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Elevador da Glória. Associação considera "culturalmente inaceitável" solução para ascensor da Glória

A associação Fórum Cidadania Lx considera que apagar um Monumento Nacional não é a resposta certa para a tragédia e que a decisão de substituir o ascensor é "precipitada" e sem "fundamentos".

Agência Lusa
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A associação Fórum Cidadania Lx considerou esta quinta-feira que a solução para o futuro ascensor da Glória, em Lisboa, para um equipamento moderno até 2029, constitui uma decisão “culturalmente inaceitável”, defendendo a necessidade de salvaguarda do património deste Monumento Nacional.

“A pretensão anunciada pela Carris, aparentemente em sintonia com a Câmara Municipal de Lisboa, de responder à tragédia de setembro de 2025 através da substituição do histórico ascensor da Glória por um modelo de linguagem e design contemporâneos constitui, a nosso ver, uma decisão precipitada, culturalmente inaceitável e que não está devidamente fundamentada”, afirmou a associação Fórum Cidadania Lx.

https://observador.pt/2026/08/31/carris-apresenta-futuro-para-o-ascensor-da-gloria-o-ascensor-sera-novo-o-lugar-continuara-historico-diz-presidente-da-carris/

Esta posição consta de uma carta endereçada ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas (PSD), ao presidente do Património Cultural, João Soalheiro, e ao presidente da Carris, Rui Lopo, divulgada esta quinta-feira, dia em que se assinala um ano desde o descarrilamento do elevador da Glória, que ocorreu a 3 de setembro de 2025 e provocou 16 mortos e 24 feridos, sobretudo turistas estrangeiros.

Defendendo que não se pode responder à tragédia “apagando a memória” do ascensor da Glória, classificado como Monumento Nacional, a associação Fórum Cidadania Lx disse que quem exerce funções públicas tem o dever de garantir a segurança dos cidadãos, mas também de salvaguardar o património que recebeu das gerações anteriores.

“Não pode, por isso, aproveitar-se uma tragédia para substituir um Monumento Nacional pela solução aparentemente mais rápida, fácil ou barata”, afirmou.

Na segunda-feira, a CML e a Carris apresentaram a solução para o futuro ascensor da Glória, com um “novo sistema” que garantirá “toda a segurança”, prevendo-se um concurso público internacional de conceção até ao final de março de 2027 e a inauguração do equipamento em 2029.

“Já não podemos ter um equipamento histórico que funcionava sem modificações substantivas até ao dia 1 de janeiro de 1986 e, portanto, estamos perante uma solução nova em termos de processo construtivo”, afirmou o presidente da Carris, Rui Lopo, na apresentação da solução e dos conceitos técnicos subjacentes ao projeto do futuro ascensor da Glória, que decorreu no auditório da Ordem dos Engenheiros, em Lisboa.

Para o Fórum Cidadania Lx, o que se sabe até ao momento quanto ao ascensor da Glória, com 140 anos de história, “não aponta para uma inevitável obsolescência do material circulante”.

Referindo que o relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) concluiu que o cabo de união das duas cabinas do elevador da Glória que cedeu não respeitava especificações nem estava certificado para transporte de pessoas, a associação considerou que, a confirmar-se essa informação no relatório final, se trata de “uma falha grave de manutenção, fiscalização e gestão da segurança e não de uma consequência inevitável da antiguidade, do peso ou da configuração histórica das cabinas”.

“Não é, portanto, aceitável transformar uma eventual falha técnica e operacional num argumento para eliminar a identidade histórica do equipamento”, expôs, sublinhando que o ascensor da Glória é classificado como Monumento Nacional enquanto conjunto integrado, proteção que não se limita ao traçado ou à infraestrutura, incluindo também “o sistema e a autenticidade material dos seus elementos, incluindo as cabinas que lhe conferem a sua identidade histórica”.

Por isso, o Fórum Cidadania Lx defendeu que a sua substituição por veículos de design contemporâneo não constitui uma simples modernização, mas sim “uma alteração radical da imagem, materialidade e autenticidade de um bem patrimonial que pertence à cidade”.

“Quem conferiu à Carris ou à CML o mandato para alterar radicalmente um Monumento Nacional que faz parte da memória coletiva de Lisboa?”, interrogou, perguntando ainda se o Património Cultural deu parecer favorável a uma intervenção que implica a perda da autenticidade das cabinas históricas.