(c) 2023 am|dev

(A) :: Caso Lindsay Clancy. Depois de 18 horas de deliberações, júri não chegou a acordo e recebe ordem do juiz para continuar a deliberar

Caso Lindsay Clancy. Depois de 18 horas de deliberações, júri não chegou a acordo e recebe ordem do juiz para continuar a deliberar

O juiz pediu ao júri que continue a deliberar, considerando a dimensão do caso e a quantidade de provas. William Sullivan só pode fazer este pedido algumas vezes antes de o julgamento ser anulado.

Madalena Moreira
text

Depois de quase 19 horas de deliberações, ao longo de três dias, o júri do julgamento de Lindsay Clancy, a mulher norte-americana que matou os três filhos e tentou depois suicidar-se, não chegou a um veredito. O ponto de situação foi feito esta terça-feira pelo juiz William Sullivan, que ordenou aos doze jurados que continuem as deliberações.

Eu sei que este foi um longo julgamento. Eu sei que houve mais de 80 testemunhas, mais de 300 provas. Mas por causa disso, eu vou pedir-vos que voltem a sair, mantendo em mente todas as instruções que vos dei”, declarou o magistrado, citado pela NBC News. “Saiam e continuem, por agora, com as deliberações”, indicou ainda.

O júri, composto por nove mulheres e três homens, começou as deliberações sobre o mediático caso na quinta-feira à tarde. Na sexta-feira, o grupo pediu para rever algumas provas que ainda não tinha analisado: frascos de medicação e uma faca que Clancy terá utilizado antes de saltar de uma janela, numa tentativa de se suicidar.

https://observador.pt/especiais/psicose-pos-parto-ou-crime-planeado-como-o-julgamento-de-lindsay-clancy-se-transformou-numa-febre-de-conspiracoes-nas-redes-sociais/

Na segunda-feira, depois de o juiz ter ordenado o fim do dia de deliberações mais cedo do que previsto, o advogado de Clancy, Kevin Reddington, declarou aos jornalistas que a cliente estava “nervosa, mas amparada pelo apoio” que recebeu, principalmente no formato de cartas de pessoas que “sabem que ela é uma pessoa maravilhosa, maravilhosa”.

Em tribunal, Reddington argumentou que Clancy sofreu de psicose pós-parto e que o sistema de saúde falhou em assegurar o apoio que a enfermeira procurou antes de matar as três crianças. Por outro lado, os procuradores retrataram as ações como ponderadas e clínicas. “Ela mentiu, manteve-se calma. Teve controlo total sobre as suas emoções e comportamentos”, acusou a procuradora Jennifer Sprague.

A CNN compara este caso ao de Andrea Yates que, em 2006, afogou os cinco filhos numa banheira. À data, depois de 13 horas de deliberações ao longo de três dias, o júri decidiu que Yates era inocente, ou seja, que não podia ser criminalmente responsável pelos seus crimes devido a anomalias psíquicas.

No estado de Massachusetts, onde decorre o julgamento de Clancy, a lei obriga a que o júri alcance uma decisão unânime para um julgamento criminal. O júri pode declarar que Clancy é inocente ou culpada dos três homicídios em primeiro grau que lhe são imputados pelos procuradores. Contudo, desde que a decisão seja unânime, o júri também pode declarar Clancy culpada de outros crimes menores: três crimes de homicídio em segundo grau ou três crimes de homicídio involuntário.

Se este impasse se mantiver, mesmo depois de repetidos pedidos do juiz para continuarem as deliberações, o julgamento acabará por ser anulado. David Rossman, diretor do programa de Direito Criminal da Universidade de Boston, afirmou à imprensa local que, dadas as características do julgamento, é expectável que William Sullivan utilize todas as ferramentas ao seu dispor para pedir novas deliberações antes de declarar a anulação. “Este tem sido um julgamento muito trabalhoso e [a anulação] custaria muito”, apontou.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]