Ao fim dos dois primeiros dias de homenagens públicas, mais de 8.000 pessoas já haviam prestado o seu tributo junto da urna de Harald na Capela do Palácio, que foi aberta ao público esta terça-feira para uma derradeira despedida do antigo monarca. Ainda segundo a NRK, a capela permanecerá aberta para este fim até 8 de setembro, um dia antes do funeral.
É no próximo dia 9 de setembro, pelas 12h00 (hora de Lisboa), que a cerimónia irá decorrer na Catedral de Oslo. Esta quarta-feira, surgiram duas novas informações. A Casa Real declarou um período de luto até 9 de outubro, um mês após o funeral, o que significa que todos os programas oficiais estão cancelados, com exceção das reuniões de gabinete, da abertura do Storting, o Parlamento norueguês, e de audiências selecionadas. Durante o período de luto na corte, tanto a família real quanto os funcionários usarão roupas escuras ou uniformes com faixas de luto.
Mas há mais: todas as restantes cerimónias fúnebres na capital que possam coincidir com este momento devem ser transferidas para outros dias. O Conselho da Igreja de Oslo emitiu um comunicado proibindo cerimónias em dependências da igreja e com participação da igreja no dia do funeral de Harald, uma decisão apoiada pela Autoridade Cemiterial de Oslo, avançou à NTB a Funerária Jølstad, incumbida de organizar a cerimónia do rei.

Esta quarta-feira, o comandante da operação, Tomm Berger, da polícia de Oslo, disse ao Nettavisen que quando os convidados para o funeral do Rei Harald chegarem ao Aeroporto de Oslo na próxima semana, a polícia fechará temporariamente a E6 para fornecer uma rota desimpedida do aeroporto ao centro de Oslo para chefes de Estado, membros da realeza e outros convidados ilustres, estimando-se que a medida cause o mínimo dos impactos num dia que será por si previsivelmente agitado. Com os condicionamentos de trânsito a afetar também várias artérias sobretudo no centro da capital, as autoridades recomendaram ainda que o transporte coletivo seja preferido para as deslocações — e neste ponto há uma nota extra: quando todo o país cumprir um minuto de silêncio em honra do rei Harald no dia do funeral, às 12h00 em ponto, o transporte público está incluído e deve parar.
Durante o funeral do Rei Olav, em 1991, houve uma forte presença policial durante o cortejo pelas ruas de Oslo, apontando-se para um cenário semelhante em termos de reforço das medidas de segurança — de resto, serão implementados controlos temporários nas fronteiras internas entre os dias 4 e 14 de setembro.
É expectável que muitos se queiram juntar à manifestação de apreço nas ruas, seguindo o cortejo, embora o dia não tenha sido declarado feriado nacional, pelo que a generalidade dos serviços se manterá em pleno funcionamento — sendo de prever que todas as atividades abrandem no pico dos acontecimentos. Esta quinta-feira, foi anunciado que as universidades em todo o país irão suspender as aulas, reuniões e eventos previstos para que estudantes e funcionários possam acompanhar o funeral do Rei Harald.
A câmara de Oslo anunciou entretanto que serão instalados ecrãs gigantes em diferentes pontos da cidade para que o público possa acompanhar toda a procissão do Palácio até à Catedral de Oslo, onde a cerimónia também será transmitida.
Monarcas, príncipes e chefes de Estado republicanos
Por razões de segurança, as autoridades norueguesas não divulgarão quem participará do funeral do Rei Harald na quarta-feira, escreve esta quinta-feira o Nettavisen. No entanto, cada país participante tem liberdade para divulgar a sua própria participação, acrescentou a assessora de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cecilie Skjennald, ao jornal. Daí que ao longo da semana, vários nomes tenham sido já confirmados. Entre as famílias reinantes, da vizinha Dinamarca espera-se a presença do Rei Frederik X e da rainha Mary, que adiaram uma visita à Bélgica para estarem na Noruega. “O rei Harald era uma pessoa muito gentil. Era sempre um verdadeiro prazer estar na sua companhia, e compreendo porque era chamado de “o avô de toda a Noruega”, porque sempre teve um olhar atento para com os seus semelhantes”, disse a rainha Mary à Rádio Dinamarquesa, citada pela NRK. Esta quinta-feira, confirmou-se que também a rainha emérita Margrethe, o príncipe herdeiro Christian, a princesa Benedikte viajarão com os monarcas rumo a Oslo.
Já a família real da Suécia fará uma demonstração em peso dos laços que unem os dois países. O rei Carl Gustaf anunciou um período de luto pela corte, com bandeiras nos edifícios reais suecos a meia haste. A princesa herdeira Victoria, que era afilhada de Harald, divulgou uma declaração, distinguindo-o como “uma pessoa extraordinariamente agradável” e “um modelo”. O primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson descreveu Harald como uma “força de união” entre os países nórdicos. A líder sueca da oposição Magdalena Andersson recordou que Harald esteve com os noruegueses durante os melhores e os mais difíceis momentos. No funeral, estarão presentes o Rei Carl Gustaf, a Rainha Silvia, a princesa herdeira Victoria e o marido, o príncipe Carl Philip e Princesa Sofia, Duquesa de Värmland, e a Princesa Madeleine e o marido, Christopher O’Neill. A princesa Cristina, irmã mais nova do rei sueco, e o seu marido, Tord Magnuson, também assistirão.

Dos Países Baixos chega a confirmação dos Reis Willem-Alexander e Maxima, da princesa herdeira Amalia, e ainda da rainha Beatrix. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Mónaco indicou que também o príncipe Alberto de Mónaco se deslocará a Oslo, sem detalhar se estará acompanhado pela princesa Charlene. Ainda não é certo se o Rei Felipe VI e Rainha Letizia irão representar a Casa Real espanhola, especulando-se ainda se esse papel poderá ser ocupado pelos monarcas eméritos, Juan Carlos e Sofía. Ao leque, juntam-se ainda os reis dos belgas, Philippe e Mathilde, e os príncipes herdeiros do Japão, Akishino e Kito, em representação do imperador.
Já esta quinta-feira novos nomes foram anunciados: o Grão-Duque Guillaume e a Grã-Duquesa Stéphanie de Luxemburgo (e ainda o Grão-Duque Henri, que abdicou no ano passado); bem como o príncipe Alois e a princesa Sophie de Liechtenstein, informou a respetiva Casa Real num e-mail à NRK.
Buckingham ainda não revelou quem irá representar Carlos III em Oslo, já que não é costume o monarca britânico assistir a funerais de Estado fora do reino – em 70 anos de reinado Isabel II quebrou o protocolo uma única vez, por ocasião da morte do rei Balduíno da Bélgica, em 1993. Especula-se que essa missão possa ser confiada à princesa Ana, madrinha do Rei Haakon VIII.
Entre os chefes de Estado republicanos há também já várias confirmações, caso de Alar Karis, Presidente da República da Estónia, Frank-Walter Steinmeier, Presidente da República Federal Alemã; Halla Tómasdóttir, Presidente da Islândia; Edgars Rinkēvičs, Presidente da Letónia, Gitanas Nausėda, Presidente da Lituânia, o presidente checo, Petr Pavel; o presidente finlandês Alexander Stubb; o presidente húngaro András Baka; ou a presidente eslovena, Natasa Pirc Musar.
Portugal, apurou o Observador, estará representado através do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
A Embaixada do Vaticano em Estocolmo informou que caberá ao cardeal Christophe Pierre representar o Papa Leão XIV. O embaixador do Vaticano na Noruega, o arcebispo Julio Murat, também estará presente no funeral.

A ocasião marcará um momento profundamente pessoal para a família real norueguesa, com uma nota extra de angústia proporcionada pelas preocupações de saúde com Mette-Marit. Devido a complicações motivadas pelo transplante de pulmão a que se submeteu, a Rainha não conseguiu assistir à cerimónia solene no Parlamento, na passada terça-feira, na qual Haakon e a princesa herdeira, Ingrid Alexandra, juraram a Constituição. Mette-Marit passaria mesmo pelo Hospital Nacional para ser observada, regressando a casa já na noite dessa jornada, acompanhada pelo marido.
Ao contrário da família real britânica, cujo protocolo envolvendo cerimónias desta natureza é conhecido com antecedência e frequentemente associado a nomes de código, poucos detalhes confirmados estavam disponíveis publicamente antes do anúncio da morte de Harald V, no dia 28 de agosto.
Quanto às principais etapas reservadas para dia 9, estima-se que sigam o padrão dos rituais modernos. O caixão deverá ser escoltado pelos militares e membros da Guarda Real, e transportado pelas ruas de Oslo. Em sinal de respeito, é comum o país parar as suas funções durante este momento, tal como sucedeu com o Rei Olav V, em 1991. O funeral oficial de Estado será celebrado pelo Bispo da Igreja da Noruega, Olav Fykse Tveit.
A última morada do monarca é o mausoléu real, na Fortaleza de Akershus, para onde seguirá a urna, acompanhada por uma procissão menor e mais privada. Akershus é um castelo medieval na capital norueguesa, datado de 1300, nas margens do Oslofjord, erguido para proteger e servir de residência real. Após uma curta cerimónia final na Capela do Castelo, a urna do rei deverá ser descida à cripta real.

Esta quarta-feira, foi também anunciado que o túmulo do monarca, cujo corpo foi embalsamado, já estava a postos. Trata-se de um projeto cujos detalhes não estiveram isentos de polémica.
Em 2024, foi noticiado que a empresa norueguesa de arquitetura Snøhetta, um dos ateliers de design mais célebres do país, tinha sido contratada para projetar um túmulo conjunto para o Rei Harald e a Rainha Sonja, a um custo de aproximadamente 20 milhões de coroas norueguesas, cerca de 1,8 milhões de euros.
A ausência de concurso público e adjudicação direta à empresa, que também projetara a Ópera de Oslo, mereceu críticas, reforçadas pelo facto de os detalhes do projeto terem sido mantidos em sigilo. O Palácio Real acrescentava que o design, material e conceito artístico só seriam conhecidos no funeral de Harald, uma abordagem que contrastou com a linha seguida por outros monarcas – em 2018, o túmulo da rainha Margarida da Dinamarca foi concluído e mostrado ao público.