(c) 2023 am|dev

(A) :: Avante terroristas

Avante terroristas

O convite à Frente Popular para a Libertação da Palestina constitui um erro político grave que valida a violência radical.

Miriam Assor
text

A Frente Popular para a Libertação da Palestina, uma organização nacionalista e marxista-leninista, é considerada um grupo terrorista pelos Estados Unidos, União Europeia, Israel e por quem tem o cérebro no devido lugar. Não existe romantismo e palavras rebuçados para classificar sanguinários. Terrorista. A Frente Popular para a Libertação da Palestina é o que é. Não é da resistência. É um bando de bombistas.

Na anual Festa do Avante, cada vez mais atrás da civilização, carniceiros andarão de imperial na manápula e a dançar rocalhada, ou s num banco a palestrar estrume. Nojo. O convidado e aquele que convida estão bem um para o outro. Asco. Ao longo da história assassina, assumiu a responsabilidade de vários ataques selvagens, desvios de aviões e atentados bombistas, assassinato de muita gente, do ministro israelita, Ministro Rehavam Zeevi, ataques a sinagogas. Ninguém falou por eles, eles enchem a peitaça de orgulho para reivindicarem os lagos de sangue que as suas acções provocam. Para o PCP, judeus mortos ou, a glória das ratazanas, judeus israelitas na morgue é o prato principal para devorarem à mão. Por conseguinte, a morte judaica não é razão, longe de ser razão, para que nao rasasse no juízo do PCP convidar terroristas. O PCP tem as suas regras e fontes e não classifica os verdadeiros terroristas por terroristas. Neste caso, e quiçá noutros, os criminosos da Frente Popular para a Libertação da Palestinas são camaradas que executam o trabalho que é preciso ser feito. Matar, se possível um a um das pessoas que o adubo considera donos do mundo, os sionistas, os ocupantes. A opinião do partido do martelo e da foice sobre o terrorismo diz muito, ou quase tudo, dos pilares escabrosos sustentados pela  doutrina que enche cemitérios.

Em relação às críticas por se ter lembrado de endereçar convite a carniceiros, o PCP encosta o lombo na árvore fictícia: não rege relações internacionais por critérios impostos vindo de entidades sem credibilidade. Precisa de ajuda, ajudai gente fora da órbita. A União Europeia, por exemplo, não merece credibilidade. Putin, Xi Jinping e Kim Jong-un, esses sim. O convidado para o bailarico na atalaia é uma estrutura terrorista conhecida pelo envolvimento em inúmeros ataques contra alvos militares e civis israelitas. Para os comunistas, é igual à litrosa. Os países que assinam por baixo e por cima do terrorismo que integra as ações da Frente Popular para a Libertação da Palestina, possuem o peso da pena na digestão do PCP. A lista de convidados é o seu retrato fiel. Por dois anos, em 2006 e 2008, recebeu representantes das FARC, também classificadas como organização terrorista pela União Europeia, e autores pelo sequestro de dezenas de pessoas na Colômbia. Eram Santos e resistentes para o PCP.

O convite à Frente Popular para a Libertação da Palestina constitui um erro político grave que valida a violência radical. Ao receber um grupo oficialmente classificado como organização terrorista o PCP assume uma cumplicidade ideológica inaceitável. Escusado negar.

A justificação da direção comunista de que não guia as suas relações por “critérios arbitrariamente impostos” por Bruxelas é de um cinismo próprio de ditaduras. Repete-se, pois repete-se, é urgente: a Frente Popular para a Libertação da Palestina possui um historial documentado de atentados violentos, sequestros e ataques contra inocentes. Chamar à matança resistência e desvalorizar a polémica serve apenas para branquear o terrorismo global.

Ignorar as diretrizes de segurança e as listas oficiais contra o terrorismo da União Europeia é ignorar leis. Transformar um festival cultural e político num palco de propaganda para fações armadas radicalizadas significa ofender os valores democráticos nunca vistos na Soeiro Pereira Gomes. Diga-se, sem hesitação, que existe uma contradição moral, então o partido que tanto discursa sobre a paz e o direito internacional, afinal opta por acolher os que recorrem activamente à violência extrema.

Uma democracia madura como a portuguesa não pode assistir passivamente à normalização de movimentos extremistas no seu debate público. Sob o pretexto de defender a causa palestiniana, esta decisão apenas serve para isolar ainda mais o partido e manchar as pombas que a Festa do Avante afirma promover.

Há uma linha vermelha, e não é do comunismo, intransponível que separa o activismo  político da complacência com a crueldade  deliberada. Ao estender a passadeira a organizações que validam e glorificam o terror, o PCP normalizar o terrorismo.

Demonstra  um isolamento e uma cegueira ideológica preocupante. Para o PCP, parece bastar que uma organização se assuma como anti-imperialista  para que o seu currículo  bárbaro seja apagado ou desculpado. Esse relativismo moral é perigoso. O terrorismo não encontra justificação em lado nenhum, senhor Raimundo.

O secretário-geral do PCP, cumpre as regras à moda da casa, age ao som da cassete, e, em delírio, diz que Festa do Avante é como  um grande espaço de afirmação de esperança. É grande, é, mas ao contrário. O palco de conivência com o extremismo, cheira-lhe a esperanca. Errado. Mãos manchadas pelo terror jamais terão possibilidade de futuro.