A taxa de inflação homóloga subiu para 3,3% na zona euro em agosto, contra 2,9% em julho, um dado divulgado nesta terça-feira pelo Eurostat que, aos olhos dos analistas, torna (ainda) mais provável que o BCE decida subir a taxa de juro para 2,5% na próxima semana, a 10 de setembro. A inflação de Portugal, calculada pelo Eurostat, subiu para 3,6%.
Desde maio que a taxa de inflação na zona euro se mantinha em níveis inferiores a 3%, mas a subida dos preços da energia – que disparou para 14,3% neste mês – fez elevar a taxa global de inflação para um valor mais distante do objetivo do Banco Central Europeu (BCE), que é de uma inflação de 2%.
Excluindo os efeitos dos preços da energia, a chamada inflação subjacente (que exclui não só esses preços como os produtos alimentares frescos, o tabaco e o álcool), baixou de 2,5% em julho para 2,4% em agosto.
No entanto, o receio é que, mesmo sendo causada pelos preços da energia, a inflação mais elevada possa acabar por alastrar-se a outros setores da economia, incluindo às negociações salariais – os chamados “efeitos de segunda ordem” que podem fazer enraizar-se nos agentes económicos a perspetiva de inflação mais elevada, exatamente o que os bancos centrais querem combater.
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Os analistas do banco holandês ING dizem que, “até à data, não se verificou um repasse significativo do aumento dos custos energéticos para outros preços. E, em agosto, as empresas também se mantiveram tranquilas em relação aos aumentos de preços nos próximos meses”.
Mas, claro, os riscos de subida são muitos e a repercussão dos custos pode demorar. Os preços da energia podem voltar a subir, as secas estão a afetar as cadeias de abastecimento e a economia ainda apresenta um desempenho razoavelmente bom, o que facilita a repercussão dos custos mais elevados. Além disso, os indicadores de crescimento dos salários começaram a subir. Portanto, embora a situação esteja boa agora, é de esperar que a inflação subjacente aumente ainda mais nos próximos meses”, afirma o banco.
Neste contexto, para o BCE, “o aumento da taxa de inflação geral torna mais fácil justificar um aumento [da taxa de juro] em setembro”, conclui o banco de investimento.
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