Terminada a primeira semana, a Volta a Espanha continua em aberto, algo que parecia impensável há apenas alguns dias. De forma incontornável, o maior nome desta Vuelta foi também aquele que mais esteve em destaque nas primeiras nove etapas da última Grande Volta da temporada. Destinado a ganhar a prova espanhola para se juntar aos oito magníficos que triunfaram nas três corridas de três semanas, Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) entrou com tudo no Mónaco e assumiu a liderança. Em Andorra começou a escrever a história de uma prova dominada por si, algo que prolongou no sterrato de Castelló. Contudo, a etapa mais tranquila trouxe-lhe um grande dissabor, atirando-o para fora da competição. Carente de novos protagonistas, a Vuelta encontrou em Enric Mas (Movistar) o seu novo líder, com o espanhol a ganhar uma das etapas rainha e a partir para a segunda fase da competição na liderança.
https://observador.pt/2026/08/30/afinal-havia-um-mas-e-o-eterno-segundo-reforcou-o-primeiro-lugar-enric-mas-vence-no-alto-de-aitana-e-fica-mais-lider/
“Agora compreendo o Tadej, esta camisola dá-te asas [risos]! Hoje [domingo] viram a equipa. Acho que estivemos em grande em tudo, desde ontem [sábado] à tarde até agora. Acho que a equipa fez um trabalho fantástico. Estivemos super calmos o tempo todo. Controlámos a situação muito, muito bem. Senti-me muito bem no final. E, sinceramente, agradeço também a ajuda dos diretores por me manterem a par, a todo o momento, do que se via dos outros, o que me permitiu vencer. Melhor momento da carreira? Acho que sim. A sério, sou muito cauteloso porque já passei por muitas dificuldades ao longo da minha carreira, e temos de ir dia a dia. Acho que é uma das melhores sensações que já tive. Saí entusiasmado como uma criança. Poder vencer com a camisola é uma sensação muito, muito especial”, assumiu o ciclista nascido em Maiorca.
“Sinto-me novamente ao nível em que estava antes desta corrida, por isso estou contente. Senti-me bem hoje [domingo] e foi bom poder disputar a liderança. Trabalhei um pouco [com o Enric Mas], mas ele estava simplesmente mais forte, por isso tive de seguir na sua roda. Ele tem de ganhar tempo ao [Felix] Gall e ao [Primoz] Roglic, por isso diria que parte da responsabilidade dele era liderar o grupo. Claro que gostaria de ter vencido a etapa, mas não tinha pernas para o ultrapassar no final. Antes da corrida já estava a pensar no pódio, por isso nada muda. Vou continuar como até agora”, analisou Oscar Onley (Netcompany Ineos), segundo classificado da nona etapa e quarto da geral, a 2.20 do espanhol.
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O regresso à competição depois do primeiro dia de descanso deu-se na província de Albacete, com Alcaraz a receber pela primeira vez a partida de uma etapa da Vuelta. Já a chegada, igualmente inédita, ficou reservada para Elche de la Sierra, em Albacete, num dia com 2.720 metros de desnível positivo acumulado em 185 quilómetros, com direito a três contagens de montanha. A 10.ª etapa começou praticamente em subida, com o pelotão a enfrentar a primeira subida logo aos 22 quilómetros, embora o Puerto del Peralejo (5,2 km a 4,3%) aparecesse apenas ao quilómetro 47. Sensivelmente a meio da etapa estava o Puerto de Ayna (7,7 km a 4%) e, a pouco mais de 20 quilómetros da meta, estava o Puerto de Socovos (9,8 km a 3,5%), que era a derradeira oportunidade para evitar um sprint. Apesar de o final ser bem mais fácil, os últimos quatro quilómetros eram feitos em subida, com pendentes máximas de 5%.
O dia que comemora a primeira vitória de Tadej Pogacar na Vuelta e numa Grande Volta, alcançada em 2019, arrancou sem George Bennett (NSN), que abandonou a prova para estar em forma para os Mundiais, e Henri-François Renard-Haquin (Picnic PostNL). Os ataques foram uma constante nos primeiros quilómetros, mas a fuga demorou a formar-se por conta das ambições das equipas dos velocistas, ficando reservada para o quilómetro 15 da etapa, altura em que Enzo Paleni (Groupama-FDJ United), Michael Gogl (Alpecin-Premier Tech), Jasha Sütterlin (Jayco AlUla), Fabian Weiss (Tudor), Sinuhé Fernandez (Burgos-Burpellet-BH) e Iván Cobo (Kern Pharma) atacaram, ganhando depois a companhia de Fredrik Dversnes (Uno-X Mobility). A primeira montanha de terceira categoria foi conquistada por Paleni, antes de Ben Turner (Netcompany) ter abandonado.
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Com Cofidis e Visma-Lease a Bike a controlarem a corrida em prol de Bryan Coquard e Matthew Brennan, respetivamente, a diferença baixou para 1.20 minutos na contagem seguinte, onde Weiss foi o primeiro. Depois do sprint intermédio, novamente dominado pelo suíço, a corrida partiu-se à frente e atrás, com a Soudal Quick-Step a tentar fracionar a corrida na última subida. Os ataques continuaram, em particular por Kevin Vermaerke (Emirates), mas Visma e Decathlon CMA CGM acabaram por compactar o pelotão a sete quilómetros Elche de la Sierra, quando Iñigo Elosegui (Kern Pharma) atacou, com resposta de Sepp Kuss (Visma) e Milan Vader (Pinarello Q36.5), mas os ataques continuaram.
Já no último quilómetro, Yevgeniy Fedorov (XDS Astana) e Xabier Azparren (Pinarello) atacaram e foram alcançados em cima da meta, com Bastien Tronchon (Groupama) a bater Magnus Cort (Uno-X) e Thibau Nys (Lidl) com alguma facilidade, vencendo pela primeira vez numa Grande Volta. Desta forma, Wout van Aert (Visma) acabou por não dar seguimento ao trabalho da sua equipa, com o comboio neerlandês a ficar aquém. Na geral continua tudo na mesma, com Enric Mas a manter 1.18 minutos de vantagem para Primoz Roglic (Red Bull-Bora-hansgrohe) e 1.39 face a Felix Gall (Decathlon).
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