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Vítima de abuso sexual infantil processa empresa de Inteligência Artificial de Elon Musk por gerar novas imagens dos abusos que sofreu

Queixa sustenta que empresa ignorou mecanismos de proteção adequados para impedir que conteúdos deste tipo fossem utilizados pelo Grok e divulgados no X. xAI enfrenta vários processos semelhantes.

Margarida Vieira dos Santos
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Uma sobrevivente de abuso sexual durante a infância processou a xAI, empresa de Inteligência Artificial (IA) de Elon Musk, alegando que o chatbot Grok utilizou fotografias dos crimes de que foi vítima para criar novas imagens de cariz sexual ilegal.

A ação judicial coletiva, segundo o The Guardian, foi apresentada na semana passada num tribunal distrital dos Estados Unidos, na Califórnia. Os advogados da principal autora, identificada no processo como “Jane Doe” para proteger a sua identidade, alegam que a xAI não só permitiu a criação das novas imagens, como também terá incorporado nas suas bases de dados material de abuso sexual infantil que a retratava.

A queixa sustenta que a empresa ignorou os mecanismos de proteção adequados para impedir que conteúdos deste tipo fossem utilizados pelo Grok e posteriormente divulgados no X, de acordo com o jornal britânico.

https://observador.pt/2026/03/17/tres-adolescentes-processam-xai-de-elon-musk-por-gerar-imagens-pornograficas-com-fotos-reais/

O caso distingue-se de outros processos apresentados contra a xAI por alegar que o Grok recorreu a material de abuso sexual infantil já existente para criar novas imagens. Em processos anteriores, a acusação é de que o chatbot utilizou fotografias não explícitas de menores para gerar conteúdos sexualizados, nomeadamente através da remoção digital da roupa.

“A diferença aqui, em comparação com muitos casos criminais que envolvem material gerado por IA, é que não se pode provar que a criança no material é real”, disse. “Mas aqui, como podemos associá-la à série, sabemos que se trata de uma vítima identificável, que ainda está viva e era uma criança real na foto”, disse Margaret Mabie, advogada da autora, citada pelo The Guardian.

A mulher tinha idade pré-escolar quando foi repetidamente abusada por um adulto, que a obrigou também a produzir material de abuso sexual infantil, segundo a queixa. Margaret Mabie alertou que a IA permite agora criar novas representações a partir das imagens originais, prolongando o impacto dos crimes. “Isto pode gerar novos abusos”, disse.

A xAI enfrenta vários processos relacionados com a criação e distribuição de material de abuso sexual infantil através do Grok. Em janeiro, Musk negou ter conhecimento de que o chatbot tivesse produzido “qualquer imagem de menores nus”. No entanto, a sua empresa processou dois utilizadores no final de agosto, que enfrentam acusações criminais por alegadamente terem feito exatamente isso.

Embora a ação coletiva tenha como autora principal uma mulher cuja identidade não foi divulgada, a queixa estima que o processo possa abranger “pelo menos milhares de menores” que terão sofrido danos semelhantes.

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