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"Justiça acabaria por meter as coisas no seu sítio": Asencio absolvido de acusação de partilha de imagens íntimas

Asencio e três ex-colegas da formação do Real Madrid foram processados pela partilha não consentida de vídeos de cariz sexual envolvendo duas jovens em 2023 — uma das quais menor.

Manuel Conceição Carvalho
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Esta quinta-feira ficará marcada por duas notícias que envolvem o mesmo nome. Na mesma manhã em que José Mourinho confirmou a abertura de um processo disciplinar no Real Madrid contra Raúl Asencio, o Tribunal Penal número 5 de Las Palmas de Gran Canaria absolveu o defesa da acusação de divulgação não consentida de imagens íntimas de uma menor de idade. Um dia de tribunal e de balneário ao mesmo tempo — uma imagem que resume o que tem sido a vida do jovem central de 23 anos, natural de Gran Canaria, nos últimos meses.

Nascido em Las Palmas a 13 de fevereiro de 2003, Asencio cresceu na formação do Real Madrid desde os 14 anos, depois de se destacar nas categorias jovens do Las Palmas. Subiu gradualmente pelos escalões do clube — juvenis, Castilla —, com um breve empréstimo ao RSC Internacional FC em 2022-23, antes de se afirmar no plantel principal. Na época 2024-25, disputou 46 jogos e fez duas assistências. Na seguinte, somou 34 jogos, dois golos e uma assistência. Tem contrato com o Real Madrid até junho de 2031.

A carreira desportiva tem sido sólida, mas com alguns episódios que Mourinho e Courtois preferiram não ignorar. No Mundial de Clubes de 2025, Asencio foi expulso num jogo frente ao Pachuca, no segundo jogo do grupo, depois de já ter cometido um penálti na partida anterior frente ao Al-Hilal. Courtois não o poupou ao intervalo: “Isto não pode acontecer connosco. É o mesmo erro duas vezes”.

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Já Mourinho, por sua vez, revelou mais tarde ter falado com Asencio logo após a sua chegada ao clube, referindo-se a “questões do passado”. Que têm data e endereço: verão de 2023, Gran Canaria. Asencio e três ex-colegas da formação do Real Madrid — Ferrán Ruiz, Juan Rodríguez e Andrés García — foram processados pela partilha não consentida de vídeos de cariz sexual envolvendo duas jovens, uma das quais menor de idade, com 16 anos. Asencio não participou no encontro sexual nem na gravação — a acusação baseava-se na alegação de que recebeu um dos vídeos e o mostrou a uma terceira pessoa, ciente de que o material tinha sido registado sem consentimento. O Ministério Público chegou a pedir dois anos e meio de prisão para o defesa, e quatro anos e sete meses para os outros três arguidos — que se envolveram com as jovens, com o consentimento delas —, acusados ainda de pornografia infantil.

Esta quinta-feira, as duas vítimas formalizaram o perdão perante a juíza, por videoconferência, assegurando individualmente que a decisão foi tomada “por vontade própria” e sem qualquer pressão. No crime pelo qual Asencio estava acusado — divulgação de imagens íntimas sem consentimento —, o perdão da vítima extingue a responsabilidade penal, o que levou o Ministério Público a retirar a acusação. Asencio foi absolvido. Os outros três responderam por pornografia infantil — um crime em que o perdão da vítima não tem esse efeito — e chegaram a acordo com a Procuradoria: foram condenados a um ano de prisão com pena suspensa, dois anos de restrição de contacto com as vítimas e proibição de trabalhar com menores durante três anos, revelou a ESPN.

A absolvição chegou um dia depois de Asencio ter sido condenado por um episódio completamente diferente: no passado 16 de agosto, foi intercetado pela polícia em San Bartolomé de Tirajana, também em Gran Canaria, ao volante de um Porsche Macan GTS, com uma taxa de alcoolemia de 0,90 mg/l — quase quatro vezes acima do limite legal. Fez dois testes com resultados semelhantes, admitiu os factos e foi condenado a uma multa de 14.400 euros e à suspensão da carta de condução durante oito meses. O Real Madrid abriu de imediato um processo disciplinar interno.

Mourinho não ficou em silêncio. Na conferência de imprensa de antevisão do jogo com o Real Betis, esta quinta-feira, foi direto: “Um jogador do Real Madrid é-o 24 horas por dia. O que fazes fora pode prejudicar o teu prestígio e o do clube. Não estou feliz e erros todos cometemos”. O técnico português acrescentou ainda que os erros acumulados são “outra coisa” — distinguindo os erros isolados dos que se repetem — e sublinhou que tudo o que um jogador faz fora do campo “prejudica a imagem do clube”. A defesa do profissionalismo de Asencio em Valdebebas foi o único contrapeso: “Quando estava bem, ninguém treinava mais e melhor do que ele. Agora que está lesionado, é o primeiro a chegar e o último a sair”.

Asencio está lesionado desde meados de julho e ainda não entrou em campo esta época. Tem 23 anos, um contrato de longa duração e um percurso fora do campo que, em poucos meses, acumulou uma condenação por condução sob o efeito do álcool, uma absolvição num processo de imagens íntimas e um processo disciplinar aberto pelo próprio clube.

Depois do veredito, Asencio quebrou o silêncio que manteve durante meses e partilhou uma mensagem nas redes sociais. “Hoje, depois de muito tempo de silêncio e de respeitar um processo judicial no qual sempre confiei, posso dizer que fui absolvido”, escreveu. “Sempre confiei que a Justiça acabaria por meter as coisas no seu sítio”, acrescentou, lamentando ter visto “informações e opiniões” sobre si publicadas antes da decisão. “Por detrás de cada notícia há uma pessoa e uma família que vivem as consequências de tudo o que é publicado”, acrescentou. Agradeceu ao agente, aos seus advogados, ao Real Madrid e à sua família e amigos pela confiança demonstrada ao longo do processo. Sobre a condução sob o efeito do álcool, assumiu a responsabilidade sem hesitar: “Estou profundamente arrependido do que aconteceu. Foi uma experiência com a qual aprendi”. E respondeu diretamente a Mourinho: “Agora toca-me trabalhar em mim. E estou absolutamente de acordo com o meu treinador: não apenas dentro do campo, mas também fora dele”.

https://twitter.com/RaulAsencio_17/status/2095545145592561851

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]