Não há Tadej Pogacar, mas a Volta a Espanha continua a servir de palco para os eslovenos. Ao 12.º dia o terreno voltou a empinar, com os ciclistas a enfrentarem a terceira etapa mais dura desta edição e que pode ter sido determinante para as contas finais da última Grande Volta da temporada. Antes, a fuga voltou a vingar em Calar Alto, junto ao maior observatório da Europa, no ponto mais alto desta Vuelta no que toca a chegadas. Foi nessa condição que Jakob Omrzel (Bahrain-Victorious) aproveitou para vencer pela primeira vez numa prova de três semanas aos 20 anos, repetindo o que o compatriota fez em 2019, mas foi a tempo de superar o canibal para se tornar no esloveno mais jovem de sempre a triunfar numa Grande Volta. Quanto à geral, Enric Mas (Movistar) voltou a mostrar que é o mais forte e ganhou mais 27 segundos a Primoz Roglic (Red Bull-Bora-hansgrohe) e Felix Gall (Decathlon CMA CGM).
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“Não me surpreende porque sei todo o trabalho que fiz. Sabia que este dia ia chegar mais cedo ou mais tarde, mas não esperava que fosse na minha primeira Grande Volta. Ainda não consigo acreditar, mas senti-me fantástico. Continuo a sentir-me bem. Não estou cansado. Estou simplesmente a aproveitar. A verdade é que toda a equipa é fantástica. Nós, ciclistas, entendemo-nos na perfeição. Trabalhamos muito bem juntos, na perfeição. Dizemos que é como jogar PlayStation. Fazemos o que queremos. Entramos nas fugas e, com o Pello [Bilbao], o Santi [Buitrago] e os outros, é incrível. Estou muito orgulhoso. Bater Pogacar? É apenas uma estatística. Não significa mais nada, mas é uma boa estatística”, assumiu o esloveno que subiu ao sexto lugar da geral e colocou-se a apenas 30 segundos de Oscar Onley (Netcompany Ineos) na classificação da juventude.
“Estou muito contente com a equipa hoje [quinta-feira]. Tenho orgulho neles. Se analisarmos a etapa, vemos que fizeram tudo na perfeição. Estes 27 segundos são importantes para a próxima semana e estamos orgulhosos disso. Estava confiante [antes do ataque]. No final a subida foi demasiado longa [risos], mas gostei. Há cinco anos fizemo-la no sentido contrário e já tinha tido boas sensações. Também fizemos dois estágios aqui com a equipa durante o inverno. Foi muito duro e agora aproveitei um pouco mais. O objetivo é aproveitar a vermelha. Depois quero tentar fazer o que fizemos hoje, manter a vermelha. Aos poucos começo a acreditar, sim”, explicou o espanhol de 31 anos.
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Esta sexta-feira a 13.ª etapa foi de transição para um fim de semana que vai abrir com mais uma etapa de alta montanha, mas esteve longe de ser fácil, com as subidas da região de Granada a dificultarem a missão dos ciclistas mais rápidos. Tudo começou, de forma inédita, em Almuñécar, e terminou, 192,8 quilómetros depois, em Loja, a “Cidade da Água” que voltou à Vuelta para receber uma chegada pela primeira vez. Até lá havia que passar por mais de 3.400 metros de desnível positivo acumulado, com destaque para as três subidas, uma de primeira categoria e duas de segunda: Venta de la Cebada (14,1 km a 5,1%), Legionario (15,4 km a 3,1%) e Puerto de Granada (7,4 km a 5,6%). Perspetivava-se mais um triunfo da fuga, com o final a contar com pendentes de 6% no último quilómetro.
Com os termómetros a superarem os 35ºC, Alexey Lutsenko (XDS Astana) foi o primeiro desistente de uma etapa que voltou a ser marcada pelos ataques na fase inicial e por mais um grande grupo à frente do pelotão, com destaque para as presenças de Wout van Aert e Matty Brennan (Visma-Lease a Bike), Mattias Skjelmose (Lidl-Trek), Santiago Buitrago (Bahrain-Victorious) e Andreas Leknessund (Uno-X Mobility). Gregor Mühlberger (Decathlon) caiu nos primeiros quilómetros e acabou por abandonar a corrida, juntamente com Pavel Sivakov (UAE Team Emirates-XRG), Francesco Busatto e Sente Sentjens (Alpecin-Premier Tech). Quem também caiu na frente foi David de la Cruz (Pinarello Q36.5), que ficou ferido no lado direito do seu corpo, mas retomou a corrida.
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A fuga acabou por se partir depois do Alto del Legionario, com Kevin Vermaerke (Emirates), Brennan, Léo Bisiaux (Decathlon), Clément Berthet e Guillaume Martin (Groupama-FDJ United), Andreas Kron e Leknessund (Uno-X), Vincenzo Albanese (EF Education-EasyPost), Cristián Rodríguez (XDS) e Lars Craps (Lotto Intermarché) a ficarem na frente. O Puerto de Granada ficou marcado pelos ataques e a reentrada do grupo perseguidor, até que, na descida, Van Aert tentou fazer a diferença e partiu o grupo, levando na sua roda Vermaerke e Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step). Ainda assim, seis ciclistas viriam a fechar o espaço e, a 17 quilómetros da meta, Vermaerke voltou a atacar com Van Aert, de novo sem sucesso.
A 3,7 quilómetros de Loja, o belga desferiu um ataque fortíssimo que só foi seguido por Paret-Peintre que, na reta da meta, tentou desfeitear o camisola verde, mas acabou por perder com naturalidade em termos de explosividade. Esta foi a primeira vitória de Van Aert nesta Vuelta, depois de ter vencido três em 2024. Para além disso, o ciclista de 31 anos deu à Visma a quarta vitória nesta edição, ao cabo de 12 etapas concluídas. No segundo grupo, Brennan foi o mais rápido, cortando a meta a 24 segundos do colega. Os favoritos chegaram juntos, a três minutos, pelo que Enric Mas vai chegar a nova etapa de alta montanha na liderança.
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