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(A) :: As montanhas da Vuelta continuam a servir para lançar eslovenos: Jakob Omrzel coroa estreia em Grandes Voltas com vitória em Calar Alto

As montanhas da Vuelta continuam a servir para lançar eslovenos: Jakob Omrzel coroa estreia em Grandes Voltas com vitória em Calar Alto

Com apenas 20 anos, Omrzel afirmou-se como o sucessor de Pogacar e venceu depois de ter integrado a fuga do dia — com Almeida e Oliveira. Mas atacou e ganhou mais 40 segundos a Roglic e Gall.

Tiago Gama Alexandre
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Quarta-feira voltou a ser dia de sprint na Volta a Espanha. Depois de a Visma-Lease a Bike ter desiludido na véspera, no arranque da segunda semana de competição, redimiu-se na chegada a Lorca, com Wout van Aert a anular, uma vez mais, os ataques na fase final da etapa e a lançar Matty Brennan para mais um sprint perfeito rumo à vitória. O jovem britânico bateu Bryan Coquard (Cofidis) e Jordi Meeus (Red Bull-Bora-hansgrohe) e igualou Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) em número de triunfos nesta 81.ª edição da corrida roja: três. Como se perspetivava, não houve alterações na classificação geral, com Enric Mas (Movistar) a partir para mais uma etapa de alta montanha na liderança, à frente de Primoz Roglic (Red Bull) e Felix Gall (Decathlon CMA CGM).

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“Tomámos a iniciativa, mais uma vez. Os rapazes deram tudo, mesmo depois do dia difícil de ontem [terça-feira]. Demos tudo de novo. Ao aproximarmo-nos da meta, mantivemos bem a nossa posição e sabíamos que éramos suficientemente fortes para estar onde queríamos. Os rapazes fizeram um trabalho fantástico nos últimos dez quilómetros para nos mantermos no sítio certo e cruzámos a linha de meta em primeiro lugar. Estou realmente contente. É fantástico. Faço parte de uma equipa repleta de grandes campeões. Temos ciclistas que já estiveram no pódio de Grandes Voltas, que até já as venceram, e ciclistas que venceram clássicas e grandes corridas. O facto de darem tudo por mim é uma oportunidade incrível. Estou realmente grato por darem tudo por mim”, assumiu Brennan no final da 11.ª etapa.

“Acho que a organização planeou esta etapa a pensar nos ventos laterais. O tempo é o que é, e o vento não estava suficientemente forte. Chegámos na mesma situação em que começámos, por isso estou contente. Tenho memórias realmente más [de Calar Alto, em 2017] porque estava doente nesse dia. Estamos sempre a brincar com o meu massagista, Juanjo Lobato. Ele era velocista e, em condições normais, eu teria de subir melhor do que ele, mas naquele dia chegámos juntos e ele está sempre a brincar sobre isso. Amanhã [quinta-feira] espero poder desfrutar daquela última subida e continuar a vestir a camisola de líder no alto”, perspetivou o espanhol de 31 anos, que apelou ao público para se deslocar à última subida desta quinta-feira.

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As contas desta 12.ª etapa resumiam-se a 166,6 quilómetros, com 4.530 metros de desnível positivo acumulado distribuídos por cinco subidas: duas de primeira categoria, uma de segunda e duas de terceira. Como tem sido habitual nesta Vuelta, a partida deu-se em mais uma localidade que nunca tinha recebido a competição, em Vera, cidade de Almería conhecida por ser um dos principais pontos de nudismo do país vizinho. Quanto à chegada, Calar Alto voltou à última Grande Volta do ano nove anos depois, com a meta a ficar colocada junto ao maior observatório astronómico da Europa, a mais de 2.100 metros de altitude — a chegada mais alta desta edição. Até lá, os ciclistas tinham de passar por rampas sinuosas e com piso irregular, com a subida a ter 17 quilómetros a 5,6% de inclinação.

Sem David González (Pinarello Q36.5), Ben Tulett (Visma) e Lindsay de Vylder (Alpecin-Premier Tech), que não alinharam à partida, a terceira etapa mais dura desta Volta a Espanha arrancou a todo o gás, com João Almeida e Ivo Oliveira (Emirates) a tentarem integrar a fuga do dia, que só se formou antes do Alto de Cóbdar, já depois de Hamish McKenzie (Jayco AlUla) ter desistido e de Oscar Onley (Netcompany Ineos) ter caído. Nesse sentido, a dupla portuguesa juntou-se a mais 24 ciclistas na dianteira, entre eles Santiago Buitrago e Jakob Omrzel (Bahrain-Victorious), Van Aert e Tobias Halland Johannessen (Uno-X Mobility). Com os ataques, a primeira hora foi bastante caótica, tendo sido percorridos 46,7 quilómetros. Mais à frente, José Manuel Diaz (Burgos Burpellet BH) e Chris Hamilton (Picnic PostNL) fizeram a ponte para a frente, ao contrário de Pavel Sivakov (Emirates), que se afundou na segunda subida e esperou pelo pelotão.

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Em Collado García, Van Aert bateu Buitrago pela terceira vez na etapa e somou mais cinco pontos, aproximando-se do colombiano na liderança da classificação da montanha. Os dois aproveitaram o sprint a subir para fugirem ao grupo, mas voltaram a ser apanhados na parte mais plana. No início da penúltima subida do dia, Oliveira despediu-se da fuga e Almeida começou a meter ritmo e a selecionar o grupo, mostrando-se no comando durante quatro quilómetros. O português viria a quebrar pouco depois, numa altura em que o grupo principal deixou de ser pelotão. A seis quilómetros do alto, Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) atacou e ultrapassou um a um os ciclistas que seguiam em fuga. Na frente, Omrzel, que chegou a estar em segundo lugar na geral virtual, atacou com Léo Bisiaux (Decathlon). Os dois ataques acabaram por ser neutralizados na parte final de Velefique, onde Buitrago passou em primeiro.

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No grupo do camisola vermelha, Mattias Skjelmose (Lidl-Trek) e Sepp Kuss (Visma) foram os primeiros a quebrar, já com a Decathlon na frente. A equipa francesa deixou o grupo reduzido a apenas nove ciclistas, no momento em que, na frente, Bisiaux, Buitrago, Omrzel e Urko Berrade (Kern Pharma) escaparam. A 13 quilómetros do alto, Gall correspondeu ao trabalho da sua equipa com um ataque que deixou o resto do grupo para trás, à exceção de Mas e Roglic, que responderam de pronto. Quem também atacou foi Omrzel, que só foi acompanhado pelo espanhol. O terceiro ataque acabou por ser fulminante para o esloveno de apenas 20 anos que, por fim, descartou Berrade. A 11 quilómetros da meta foi a vez de Mas atacar em solitário, encontrando depois a ajuda do colega Raúl García Pierna, que tinha integrado a fuga.

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Na parte final do Calar Alto, Carapaz e Gregor Mühlberger (Decathlon) reentraram no grupo de Gall e Roglic, que também já tinham o apoio de Bisiaux e Luke Tuckwell. Ainda houve tempo para o austríaco atacar Roglic e Carapaz na rampa final, de modo a tentar evitar uma maior perda de tempo, mas o esloveno recolou a tempo. Na dianteira, Jakob Omrzel venceu pela segunda vez na carreira, depois de se ter sagrado campeão nacional de fundo no ano passado. Aos 20 anos, o ciclista da Bahrain, que se estreia numa Grande Volta, bateu o recorde de Tadej Pogacar (20 anos e 11 meses) e tornou-se no esloveno mais jovem de sempre a vencer numa corrida de três semanas. Em termos globais, desde Celestino Prieto (20 anos e dois meses), na Vuelta-1981, que não se via um ciclista tão jovem a triunfar numa Grande Volta. Berrade chegou a 1.56 minutos e Buitrago a 2.13. Mas chegou a 2.56 e ganhou 27 segundos a Gall, Roglic e Carapaz.

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Na nova geral, Enric Mas tem 1.45 minutos de vantagem para Primoz Roglic e 2.06 face a Felix Gall. No quarto lugar está agora Richard Carapaz (+3.53), que ultrapassou Oscar Onley (+4.29). Com a vitória na etapa, Jakob Omrzel subiu ao sexto lugar e está a apenas 30 segundos do líder da juventude (+4.59). Mattias Skjelmose (+7.42), Sepp Kuss (+7.58), Gregor Mühlberger (+8.27) e Harold Tejada (+8.33) completam o top 10. João Almeida anotou a sua melhor etapa nesta Vuelta desde o contrarrelógio inaugural (48.º) e subiu ao 105.º lugar, a 2.11,57 horas. Já Ivo Oliveira ganhou cinco posições, para 154.º a 3.00,17.