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Machado diz que os "inimigos dos EUA" estão em Miraflores e questiona acordo petrolífero assinado com Caracas

A Nobel da Paz 2025 reagiu ao acordo que dá a Washington controlo de mais de 20% das reservas de petróleo venezuelanas. Pede calendário eleitoral "em paralelo" às reformas económicas.

Agência Lusa
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A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, dirigiu-se esta quinta-feira ao Governo norte-americano defendendo que o inimigo de Washington na Venezuela é o executivo de Caracas, dias após a assinatura do acordo petrolífero entre os países.

“Os inimigos dos Estados Unidos na Venezuela estão hoje em Miraflores”, afirmou a vencedora do Nobel da Paz 2025, referindo-se ao palácio presidencial em Caracas, num vídeo publicado nas suas redes sociais desde o Panamá, onde vive.

https://twitter.com/MariaCorinaYA/status/2095511652435161139

Esta foi a primeira reação da líder da oposição ao acordo petrolífero, um dia após a visita a Caracas do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, que culminou com a assinatura de vários acordos com empresas dos Estados Unidos (EUA) e de Itália, concedendo a Washington o controlo de mais de 20% das reservas de petróleo bruto do país sul-americano.

https://observador.pt/2026/09/01/washington-concede-100-anos-de-exploracao-de-petroleo-venezuelano-a-empresa-privada-dos-eua/

“O património do nosso subsolo não pertence a um regime ilegítimo, pertence ao povo venezuelano. É claro que os Estados Unidos são o principal parceiro de que a Venezuela necessita para desenvolver plenamente o seu valor estratégico”, adiantou Corina Machado.

A líder da oposição pediu ainda para que, “paralelamente às reformas económicas”, fosse estabelecido “um calendário eleitoral” na Venezuela para eleger “um novo presidente”.

Na quarta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou uma vez mais que a Venezuela “não está preparada” para eleições.

https://observador.pt/2026/09/02/venezuela-trump-diz-que-pais-ainda-nao-esta-preparado-para-eleicoes/

Sem fazer referência específica a um sufrágio, a líder da oposição continuou a reivindicar uma “transição para a democracia, que ainda não aconteceu”.

Trump reiterou na quarta-feira que, embora Machado “queira” eleições, a sua administração dá-se muito bem com o executivo venezuelano liderado pela Presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu o lugar em janeiro depois de os EUA capturarem o antigo líder, Nicolás Maduro.

“Tirámo-los de uma ditadura e damo-nos muito bem com o Governo [venezuelano]. A Delcy, como sabem, está a fazer um trabalho muito, muito bom. É muito respeitada e nós queremos isso [eleições] e eles também o querem. A Delcy quer, mas ainda não estão preparados”, afirmou o líder republicano de 80 anos.

Delcy Rodríguez confirmou pouco depois que haverá eleições no país, para as quais as autoridades estão a trabalhar “sem descanso”, disse.

“Haverá um processo eleitoral, mas nas condições em que a Venezuela estiver preparada”, disse, ao ser questionada durante uma conferência de imprensa ao lado do secretário de Estado da Energia norte-americano.

Na sexta-feira, oito meses após a captura de Nicolás Maduro pelo exército norte-americano, Donald Trump anunciou a celebração de um acordo com a Venezuela que permitiria aos Estados Unidos assumir o controlo maioritário de mais de 65 mil milhões de barris das reservas petrolíferas do país.

A Venezuela estima que irá obter ganhos no valor de 209 mil milhões de dólares (cerca de 179 mil milhões de euros) ao longo de 25 anos.

Na quarta-feira, na sequência deste acordo com Washington, a Venezuela assinou contratos com as companhias petrolíferas Chevron e ENI para alargar as suas atividades no país, bem como com a GE Vernova para reestruturar o setor elétrico.

“O setor petrolífero é apenas uma parte da imensa reconstrução que temos de empreender na Venezuela. Exige investimentos colossais, mas precisa de muito mais do que dinheiro”, afirmou Corina Machado.

“Sei o que vocês [venezuelanos] sentem: tristeza, raiva e aquele mal-estar tão recorrente na nossa história, porque alguém decide o que nos pertence, em nosso nome, sem nos consultar. Ainda não se conhece o verdadeiro alcance deste acordo: quem assina? O que se assina, na realidade? Quem investe o dinheiro? Quem fornece as garantias?”, questionou a líder da oposição.