A Câmara Municipal de Lisboa (CML) disse esta quinta-feira que os contactos dos familiares das vítimas e dos sobreviventes do descarrilamento do elevador da Glória “não foram disponibilizados” à autarquia, exceto os que tiveram a iniciativa de o fazer.
“Importa sublinhar que os contactos das vítimas não foram disponibilizados à CML, exceto nos casos em que as mesmas tiveram a iniciativa de o fazer ou em que tenham concordado com essa partilha por parte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) ou das embaixadas”, pode ler-se num esclarecimento enviado à Lusa.
O documento reitera que “Lisboa esteve, está e continuará a estar ao lado de todas as vítimas e famílias do trágico acidente do elevador da Glória”, que aconteceu há um ano.
A autarquia recorda ainda que, “desde o primeiro momento e em todos os que se seguiram”, através da CML, da Carris, da seguradora Fidelidade e de contactos próximos com as embaixadas dos países de cada uma das vítimas, “foi demonstrada total disponibilidade para tudo o que fosse necessário”.
Segundo a missiva, essa disponibilidade foi reforçada através da SCML e “das referidas embaixadas, às quais, no caso das vítimas estrangeiras, a Câmara Municipal de Lisboa foi sempre reiterando a sua abertura e o seu empenho para as apoiar e receber, assim como às respetivas famílias”.
Desde o acidente, acrescenta ainda a nota, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa “acolheu, prontamente e com discrição, todas as famílias que sinalizaram essa vontade”, como sucedeu “no dia de hoje, durante o qual recebeu três famílias.”
Questionada pela Lusa, fonte da Câmara de Lisboa negou que esta seja uma resposta à carta aberta das vítimas e famílias afetadas pelo descarrilamento, na qual revelaram que se sentiram “esquecidas” pela autarquia ao longo deste ano.
A mesma fonte precisou que se trata de um esclarecimento, “já dito várias vezes”, sobre todo o processo de contactos com as vítimas e famílias do acidente.
“Nunca a CML teve ou tem os contactos diretos, com exceção de todos os que ao longo do processo manifestaram essa intenção através das embaixadas”, afirmou.
Na carta aberta, as vítimas e famílias afetadas pelo descarrilamento do elevador da Glória revelaram que “o único contacto direto” com a autarquia lisboeta foi para a inauguração, hoje, de um memorial.
“Um ano depois, continuamos à espera de respostas, apoio e responsabilização”, lê-se na carta, escrita em inglês e endereçada à comunicação social, e à qual a agência Lusa teve hoje acesso.
Assinalando um ano desde o descarrilamento do elevador da Glória, que ocorreu a 3 de setembro de 2025 e provocou 16 mortos e 24 feridos, sobretudo turistas estrangeiros, familiares das vítimas mortais e sobreviventes do acidente reforçaram que há “uma dor que ainda não desapareceu”.
O memorial em homenagem às vítimas do descarrilamento foi inaugurado esta quinta-feira no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, onde ocorreu o acidente, e é composto por uma oliveira com 150 anos rodeada por 16 blocos em calcário com os nomes das vítimas.
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Questionado pelos jornalistas sobre a carta aberta no final da cerimónia, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), foi parco em explicações: “Não me levem a mal, eu percebo as perguntas […] as respostas têm sido dadas. A Câmara esteve sempre presente, está presente e estará sempre presente.”
“É um dia para homenagear e mostrar a nossa solidariedade e é também um dia de gratidão. Homenagear aqueles que partiram, que já não estão entre nós, é esse o nosso dever, da nossa memória”, disse.
Passado um ano, dos 40 processos de indemnização a familiares das vítimas mortais e a sobreviventes do acidente, apenas se encontram concluídos quatro, segundo informação da seguradora da empresa municipal Carris, a Fidelidade.
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As investigações do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) e do Ministério Público às causas e responsabilidades do acidente ainda estão em curso, prevendo-se conclusões “até ao final do primeiro trimestre de 2027”.
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