O número de vítimas mortais na sequência da enxurrada que atingiu a fronteira entre o Nepal e a China na última quarta-feira subiu para 1.066, de acordo com as autoridades chinesas e o mais recente relatório da Autoridade Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Catástrofes (NDRRMA). Há ainda registo de 4.562 desaparecidos, entre os quais 583 estrangeiros.
Entre os desaparecidos no Nepal estão duas cidadãs portuguesas. Segundo fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que cita as autoridades nepalesas, um dos três desaparecidos contabilizados pela tutela “terá sido resgatado” esta terça-feira.
Do lado chinês, um português também estará entre os desaparecidos no Tibete, numa lista divulgada pelas autoridades chinesas que incluía 261 cidadãos de 23 países.
https://twitter.com/NDRRMA_Nepal/status/2094655510423449700
Pelo menos 11.814 pessoas foram até agora resgatadas, de acordo com as autoridades nepalesas. As equipas de emergência têm recorrido a helicópteros e outras aeronaves para chegar a comunidades isoladas em zonas onde estradas e pontes foram destruídas pelas cheias e deslizamentos de terras.
A catástrofe do dia 26 de agosto teve origem numa sucessão de fenómenos nas zonas de elevada altitude dos Himalaias. O colapso de um glaciar lançou grandes quantidades de rocha, gelo e água de degelo para os vales, desencadeando violentas cheias a jusante.
Cientistas que analisaram imagens de satélite indicaram que o colapso parece ter envolvido a cedência da rocha subjacente a um glaciar na região dos Himalaias. A queda de rochas teve uma força suficiente para ser registada como um evento sísmico.
https://observador.pt/especiais/colapso-quase-instantaneo-desastre-no-nepal-pode-ser-um-aviso-para-outras-montanhas-a-ciencia-que-explica-a-rutura-glaciar/
A consequente torrente de água e detritos atingiu rios que atravessam vales no Tibete e no Nepal, provocando uma rápida subida dos níveis das águas. As cheias arrastaram casas, edifícios, estradas e pontes e transportaram lama e rochas para as zonas a jusante.
As autoridades continuam as buscas por milhares de pessoas que permanecem desaparecidas, enquanto as equipas de emergência procuram prestar assistência aos sobreviventes em áreas onde estradas e outras vias de transporte ficaram danificadas ou intransitáveis. Uma das prioridades das operações de resgate é encontrar pelo menos 900 trabalhadores desaparecidos em 12 projetos hidroelétricos atingidos pelas enxurradas.