia, seria muito mais difícil alguém verificar os seus registos. O seu passaporte alemão nada revelava sob a sua ascendência judaica e casara com alguém de uma velha família de Weimar. Ela e o marido, veterano de guerra, tinham transformado o Hotel Hohenzollern de um mal-amanhado covil de jogo num estabelecimento suficientemente respeitável para o próprio Hitler o frequentar repetidamente. Rosa tornara-se parte do tecido social de Weimar. Ninguém precisava de saber que ela era judia.

Satisfeitos com o resultado do seu primeiro boicote antissemita coordenado, os nazis locais reuniram-se na praça do mercado em Weimar e proclamaram: «Vós, judeus na Alemanha, vós, judeus no mundo. Acreditais que sois nossos senhores. O nacional-socialismo e o seu Führer deram-nos o poder para nos tornarmos nos vossos executores.»

A cidade concedeu a Adolf Hitler a cidadania honorária a 1 de abril, precisamente o mesmo dia.

A 2 de maio, os nazis destruíram os sindicatos. Em Weimar, isso envolveu um tempestuoso assalto à Volkshaus, a praça-forte do SPD, onde as tropas das SA e das SS espancaram de tal forma os líderes sindicais que estes foram hospitalizados. Seguiram-se incursões às casas e aos locais de trabalho de membros do SPD e do KPD. Os bens dos partidos foram confiscados e as contas bancárias suspensas. Para simbolizar a completa destruição da política de esquerda em Weimar, a Volkshaus passou a chamar-se «Deutsches Haus», ou «Casa Alemã». A resistência de esquerda ficou reduzida a uns poucos grupos isolados,  que tinham ainda de encontrar maneiras para trabalhar clandestinamente.

A maioria dos weimarianos oscilava entre o apoio declarado ao nazismo e a retração para a esfera privada. A situação económica continuava a ser severa, com 12 mil weimarianos a requerem apoio social. Quando os nazis fizeram abater uma atmosfera de antissemitismo contra judeus moderadamente abastados, as pessoas ou aderiram e libertaram a sua frustração acumulada, ou viraram a cara para o lado, tratando dos seus próprios problemas. Carl Weirich passou a primavera a fazer horas extraordinárias na sua loja, a preparar o filho para o primeiro dia de escola, a ouvir programas radiofónicos, celebrando a Páscoa e a fazer as suas habituais saídas dominicais pelos campos à volta. Não havia uma palavra acerca das ondas de terror no seu diário, em 1933. Sendo os judeus e os adversários políticos minorias, a maioria fechava os olhos ao seu sofrimento.

Emmy Sonnemann refletiu mais tarde que «todos estavam focados na sua própria miséria e na da sua família […] Os alemães estavam tão confiantes em dias mais felizes que não reparavam nas sombras que se juntavam lentamente». Pessoas como Carl Weirich ou Rosa Schmidt poderiam ter vidas profissionais e privadas que poderiam excluir a realidade, mas, para a namorada de Hermann Göring, isso era impossível: Emmy era diretamente confrontada com a feia realidade da repressão nazi. Tentava desviar o olhar mesmo quando o seu campo de atuação era fortemente atingido. Anos mais tarde, continuava a afirmar que «a Questão Judaica não foi levada a extremos no seu início. Era só aqui e ali que os jornais individuais precisavam de nojento material de propaganda».

Não era isso que sentiam os seus colegas do teatro de Weimar, que pediam ajuda a Emmy contra medidas que iam muito para lá da propaganda. Lembrava-se de como uma atriz «meio-judia» e uma cantora de ópera «completamente judia» do teatro lhe tinham pedido que as protegesse. Emmy tentou ajudar a partir de Berlim, mas falhou. Noutros casos, teve sucesso, intervindo através de Göring para proteger amigos, colegas e estranhos judeus que lhe escreviam. Os seus esforços pareciam sinceros a muitos judeus alemães. Bella Fromm, uma jornalista judia que mais tarde emigrou para os Estados Unidos, escreveu no seu diário que «Emmy tem sido maravilhosa na sua lealdade para com os seus amigos não-arianos». Durante o processo de desnazificação depois da guerra, foi julgada como tendo «intervindo numa série de casos a favor de anteriores colegas (judeus), que recorreram a ela em tempos de crise. Mas podem ser eliminados motivos anti nacionais-socialistas». Emmy foi arrebatada pela onda de euforia nazi que arrastou tantos em 1933 e não fez qualquer esforço para se manter fiel aos princípios que anteriormente poderia ter defendido. «Era preciso fazer um grande esforço para encontrar alguém que não gostasse da nova direção», disse mais tarde, para justificar a sua inação. «Consegui ajudar todos aqueles que me escreveram», recordou, nunca questionando o que acontecia àqueles que não lhe escreviam. Emmy sabia também dos campos de concentração que o seu  namorado estabelecera no seu cargo ministerial. «Contudo, aqueles não eram para os judeus», refletia, «mas para inimigos do Estado comunistas.» Com isso ela concordava, «em nome da paz política». Como muitos alemães, escolhia ignorar a sombria realidade dos campos e o facto de operarem fora da lei. As pessoas que lá estavam detidas nunca foram julgadas nem condenadas. Contudo, era aceitável para muitos alemães, desde que atingisse pessoas das quais discordavam. O facto de uma força estatal arbitrária poder, com a mesma facilidade, voltar-se um dia contra eles ou os seus entes queridos não ocorria a muitos cidadãos.

Harry Graf Kessler descobriu a partir do exílio aquilo que os campos de Hermann Göring significavam na prática. No final de abril, estava a tomar o pequeno-almoço com o correspondente em Berlim do Manchester Guardian, que acabara de chegar da capital alemã. O inglês contou-lhe acerca da mulher de um operário de Berlim que abrira a porta a um grupo de nazis que lhe encostaram uma pistola ao peito. Exigiam deter o marido e levá-lo para um campo de concentração sem julgamento. O jornalista disse a Harry que os «nazis espalhavam-se pela cidade para prender trabalhadores e abusarem deles de formas terríveis». Seguiam sempre o mesmo padrão: «O que fazem é raptar a pessoa de sua casa, encarcerá-la durante oito a catorze dias, ao longo dos quais a espancam repetidamente e a ameaçam de morte. Quando regressa a casa, é, física e mentalmente, “uma concha vazia”.»

Emmy não desejava ver nem acreditar que o seu Hermann era responsável por tamanha crueldade. A estratégia mais eficaz que empregava para viver com os dilemas morais da sua vida era o escapismo. Em abril de 1933, despediu-se de Weimar e mudou-se para o teatro em Berlim, onde, impulsionada por Göring, que era responsável pela cultura na Prússia, a sua carreira disparou. Ao lado dele, abria-se um caminho irresistivelmente empolgante à sua frente e ela não iria sacrificar isso. A mulher de Baldur von Schirach, Henny, refletia mais tarde acerca de Emmy: «Ela ficaria satisfeita se […] os uniformes fossem trajes de palco, o seu palácio o cenário, o barulho da guerra os efeitos sonoros por detrás do palco e as suas magníficas prendas apenas adereços. Ela nunca quis a realidade.»