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(A) :: Jornalista americano condenado a dois anos de prisão por espionagem para a China em nome do Ministério da Segurança do Estado

Jornalista americano condenado a dois anos de prisão por espionagem para a China em nome do Ministério da Segurança do Estado

Thomas Pauken II trabalhou para a CCTV e a Xinhua e recebeu pelo menos 100 mil dólares para recrutar agentes e recolher informações para o serviço secreto chinês. Declarou-se culpado e não recorre.

Margarida Vieira dos Santos
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Um jornalista norte-americano foi condenado a dois anos de prisão e a 36 meses de liberdade condicional supervisionada, sem permissão para sair dos Estados Unidos, por atuar em nome de um governo estrangeiro no país. Thomas Weir Pauken II, que viveu na China e trabalhou para vários meios de comunicação chineses, incluindo a CCTV e a agência Xinhua, declarou-se culpado em tribunal e não pretende recorrer da decisão.

“Pauken explorou a sua cidadania americana e a consequente capacidade de viajar para os EUA sem restrições para apoiar as operações do Ministério da Segurança do Estado Chinês (MSS), o recrutamento e a recolha de informações sensíveis de potenciais agentes”, disse o Procurador-Geral Adjunto para a Segurança Nacional, John A. Eisenberg, citado num comunicado de imprensa partilhado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na terça-feira.

John A. Eisenberg afirmou que “Pauken traiu o seu país por dinheiro“, acrescentando ainda que a Divisão de Segurança Nacional norte-americana “está empenhada em responsabilizar qualquer pessoa que auxilie ou incentive os esforços de espionagem chineses”.

O jornalista de 51 anos, segundo a NBC News, mudou-se para a China em 2010 e trabalhou para várias organizações do país, inclusive para a emissora estatal CCTV. Desde 2024, Pauken trabalhava enquanto editor de notícias na agência estatal Xinhua.

De acordo com os documentos judiciais, Thomas Weir Pauken II colaborou, entre 2019 e fevereiro de 2026, com várias pessoas que sabia estarem ligadas ao Governo chinês. Entre elas estava uma pessoa identificada apenas como “Cathy”, que lhe pedia para escrever relatórios e para recrutar pessoas para fornecer informações confidenciais.

Segundo o agente especial do FBI Timothy J. Healy, “Cathy” disse ao jornalista que os relatórios eram lidos pelo presidente chinês, Xi Jinping.

“Pauken recebeu pelo menos 100 mil dólares pelo seu trabalho com Cathy. Cathy pagou também várias viagens de Pauken entre 2019 e 2025, da China para os Estados Unidos, para que este se encontrasse com pessoas que pudessem fornecer informações a Pauken e, consequentemente, a Cathy e ao MSS”, lê-se no comunicado de imprensa do Departamento de Justiça norte-americano.

O jornalista, de acordo com a acusação, também vendeu relatórios a um grupo de chineses de Wuhan que procuravam informações sobre tecnologia e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que queriam que Pauken encontrasse um especialista para os ajudar a praticar espionagem cibernética.

O Sr. Pauken aceitou a responsabilidade e respeita a sentença do tribunal“, disse o seu advogado, Charles Burnham, citado pela NBC News, acrescentando que “conforme acordado pelo governo no tribunal, o Sr. Pauken não forneceu qualquer informação confidencial aos chineses”.

O caso, segundo o Departamento de Justiça norte-americano, “ilustra até que ponto o Partido Comunista Chinês está disposto a minar” as “instituições democráticas” do país, para além da “determinação do FBI em defender a pátria contra ameaças” à segurança nacional.

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