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(A) :: Portugal deixou de ser Portugal – e Portugal perdeu-se: Geórgia vence em Matosinhos após página histórica em Espanha

Portugal deixou de ser Portugal – e Portugal perdeu-se: Geórgia vence em Matosinhos após página histórica em Espanha

Após uma primeira parte onde chegou a ter 11 pontos de vantagem, Portugal não conseguiu manter a intensidade defensiva, fez quase 20 turnovers e tiro exterior da Geórgia acabou por imperar (90-98).

Bruno Roseiro
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Tudo o que por norma costuma ser quase uma sentença de morte não passou de um passe para a segunda vida. Exemplo prático 1: depois daquela entrada desastrosa nos três minutos iniciais com várias perdas de bola sem lançamento, ia criar-se um fosso difícil de recuperar. Exemplo prático 2: depois de não ter evitado que uma vantagem de sete pontos se transformasse numa desvantagem de sete pontos, ia criar-se um fosso difícil de recuperar. Exemplo prático 3: depois de ver Neemias Queta ficar de fora por problemas físicos, ia criar-se um fosso difícil de recuperar. Contra tudo isso, Portugal lutou para fazer história – e fez história. Com um inédito triunfo num encontro oficial contra a Espanha, os Linces estavam na corrida ao sonho de chegarem pela primeira vez a um Campeonato do Mundo. Mais do que isso, a Seleção acreditava em si.

https://observador.pt/2026/08/28/portugal-com-historica-vitoria-em-espanha-na-corrida-ao-mundial-de-basquetebol/

A chegada de Rúben Prey para juntar-se em dupla 4-5 com Neemias Queta não só deu mais altura a Portugal como mostrou que o tamanho não é tudo. Porquê? A chave desse histórico triunfo diante dos espanhóis em Saragoça passou pela intensidade e pela agressividade com que os jogadores nacionais, sem exceção, foram a todas as bolas e lutaram por todas as posses como se fossem as últimas. André Cruz, apesar de não ter feito muitos minutos, chegou rapidamente às quatro faltas por perceber que eram momentos em que a equipa precisava que fizesse essas infrações que iam “prejudicá-lo” no plano individual. Se os espanhóis iam falando em “derrota chocante”, Portugal podia orgulhar-se por ter ganho por mostrar mais vontade.

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“Correram muito mais coisas bem do que mal. Durante a maior parte do tempo, conseguimos pôr em campo aquilo que era o nosso plano de jogo. O principal fator foi a equipa ter-se mantido sempre junta, coesa, especialmente nos momentos em que as coisas estiveram mais difíceis. Estivemos algumas vezes atrás no marcador mas recuperámos praticamente de imediato. Era muito importante não deixar a Espanha abrir uma diferença significativa. Nesses momentos difíceis, a equipa conseguiu estar sempre junta e reagir sempre coletivamente. É uma vitória muito importante, não só para nós e para os nossos objetivos imediatos, que são a qualificação para a fase final do Mundial, mas para o basquetebol português. Agora, tudo depende do que se fizer daqui para a frente”, resumira na passada sexta-feira Mário Gomes, selecionador nacional.

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Apesar da relevância desse triunfo, este era apenas um passo numa caminhada que só tinha jogos difíceis. O próximo, em casa, era frente à Geórgia, que vinha também de uma vitória convincente frente a Montenegro por 101-74. “Temos de ser uma equipa praticamente igual à que fomos em Espanha, o jogo exige-nos o mesmo tipo de armas que foram precisas. A Geórgia é talvez um pouco mais imprevisível, mas não é mais forte que a Espanha. Estamos numa fase da competição em que, cada jogo que ganhamos, estamos mais perto do nosso objetivo. Com a particularidade de termos ganho uma vantagem pelo facto de termos vencido onde ainda ninguém ganhou. Por isso é bastante importante manter essa vantagem”, dizia Mário Gomes.

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Mais “embrulhado” era impossível. À entrada para o Portugal-Geórgia, após mais uma derrota de Espanha após prolongamento na Grécia, a diferença entre ganhar e perder era também a diferença entre ficar em primeiro ou em sexto e último do grupo, tendo em conta o equilíbrio que se fazia sentir. A Seleção ainda sonhou na primeira parte mas o sonho acabou por cair no segundo tempo. As hipóteses de chegar ao Mundial ainda não estão fechadas mas esta foi a prova de como a única forma de manter essa hipótese que seria um feito histórico passa por manter o mesmo nível ao longo de 40 minutos e não apenas 20…

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Num Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos com casa cheia, e que contava com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, o jogo começou com as bancadas a vibrarem tanto ou mais com todos os desarmes que Neemias Queta ia conseguindo do que com os pontos que Portugal ia fazendo. Houve quase uma dose de ansiedade extra no arranque da partida depois do feito alcançado em Espanha mas que acabou por diluir-se com o tempo, com o aumento da agressividade defensiva a contribuir para que a Seleção chegasse a uma vantagem que atingiu os 11 pontos (22-11), antes do 24-16 que fechou o primeiro período.

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De forma inevitável, e aproveitando os momentos de rotação feitos por Mário Gomes, a Geórgia foi aproximando-se no marcador, forçou alguns turnovers de Portugal e fechou com uma desvantagem mínima de 42-41 com um grande triplo em cima da buzina de Alexander Mamukelashvili, um dos melhores com dez pontos a par de Tornike Shengelia. Do lado de Portugal, Travante Williams era o jogador mais pontuador (nove), com a particularidade de nove jogadores nacionais já terem inscrito o nome na lista de marcadores.

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A entrada voltou a ser forte mas, aos poucos, a Geórgia foi conseguindo perceber como atacar melhor todos os problemas que estavam a ser colocados por Portugal, nomeadamente um jogo interior que muitas vezes batia num “poste” chamado Neemias Queta. Foi aí que os triplos começaram a surgir, com um roubo de bola ainda no meio-campo nacional a Diogo Ventura a colocar de novo os georgianos na frente a 5.30 minutos do final do terceiro período e com Tornike Shengelia a abrir o livro nos lançamentos exteriores para sair na frente por 70-66 antes do último quarto e para chegar a um avanço de 13 pontos a 6.30 minutos do final (81-68), carimbando o triunfo nesse minuto para um resultado que terminou em 98-90.

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