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Uso da inteligência artificial restrito em escolas de Nova Iorque

Nova Iorque vai proibir a utilização de IA por alunos das escolas públicas até ao 8.º ano. A medida faz parte de uma política que pretende proteger "o pensamento crítico dos alunos".

Filipa Vaz e Gala
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O acesso dos alunos a ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa vai ser restringido nas escolas de Nova Iorque, nos EUA. A medida anunciada esta semana pelo presidente da câmara, Zohran Mamdani, arranca já neste ano letivo e irá afetar cerca de 600 mil alunos das escolas públicas, quase dois terços do número total de alunos matriculados na região.

Segundo o que disse Mamdani, citado pela CNN, a cidade vai “descontinuar ou desativar os componentes de IA de mais de 38 programas anteriormente autorizados que não cumprem as novas normas de segurança e supervisão”.

Mamdani anunciou que a política também irá introduzir módulos de pensamento crítico sobre IA para alunos do secundário, duas vezes por ano, projetos-piloto de IA limitados para um pequeno número de salas de aula e que os chatbots de acompanhamento – bem como serviços generalistas como o ChatGPT e o Claude – serão bloqueados para todos os anos de escolaridade.

As crianças precisam de professores e de contacto humano para aprender e crescer. Elas precisam de desenvolver habilidades juntamente com os outros colegas, e precisam de construir relacionamentos com educadores e enfrentar problemas difíceis por conta própria”, declarou o presidente da câmara.

Também haverá restrições do tempo de ecrã a cada aluno consoante a idade. As únicas exceções para este ponto da medida são alunos com necessidades especiais e alunos que estejam a aprender inglês.

Foi, ainda, criada uma nova “Coligação para a Tecnologia nas Escolas” composta por educadores, pais, alunos, advogados e outros especialistas da área, que vai avaliar os impactos da moratória e apresentar recomendações para os próximos anos letivos.

Os professores podem continuar a usar ferramentas de IA para planear aulas e para outras “tarefas operacionais”, mas não para a atribuição de notas nem para dar avaliações aos alunos.

Os dois módulos de pensamento crítico, de 45 minutos cada, apresentarão aos alunos o que é e o que não é IA, bem como os vieses, riscos, considerações éticas e impactos relacionados com a IA nas carreiras futuras.

“Como chanceler e como pai, acredito que o nosso trabalho é proteger o que torna a aprendizagem eficaz, garantindo ao mesmo tempo que todas as crianças desenvolvam as habilidades de pensamento crítico necessárias antes de se formarem”, sublinhou o chanceler escolar de Nova Iorque, Kamar Samuels.

Com a medida, Mamdani quer garantir que todas as ferramentas tecnológicas utilizadas nas escolas nova-iorquinas passarão por uma revisão exaustiva e serão proibidas caso se determine que a sua funcionalidade não é essencial para a aprendizagem.

Michael Mulgrew, presidente da United Federation of Teachers, elogiou, de acordo com a CNN, a medida dos limites de tempo de utilização dos ecrãs com as exceções para alunos com necessidades especiais. No entanto, questionou a forma como o departamento de educação irá avaliar, no futuro, as salvaguardas de IA das ferramentas de aprendizagem, afirmando que as escolas ou os educadores podem ficar na incerteza quanto aos produtos cuja utilização é aprovada.

Kamar H. Samuels alertou para a importância da educação tecnológica em casa e não deixou de apelar aos pais para que ajudem na monitorização e regulação da tecnologia em casa. Mamdani afirmou, confiante, que a medida vai beneficiar professores, pais e alunos.

“A indústria tecnológica quer que acreditemos que a IA na educação infantil não só é inevitável, como também é necessária”, declarou Mamdani durante a conferência de imprensa de quarta-feira. “Nós não vemos as coisas dessa forma”, rematou.