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“Em conjunto, as investigações policiais, os padrões dos crimes e as conclusões dos serviços de informação comprovam a responsabilidade da Rússia pela tentativa de ataque no aeroporto de Leipzig”. Foi com estas palavras que o ministro da Administração Interna da Alemanha culpou Moscovo pelos acontecimentos do dia 4 de agosto em Leipzig, quando um drone com explosivos foi encontrado na asa de um avião de carga ucraniano.
As indicações e relatos do envolvimento russo acumulavam-se há semanas, mas a acusação formal — e as consequentes reações dos aliados e da Rússia — só chegou esta terça-feira. Numa breve conferência de imprensa, de apenas dez minutos, Alexander Dobrindt, juntamente com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, detalhou como Berlim concluiu que o ataque híbrido foi levado a cabo por “agentes de baixo nível” que foram recrutados e receberam informações sobre como executar o ataque por agentes do Estado russo.
“O comportamento perigoso da Federação Russa é parte de uma tentativa de desestabilização, desinformação, ameaças, sabotagem e agressão”, declarou Wadephul, que acrescentou que Berlim irá responder com “uma ação proporcional e medida, mas ainda assim igualmente firme”.
Os primeiros passos desta ação foram a convocatória do embaixador russo em Berlim e o encerramento do consulado da Rússia em Bona — a partir do dia 18 de setembro —, assim como da Russian House, centro cultural em Berlim acusado de acolher espiões de Moscovo, detalhou o ministro.
A solidariedade dos aliados e a crítica de Moscovo à “decisão anti-russa”
Na sequência das declarações, a presidente da Comissão Europeia e o secretário-geral da NATO expressaram solidariedade com Berlim. “Vamos manter a UE unida apesar destes atos escalatórios e sérios. O Governo alemão tomou medidas firmes. E a mensagem é clara: os ataques híbridos não vão passar sem uma resposta clara”, escreveu Ursula von der Leyen nas redes sociais.
https://twitter.com/vonderleyen/status/2094814604358533554
Mark Rutte escreveu por sua vez que a “NATO vai continuar a fortalecer a [sua] capacidade de deter [ameaças] e de defender os aliados contra todas as ameaças”. “As tentativas da Rússia de nos intimidar e minar a nossa unidade e a nossa disponibilidade para apoiar a Ucrânia são fúteis e vão falhar”, acrescentou, também nas redes sociais. Von der Leyen e Rutte irão reunir-se esta quarta-feira para debater a resposta coordenada do bloco europeu e da Aliança Atlântica à guerra híbrida.
https://twitter.com/SecGenNATO/status/2094818411066904731
O sentimento foi partilhado por vários dos aliados de Berlim, incluindo Portugal. Pela voz do primeiro-ministro, o Governo expressou “total solidariedade à Alemanha” e prometeu “não vacilar” na defesa dos aliados e da Ucrânia. A posição foi vincada por Paulo Rangel, que falou diretamente com o homólogo alemão. “A segurança coletiva na Europa assenta nesta solidariedade constante e inabalável”, transmitiu o ministro dos Negócios Estrangeiros a Wadephul.
No sentido inverso, a ação alemã foi classificada por Moscovo como “uma decisão anti-russa”. “Berlim agravou as relações com Moscovo com um pretexto totalmente rebuscado“, criticou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, que prometeu responder a Berlim.
[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]