Em 2022, chegou ao Benfica por cerca de 10 milhões de euros. Poucos meses depois, saiu para o Chelsea por 121 milhões de euros — recorde britânico. Agora, em 2026, sai do Chelsea para o Manchester City por 125 milhões de libras (cerca de 146 milhões de euros) e iguala o recorde britânico de transferências. Enzo Fernández tem 25 anos e já foi transacionado por mais de 230 milhões de euros ao longo da carreira.
O padrão é fácil de identificar: joga um Mundial, brilha e muda de clube por valores que reescrevem a história das transferências. A primeira do Benfica para o Chelsea. A segunda de Londres para os cityzens.
A história começa no Qatar. Em dezembro de 2022, Fernández era um médio argentino de 21 anos que o Benfica tinha contratado nesse mesmo verão ao River Plate por cerca de 10 milhões de euros. Tinha jogado apenas meia época em Portugal quando chegou ao Mundial como suplente e saiu como uma das figuras do torneio — eleito melhor jovem jogador da prova, decisivo em jogos cruciais, incluindo um golo frente ao México que ajudou a Argentina a passar da fase de grupos. O Chelsea não esperou pelo verão. No último dia do mercado de janeiro de 2023, pagou ao Benfica 121 milhões de euros para ativar a cláusula de rescisão. Esse valor superou os 100 milhões de libras (cerca de 116,5 milhões de euros) que o City tinha pago por Jack Grealish em 2021.
Em Londres, a carreira foi irregular. Teve momentos de grande qualidade — foi capitão do Chelsea em 2024/25 e foi peça importante na conquista da Liga Conferência em 2025 — mas nunca chegou a ser consistentemente o jogador que a etiqueta de 121 milhões prometia. O Real Madrid seguiu-o. O City de Guardiola mostrou interesse. O Chelsea segurou-o. Até ao Mundial de 2026.
Nos Estados Unidos, México e Canadá, Fernández voltou a ser influente na campanha da Argentina. A seleção de Lionel Scaloni chegou à final. Fernández foi um dos que mais jogos disputou — sete —, terminando a campanha com uma expulsão no derradeiro jogo, que a seleção espanhola venceu. Como em 2022, o mercado de transferências acompanhou a regularidade de Enzo na albiceleste e tratou de fazer o resto. O Manchester City, que precisava de reconstruir o meio-campo após as saídas de Rodri, Bernardo Silva e, há mais tempo, Kevin De Bruyne, fez de Fernández a sua grande aposta. O Chelsea, que inicialmente fixou uma valorização de 120 milhões de libras (quase 140 milhões de euros) e chegou a afirmar a 14 de agosto que o jogador ficaria para a época 2026/27, acabou por ceder — à semelhança da promessa em forma de gesto feita pelo jogador, mas nos tempos do Benfica, em 2022/2023.
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Enzo Maresca, que treinou o argentino em Stamford Bridge durante 18 meses antes de assumir o City, foi decisivo no processo de convencimento. “Enzo só queria o Manchester City”, assegurou Fabrizio Romano no anúncio do negócio.
https://twitter.com/FabrizioRomano/status/2094814268042453369
O valor acordado foi de 125 milhões de libras (146 milhões de euros), que igualou o recorde britânico que o Liverpool tinha estabelecido ao contratar Alexander Isak ao Newcastle. A nível mundial, é apenas ultrapassado pela mudança de Neymar do Barcelona para o PSG, pela transferência de Mbappé do Mónaco para o PSG e pela chegada de Dembelé a Barcelona, vindo do Borussia Dortmund. Para o City, é mais um investimento pesado numa janela de mercado que já inclui Elliot Anderson, do Nottingham Forest, por 135 milhões de euros, e Ayyoub Bouaddi, do Lille, por 95 milhões de euros. Só em médios-centro, o clube gastou mais de 300 milhões de libras (quase 350 milhões de euros) neste mercado. Agora é Enzo que chega, com um contrato até 2032, com opção de mais uma época.
O padrão que define a carreira do médio sul-americano não tem fugido à regra. Em 2022, saiu do Qatar com os troféus (coletivo e individual) e com um valor de mercado que o Benfica aproveitou para encaixar um retorno de mais de 10 vezes o investimento inicial. Em 2026, saiu de Nova Jérsia sem troféu, mas com o mesmo impacto no mercado. O médio argentino não é nem nunca foi o melhor do mundo, mas é, de forma consistente, um dos jogadores mais valiosos na sequência de um Campeonato do Mundo — foi isso que o Chelsea e o Manchester City entenderam. Dois Mundiais, dois recordes britânicos de transferências. O próximo será em 2030, em Portugal, Espanha e Marrocos. Se o padrão continuar, resta apenas saber onde estará Enzo Fernández — e por quanto.
[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]