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Nascimentos recorde aumentam população do kākāpō, o papagaio que não voa e pode pesar 4 quilos

Outrora abundante na Nova Zelândia, o número de kākāpōs desceu drasticamente com a chegada do homem. Mas um nascimento recorde de crias elevou a população do animal para números há muito não vistos.

Filipe Costa
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É o mais pesado papagaio do mundo, não voa e corre perigo crítico de extinção. Mas o nascimento de mais 90 crias elevou a população da ave para cima dos 300 exemplares, um número que não se registava há pelo menos 75 anos, conta o The Guardian. O aumento deveu-se à frutificação em massa de uma árvore nativa da Nova Zelândia, que fez do kākāpō – o nome deste animal noturno – uma espécie abundante naquele país.

“Outrora amplamente disseminado pela Nova Zelândia, o número de kākāpōs desceu drasticamente após a chegada do homem, devido à caça, aos predadores e à perda de habitat”, informa o Departamento de Conservação da Nova Zelândia (DCNZ) numa nota divulgada esta semana.

A mesma nota explica que os esforços de conservação do animal tiveram início em 1894, mas a espécie chegou a estar à beira da extinção em meados do século XX, já que os papagaios se reproduzem em ciclos de dois a quatro anos, quando as árvores nativas de rimu produzem grandes quantidades de bagas.

Este ano, uma colheita abundante levou à produção de um número “recorde” de crias, nota num comunicado a gestora das operações de recuperação e conservação do kākāpō, Deidre Vercoe.

https://observador.pt/2026/02/24/frutos-silvestres-despertam-romance-e-podem-salvar-papagaio-nao-voador-da-nova-zelandia/

“Tivemos um intervalo de quatro anos entre as épocas de reprodução, por isso é fantástico ver finalmente a população a aumentar depois de todo este tempo”, diz.

Além do peso incomum e da incapacidade de voar, o kākāpō distingue-se pela sua longevidade, podendo viver entre 60 e 90 anos. Tratando-se, possivelmente, da “espécie de ave com maior longevidade”, informa o DCNZ.

Durante a época de reprodução, os machos reúnem-se em “lek”, ou seja, num mesmo local, para produzir um som que pode propagar-se até 5 km de distância. Depois de escolhido o parceiro e de acasalarem, as fêmeas podem pôr entre um e quatro ovos. Depois, são elas que assumem a responsabilidade dos recém-nascidos, abrigando-os durante seis meses em ninhos que constroem nos solos.

Em 1995, foi criado um programa de recuperação com uma população de apenas 51 aves, das quais apenas 20 eram fêmeas. Hoje, são mais de 300 os papagaios que se concentram “em ilhas protegidas ao largo da costa e num santuário cercado no continente”, nota ainda o DCNZ.

Segundo Vercoe, a próxima época de reprodução poderá ocorrer já em 2028. “Vamos parar um momento para refletir sobre este ano notável”, diz, “mas já estamos a olhar para 2028 e a preparar-nos para o que poderá vir a seguir”, remata.