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EUA trazem Rússia para o G20 pela primeira vez em quatro anos — e vetam jornalistas da Bloomberg e do NYT

Na primeira reunião do fórum internacional desde o início do conflito no Irão, a presença da Rússia e a ausência de jornalistas de alguns media motivou críticas à organização norte-americana.

Mariana Carvalho
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Pela primeira vez desde que teve início a guerra da Ucrânia, em 2022, a Rússia está presente numa reunião do G20 — o fórum internacional que reúne os países com as economias mais avançadas do mundo ou que demonstram o desenvolvimento mais significativo —, desta vez a convite dos EUA. O país americano acolhe a primeira reunião dos 20 desde que teve início a guerra no Médio Oriente. Com a duração de dois dias, o evento decorre na cidade de Asheville, na Carolina do Norte, e pretende debater o impacto do conflito na economia global, além do excedente comercial de bens provenientes da China e da tecnologia emergente da inteligência artificial.

Segundo a agência Reuters, alguns dos ministros presentes na sessão de abertura do evento, esta segunda-feira, ficaram surpreendidos quando viram o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, na mesa dos 20. “Não confiamos na Rússia. Mentem constantemente e é preciso ser mesmo, mesmo cauteloso a discutir com eles”, admitiu o ministro polaco das Finanças, Andrzej Domanski, à Reuters, apesar de reconhecer que o país-anfitrião tem o direito de trazer convidados. “Para mim, seria muito difícil ter algum tipo de conversa com a Rússia.”

Siluanov afirmou que compareceu ao encontro do G20 para participar numa reunião bilateral sobre cooperação financeira com o secretário de Estado do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. Uma fonte oficial contactada pela Reuters deu conta de que a reunião teve o objetivo de discutir o acordo de paz de Donald Trump na Ucrânia.

https://observador.pt/2026/08/31/secretario-norte-americano-do-tesouro-reune-se-com-homologo-russo-para-debater-guerra-na-ucrania/

A presença do país agressor da Ucrânia, de acordo com a maioria das nações participantes, no fórum internacional mostra um afastamento em relação à posição dominante em abril de 2022, quando até a participação virtual da Rússia num ‘encontro’ motivou a retirada de dirigentes políticos norte-americanos, britânicos, canadianos e do Banco Central Europeu, como forma de protesto.

Além da presença polémica da Rússia, os EUA também impediram a cobertura do evento por certos jornalistas, entre os quais os repórteres da Bloomberg News e alguns profissionais do The New York Times e do The Wall Street Journal.

Citado pela Reuters, o ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, criticou a decisão, afirmando que “os meios de comunicação têm o interesse completamente legítimo de noticiar de forma livre e aberta este encontro do G20“. O departamento do Tesouro norte-americano, por sua vez, disse que 300 canais de media estavam a cobrir o evento, incluindo outro repórter do The New York Times, e acrescentou que o acesso ao evento implica “a responsabilidade de noticiar informação factual e consistente com os standards jornalísticos“.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]