O comandante do comando metropolitano de Lisboa da PSP defendeu nesta quinta-feira “menos discursos alarmistas” sobre segurança na praça pública, considerando que esta matéria requer um “trabalho efetivo e de coordenação” entre diferentes entidades, nomeadamente com as autarquias. O responsável diz que os crimes que mais subiram em Lisboa resultam de maior presença da PSP e pede mais investimento no apoio aos toxicodependentes.
“As questões de segurança fazem-se com trabalho e se calhar com menos discursos públicos. Faz-se com um trabalho efetivo, coerente, em parceria entre diversos atores sociais, e se calhar menos com discursos algo alarmistas na praça pública”, disse o superintendente-chefe Luís Elias, em entrevista à agência Lusa.
Este responsável da PSP respondia à Lusa sobre os alertas do presidente da Câmara Municipal de Lisboa para o clima de insegurança nas ruas da capital, tenho chegado a afirmar, no passado fim de semana, estar alarmado com a situação.
O comandando do comando metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP sustentou que o autarca de Lisboa “tem toda a legitimidade de preferir as declarações que entender”, mas defendeu que “as políticas de segurança pública requerem, muitas vezes, recato, trabalho efetivo e coordenação entre diferentes entidades, entre as quais a própria autarquia”.
“Penso que cada vez mais o discurso público relativamente às questões de segurança tem que ser sensato e devemos evitar o alarmismo”, referiu, avançando que os números da criminalidade na área do Cometlis não mostram esta situação de insegurança.
Segundo a PSP, a criminalidade geral aumentou 2,9% nos primeiros oito meses do ano na área do Cometlis e a criminalidade violenta e grave desceu 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Luís Elias considerou ser mais importante existir uma cooperação e parcerias permanentes entre a PSP e as autarquias do que “dizer que há uma situação de insegurança generalizada”. Até porque, sublinhou, “não parece que isso seja verdade e os próprios números oficiais não o demonstram”.
Partimos do particular para o todo e estamos a dizer que houve este crime e só por causa de este crime há um clima insustentável de insegurança. É bom que tenhamos a noção e a consciência e que façamos uma avaliação comparativa com outras cidades europeias, com outras realidades em termos internacionais”, afirmou.
Luís Elias sublinhou que Portugal não está hoje “fechado e separado do mundo”, existindo fenómenos criminais que nascem em outras cidades e acabam por ter impacto também no país.
Como exemplo, referiu que o turismo tem muitos fatores positivos, mas também representa “muitas vezes a importação de alguns fenómenos transnacionais de criminalidade”.
O comandante do Cometlis defendeu também a realização de um inquérito à vitimização para se perceber qual o verdadeiro sentimento de insegurança da população para que não seja feito “de forma meramente aleatória ou casuística”, considerando que “o sentimento de insegurança acaba por aumentar se for propalado e reproduzido até à exaustão”.
Tenho o dever de tranquilizar as pessoas e de dizer que a Polícia da Segurança Pública tudo faz para garantir a segurança pública e garantir a segurança dos cidadãos. Nos primeiros oito meses de 2026 registou-se uma subida de 10% dos crimes por atividade policial [mais operações e presença da PSP] e uma subida de 9% nas detenções relativamente igual ao período do ano passado”, destacou, frisando que isto demonstra “o espírito de sacrifício, profissionalismo e capacidade operacional” da PSP.
“Se temos problemas? Temos. Se estamos preocupados com alguns fenómenos? Estamos. Mas o que é importante é que os poderes públicos tenham a noção de que a segurança é feita em coprodução, não é apenas e só a Polícia de Segurança Pública que tem a responsabilidade por melhorar os índices de segurança ou de criminalidade”, avançou.
Luís Elias ressalvou que a PSP tem “um papel central”, mas precisa de apoio de diversas entidades públicas e privadas, entre as quais as autarquias, fazendo a Câmara Municipal de Lisboa parte da solução.
O comandante do Cometlis destacou ainda o apoio de muitas autarquias na cedência de recursos materiais para a PSP, como viaturas e equipamento.
Crimes que mais subiram em Lisboa resultam de maior presença da PSP
O aumento este ano de crimes como tráfico de droga, condução com álcool ou ilegal, desobediência e furtos por carteiristas na grande Lisboa explica-se principalmente, segundo a PSP, pelo reforço da presença policial nas ruas.
Em entrevista à agência Lusa, o comandante do comando metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP referiu que a proatividade policial e o aumento do número de detenções contribuíram para a subida de 2,9% da criminalidade geral na área do Cometlis nos primeiros oito meses do ano em relação ao mesmo período de 2025.
O superintendente-chefe Luís Elias realçou que o trabalho policial acaba por ter “um fator alavanque também na criminalidade geral”, acrescentando que há crimes “que só aparecem nas estatísticas fruto da atividade policial”, os chamados “crimes de proatividade policial”.
Estou a referir, nomeadamente, aos crimes de tráfico de estupefacientes, a resistência e coação ao funcionário, a condução ilegal, a condução em estado de embriaguez, desobediência, são um conjunto de crimes que subiram estes oito meses e que tiveram uma influência na estatística global e em termos de criminalidade geral”, disse.
O comandante do Cometlis destacou igualmente o aumento do número de detenções, referindo que até ao fim de agosto a PSP fez mais 500 detenções em comparação com igual período de 2025.
Comandante da PSP de Lisboa pede mais investimento no apoio aos toxicodependentes
O comandante do comando metropolitano de Lisboa da PSP pediu hoje mais investimento no apoio aos toxicodependentes, sustentando que o combate ao tráfico e consumo de droga “não é só da polícia”, mas também da saúde e segurança social.
Em entrevista à agência Lusa, o superintendente-chefe Luís Elias falou sobre o aumento do tráfico e consumo de droga na área do comando metropolitano de Lisboa da PSP (Cometlis) e da sua relação com alguma criminalidade, nomeadamente furtos a estabelecimentos e residências e os assaltos a pessoas nas ruas.
“O tráfico e o consumo de estupefacientes está no epicentro da criminalidade em Portugal. Já o esteve no passado, nomeadamente na década de 90, quando tivemos a epidemia de consumo de heroína, e volta a estar outra vez no epicentro, nomeadamente, muito associado ao consumo de cocaína”, disse, acrescentando que há também atualmente um aumento do consumo de drogas sintéticas e de ‘crack’.
Segundo Luís Elias, o consumo de cocaína “democratizou-se” e “deixou de ser uma droga das elites, passando a ser consumida por vários estratos sociais” devido ao preço reduzido e ao aumento da oferta, além de estar a ser atualmente vendida “muito adulterada”.