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(A) :: A suspeita de AVC, um serviço sobrelotado e o caso esquecido. Como João e Maria do Céu passaram 36 horas nas urgências do Amadora-Sintra

A suspeita de AVC, um serviço sobrelotado e o caso esquecido. Como João e Maria do Céu passaram 36 horas nas urgências do Amadora-Sintra

Doente crónico, João, de 70 anos, esperou quase um dia até ser visto a primeira vez por um médico, mesmo com pulseira amarela. Depois disso, o caso acabou esquecido. Urgências estão no limite.

Tiago Caeiro
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15h05 de sábado, 29 de agosto. João*, de 70 anos, dá entrada no serviço de Urgência Geral do Hospital Amadora-Sintra, depois de ter sido transportado de casa, em Massamá, por orientação do Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM. Tanto João como a mulher, Maria do Céu, tinham alguma noção do que poderiam enfrentar: várias horas de espera na urgência mais pressionada do país. Mas estavam longe de imaginar a verdadeira situação daquele serviço: acabariam por ficar ali, à espera de uma resposta clínica, durante 36 horas, até João ser mandado para casa por volta das 2h da manhã de segunda-feira, já no dia 31. Um dia e meio naquele hospital. “É surreal”, desabafa Maria do Céu, em declarações ao Observador.

A urgência geral do Fernando Fonseca tem registado tempos de espera muito elevados nos últimos dias. Na quarta-feira, dia 2 de setembro, o tempo médio para uma primeira observação médica de doentes urgentes (triados com pulseira amarela) chegou quase às 13 horas, enquanto o tempo médio de permanência na urgência atingia as 24 horas. Um cenário sem paralelo no SNS. Nesse dia — e mesmo nos hospitais com piores registos na zona de Lisboa, como o hospital do Barreiro ou o Santa Maria —, os doentes urgentes eram vistos por um médico num período de sete horas, em média.

https://observador.pt/2026/09/02/doentes-urgentes-esperam-mais-de-12-horas-na-urgencia-do-amadora-sintra-ministra-da-saude-admite-instabilidade-nas-equipas/

No Amadora-Sintra, conhecido na gíria hospitalar como “Amadora-Síria” (tal o caos que se gera no serviço de urgência), a crónica falta de médicos e uma afluência superior a 300 doentes por dia (muitos sem médico de família, e que veem na urgência a única porta de entrada no SNS) criam o cocktail perfeito para tempos de espera extremamente elevados, ou mesmo extremos, como aquele que João e Maria do Céu enfrentaram.

Linha SNS24 demorou 40 minutos a atender chamada

Cerca de duas horas antes de passarem a porta da urgência do Amadora-Sintra, ao início da tarde do último sábado, Maria do Céu tinha contactado a Linha SNS24 para pedir ajuda. João tinha chegado a casa visivelmente doente. Mal se conseguia suster em pé, tinha falta de força numa das pernas, espasmos num dos braços e tonturas. Pouco depois, vomitou, ficando de seguida com o corpo “tombado” para o lado esquerdo. Sinais que poderiam indiciar um Acidente Vascular Cerebral — mais um, já que João tinha sofrido um AVC em 2024. Ainda assim, e como o marido mostrava melhorias em alguns momentos, Maria do Céu decidiu contactar a Linha SNS24. Ficou, garante, 40 minutos à espera.

Depois de algumas perguntas, e perante a suspeita de doença grave, a chamada foi reencaminhada para o 112. Minutos depois, chegou uma ambulância, dos Bombeiros Voluntários de Queluz. “Pensei até que, pelos sintomas, viesse uma equipa do INEM, mas não”. A equipa dos bombeiros que prestou a primeira assistência a João descartou a hipótese de AVC, o que terá feito com que não tivesse sido ativada a Via Verde AVC, que permitiria uma assistência mais rápida.

Ao Observador, o INEM confirma que recebeu a chamada de Maria do Céu às 14h14 de 29 de agosto, “tendo sido registado um homem de 70 anos, consciente, mas desorientado, sem suspeita de AVC”. A ocorrência foi classificada como “P2 — Alteração do Estado de Consciência”, a segunda mais grave da nova escala de prioridades do INEM, e a seguir foram acionados os Bombeiros Voluntários de Queluz. Face à informação transmitida ao CODU, continua o INEM, “não foram identificados, naquele momento, sinais ou sintomas sugestivos de AVC, pelo que não foi ativada a Via Verde AVC”.

Assim que chegou à urgência, João foi triado com a pulseira amarela e fez um eletrocardiograma. Depois, foi-lhe pedido para aguardar. O tempo de espera para doentes com pulseira amarela era elevado, de cerca de sete horas (muito superior ao tempo máximo definido nos critérios da triagem de Manchester, que é de 60 minutos), mas não indiciava a longa espera que se seguiria até João ser chamado a um dos consultórios médicos da urgência. Chega a noite. E nada. As horas vão passando, mas ninguém volta a chamar por João. Às urgências, continuavam a chegar novos doentes, que se juntavam aos que já ali se encontravam à espera de um atendimento médico, como o casal. Estariam apenas dois médicos na urgência.

A sobrelotação daquelas urgências é um cenário habitual. Esta quarta-feira, dia 2 de setembro, pelas 8h, estavam 80 pessoas à espera de uma primeira observação médica na urgência e outras tantas a aguardar o resultado de exames. Incomparavelmente mais que noutros hospitais da zona de Lisboa.

Amadora-Sintra teve 650 admissões em apenas dois dias (a maioria situações urgentes)

Construído para servir uma população de 300 mil habitantes, o Amadora-Sintra dá resposta a uma população de cerca de 600 mil pessoas, o dobro. Com o fim do típico período de férias, no final de agosto, a afluência à urgência aumentou. “Nos últimos dois dias (31 de agosto e 1 de setembro), o Serviço de Urgência Geral do Hospital Fernando Fonseca registou cerca de 650 admissões”, sublinha a Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra, em resposta a questões colocadas pelo Observador. Deste total, 410 episódios foram classificados como amarelos ou laranjas, o que, explica a ULS, coloca pressão acrescida sobre as equipas.

“Trata-se de doentes que, pela sua condição clínica, exigem uma resposta assistencial mais diferenciada e que podem implicar observação, reavaliação, realização de exames complementares e tomada de decisão clínica. Esta realidade traduz-se numa maior exigência sobre a capacidade de resposta do Serviço de Urgência, o que se reflete nos tempos de espera para primeira observação médica”, justifica o hospital. Contudo, esta explicação — grande afluência à urgência, com doentes complexos — ajuda a perceber apenas uma parte do problema. Apesar de questionada, a ULS optou por nada dizer quanto à outra metade da explicação para os elevados tempos de espera: a falta de profissionais.

Não são raras as vezes, sobretudo durante a noite, em que está apenas um médico na área ambulatória da urgência, ou seja, responsável pela observação de todos os doentes à espera de uma primeira observação médica e respetivos exames — durante os picos de afluência, sobretudo no inverno, chegam a estar mais de 200 doentes no serviço de urgência.

https://observador.pt/2026/01/06/situacao-critica-no-amadora-sintra-leva-chefe-da-equipa-de-urgencia-a-abandonar-cargo/

A maior parte da equipa médica está afeta ao Serviço de Observação, com capacidade para 75 camas, e que acaba por se assumir como uma espécie de enfermaria improvisada, onde são colocados os doentes que precisam de internamento mas que ainda não podem ser formalmente internados nos serviços de especialidade por falta de vagas — outro problema crónico do hospital. O Amadora-Sintra tem mais de 100 camas contratadas noutras instituições, usadas para ‘escoar’ os doentes com alta clínica mas que permanecem no hospital por motivos sociais.

Urgência está sem diretor desde abril. Ministra da Saúde admite falta de profissionais

A falta de capacidade do serviço de urgência para responder à grande quantidade de doentes não é um problema novo. A equipa fixa da urgência foi perdendo médicos no segundo semestre de 2025, o que fez do último inverno um dos mais complicados de que há memória. Nesse período, saíram da equipa da urgência 11 médicos internistas, o que desfalcou as equipas. “Era impossível que estas saídas não tivessem impacto. Tínhamos aqui mais 11 médicos a trabalhar 40 horas por semana”, admitia, em dezembro, o então diretor do serviço de Urgência, Luís Duarte Costa, e que, em abril, apresentou a demissão. Até ao momento, o hospital ainda não encontrou um substituto.

Desde março de 2026 que a ULS Amadora-Sintra tem um novo Conselho de Administração, liderado por Sandra Cavaco, mas a situação na urgência não melhorou. Aliás, em declarações aos jornalistas, esta terça-feira, a ministra da Saúde sugeriu que as mudanças recentes teriam criado instabilidade na instituição. Segundo a ministra, houve “várias mudanças” e “isso criou instabilidade na equipa de urgência”. O Observador questionou a ULS Amadora-Sintra sobre quantos médicos e enfermeiros fazem parte, neste momento, da equipa dedicada da urgência e pediu ainda dados sobre o número de saídas que se registaram nos últimos meses, mas não obteve resposta. A preocupação tanto do Ministério da Saúde como da Direção Executiva do SNS em relação à resposta que o hospital dá atualmente aos doentes é visível.

https://observador.pt/2026/03/18/amadora-sintra-nova-presidente-anuncia-plano-para-ampliar-hospital-e-quer-tarefeiros-regulares-na-urgencia-e-cac-na-amadora/

“Temos uma situação de falta de recursos humanos naquela ULS [Unidade Local de Saúde], de muita falta de enfermeiros e de médicos, concretamente na urgência. As próximas semanas serão de grande pressão em LVT e concretamente no Amadora-Sintra”, antevia Ana Paula Martins. Já esta quinta-feira, o diretor-executivo do SNS considerou a situação no hospital “preocupante”. “O Fernando Fonseca é uma situação muito preocupante. [Esperemos] que este novo Conselho de Administração consiga reforçar as equipas, estabilizar as equipas, reorganizar o serviço de urgência e, dessa forma, minimizar o problema”, disse Álvaro Almeida aos jornalistas, depois de uma visita de trabalho ao hospital de Matosinhos.

“Temos uma situação de falta de recursos humanos naquela ULS [Unidade Local de Saúde], de muita falta de enfermeiros e de médicos, concretamente na urgência. As próximas semanas serão de grande pressão"
Ana Paula Martins, ministra da Saúde

Perante a falta de médicos, completar as escalas é uma tarefa cada vez mais difícil e só possível graças ao recurso a médicos tarefeiros. As carências nas equipas da urgência agravaram-se ainda mais a partir do verão de 2025, quando parte dos médicos começou a fazer turnos no então recém-inaugurado Hospital de Sintra, em Algueirão Mem-Martins, desguarnecendo o já deficitário corpo clínico do Fernando Fonseca.

Novo hospital de Sintra desviou profissionais, mas quase não teve impacto no alívio da urgência

“Termos mais um hospital não resolve os problemas. Para esse hospital poder funcionar, tiveram de ser deslocados profissionais do Hospital Amadora-Sintra. Foram recursos que se perderam”, disse o bastonário dos Médicos, Carlos Cortes. Quando questionado pelos jornalistas, esta quinta-feira, sobre se uma das soluções para reduzir os tempos de espera é retirar elementos da urgência do hospital de Sintra, o diretor-executivo do SNS adiantou que essa é uma das “questões” que o Conselho de Administração da ULS está “a analisar”.

A expectativa do então Conselho de Administração era de que a abertura da nova unidade hospitalar, nomeadamente da urgência, direcionada para os casos menos complexos, pudesse ajudar a aliviar a pressão que pendia sobre a urgência do Fernando Fonseca. Mas tal não aconteceu, uma vez que a capacidade da urgência só foi aproveitada pela metade. Num balanço, a ULS Amadora-Sintra dizia à Rádio Observador, em julho, que, no primeiro ano de atividade, registaram-se 36 mil episódios de urgência, muito abaixo da capacidade instalada, de 60 mil.

Voltando ao caso de João, que deu entrada na urgência do Amadora-Sintra na tarde de sábado, dia 29 de agosto, a espera pela primeira observação médica prolongava-se. “O problema é apercebermo-nos de que há pessoas que estão lá desde o dia anterior e ainda não foram vistas. Como é possível?”, questiona-se Maria do Céu. O cenário na urgência é sempre agitado. Maria do Céu conta ter visto o genro de um idoso a pedir que o sogro recebesse suporte de oxigénio, que tinha recebido indicação para fazer ainda na triagem.

“O senhor estava a tossir muito. Mas disseram à família que não poderia ser porque não havia nenhum médico disponível para definir o nível de oxigénio que ele tinha de receber”, conta. Ao fim de cinco horas, a família levou o homem para fora da urgência, provavelmente para um hospital privado, diz Maria do Céu. Apesar dos elevados tempos de espera, o cenário na urgência do Amadora-Sintra só não é pior porque muitos doentes e familiares acabam por desistir do atendimento. “Muita gente farta-se e vai-se embora“, diz. Maria do Céu, pelo contrário, não ponderou a hipótese de levar o marido para outro hospital. “Nunca me passou pela cabeça, porque eu queria saber se ele tinha mesmo um AVC”.

“O pânico maior é chegar à noite e ver que não estão a chamar ninguém”

Durante a noite, a fila de espera de pessoas praticamente não se altera, porque quase ninguém é chamado para os gabinetes médicos, conta. Instala-se, nessa altura, um silêncio quase total, só interrompido com a chegada de mais doentes à urgência, principalmente os que são transportados por bombeiros e INEM. Maria do Céu e o marido passaram a noite de sábado para domingo em claro.

Nesse período, viram doentes a dormir na sala de espera da urgência, deitados a ocupar várias cadeiras — duas, três, quatro. Outros dormitam sentados, incapazes de resistir ao cansaço. Cada doente e cada acompanhante instalava-se como podia, preparando-se para a longa espera que garantidamente teriam pela frente. “Muito de vez em quando, uma ou outra pessoa levantava-se para ir saber quanto tempo ainda demorava [até à observação médica]. Eu fui sabendo informações dessa forma. As pessoas vinham e partilhavam”, conta Maria do Céu. A urgência, explica, é também um espaço onde os doentes e familiares se entreajudam.

O fluxo de chegada de macas com doentes, transportados em ambulâncias do INEM e de várias corporações de bombeiros, é constante. Muitos são doentes crónicos, de idade avançada, que viram as suas doenças de base descompensarem-se e precisam de assistência. Outros chegam devido a acidentes. Na noite que passou na urgência do Amadora-Sintra, Maria do Céu viu chegar um homem que acabara de ser baleado. “Um senhor entrou em braços porque tinha levado um tiro na perna. Uma das pessoas que o estava a amparar fez o gesto do revólver”, relembra. O homem terá sido encaminhado para a equipa de cirurgia.

Doentes e familiares impacientam-se com o arrastar da espera. “Uma rapariga dizia que já lá estava desde as 5h de sábado, e ainda não tinha sido vista. Quando foi vista pelo médico já estava há quase 24 horas na urgência”, diz Maria do Céu, para explicar que o caso do marido (que esperou quase 23 horas pela primeira observação médica) não foi o único. Outro doente, um idoso de 92 anos, doente cardíaco, esperou 25 horas. “O senhor estava lá, com a filha, que lá estava desde as 9 horas de sábado, e foi primeiro a ser chamado, no domingo pelas 10h, e depois saiu pelas 18h. A filha disse-me ‘Vou sair, mas é porque eu apressei'”, conta.

Durante a noite, nos gabinetes médicos, a atividade é reduzida, diz Maria do Céu. “O pânico maior é chegar à noite e ver que não estão a chamar ninguém“. Foi o que aconteceu com João: durante toda a madrugada, de sábado para domingo, nunca foi chamado para fazer a primeira observação médica. Acabou por passar quase 23 horas (sem acesso à medicação para as doenças crónicas de que sofre) sentado numa cadeira de rodas até ser finalmente chamado. Já eram 13h44 de domingo. “O médico foi impecável, não ligou a nada, só à possibilidade de AVC. Mandou fazer uma TAC, raio-x e análises”, conta Maria do Céu.

Passado pouco tempo, e já com os resultados dos exames que tinha pedido, o mesmo médico detetou um aumento da quantidade de glóbulos brancos, o que indiciava uma infeção, cuja origem era ainda desconhecida. Da parte da Neurologia, vieram boas notícias: cerca de duas horas depois de ter sido chamado, e já com o resultado da TAC, João foi visto por um neurologista (que foi chamado pela equipa da urgência), e que afastou a hipótese de AVC. O raio-x também não detetou alterações.

"O maior desespero foi entre as 16h30 e as 2h30 de domingo, estávamos num sufoco. É extenuante fisicamente.
Maria do Céu, mulher de João, que também passou 36 horas na urgência do Amadora-Sintra

Já exaustos, e depois de mais de 24 horas na urgência, João e Maria do Céu ainda teriam de aguardar por um diagnóstico. À medida que a tarde de domingo avançava, Maria do Céu foi perguntando uma e outra vez sobre quando seriam chamados de novo para saberem o desfecho do episódio de urgência — e para perceberem qual era, afinal, o problema de saúde que afetava João. “Ainda me responderam mal. Mas compreende-se, estão esgotados“, relativiza a auxiliar de uma associação para pessoas com deficiência, dizendo compreender a elevada carga de trabalho a que as equipas que trabalham na urgência do Amadora-Sintra estão sujeitas.

“Ficámos à espera de que o médico nos chamasse para nos dar alta”, relembra. No entanto, as horas foram passando. E nada acontecia. “O maior desespero foi entre as 16h30 e as 2h30 de segunda-feira, estávamos num sufoco. É extenuante fisicamente. Ainda não estou recomposta. Foi muito duro”, diz Maria do Céu, alguns dias depois da maratona de espera do último fim de semana.

Farta de esperar, eram 2h30 da madrugada de segunda-feira quando Maria do Céu decidiu ir ao gabinete onde estava o médico que tinha estado a acompanhar João. A mulher apercebeu-se de que o médico se tinha, simplesmente, esquecido de chamar o marido. O processo tinha ficado esquecido, pelo meio das dezenas de outros casos que o mesmo clínico estava responsável por acompanhar naquela madrugada. A equipa médica não conseguiu identificar a origem da infeção, mas também não medicou João. Entregue a nota de alta, puderam voltar a casa, 36 horas depois. “Ficámos muito aliviados por ir embora”, admite Maria do Céu. “Mas, ao mesmo tempo, custou-me sair dali e ver que ficaram lá pessoas que já lá estavam ainda antes de termos chegado.”

*João é um nome fictício. O nome verdadeiro foi ocultado a pedido da família