Sete anos depois, a realidade mudara. Em 2019, Portugal fez a estreia no Campeonato da Europa de voleibol feminino que foi pouco mais do que um palco de aprendizagem, entre uma diferença avassaladora em relação a adversários como Itália, Polónia, Eslovénia, Ucrânia ou Bélgica, a quem ganhou o único set entre cinco derrotas. Agora, a formação nacional que se apresentava na segunda fase final da história era diferente. Sim, com evidentes disparidades de realidade em relação a muitas das equipas que teria pela frente, mas também, ou em paralelo, com alguma experiência adquirida a que não era alheia a subida da competitividade da Liga portuguesa. Foi por isso que, apesar dos três desaires iniciais, havia tudo menos alarmes a soar.
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A formação comandada agora por Hugo Silva sabia que o “seu” campeonato começava a partir daí. A Seleção teve um jogo muito competente na estreia diante do anfitrião Azerbaijão (3-1), perdeu depois de forma mais pesada com a Bélgica (3-0) e foi também derrotada de forma natural pelos Países Baixos (3-0). A partir daí, entrava na realidade onde tinha uma palavra a dizer. Não foi uma palavra, foi todo um texto. E, com duas vitórias diante da Espanha (3-1) e da Roménia (3-2), neste caso com uma recuperação fantástica num quarto set que parecia perdido antes do triunfo. Apesar do teórico favoritismo romeno, Portugal conseguia pela primeira vez chegar a uma fase final do Europeu em mais um passo na consolidação do projeto.
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“Já tive várias qualificações para os oitavos de final no masculino mas sem dúvida que esta é a mais marcante. Sabíamos que era possível, mas também sabíamos que o lado emocional ia pesar muito. Parecíamos uma equipa madura, ao contrário da idade que estas atletas têm. Parecíamos ser nós a equipa madura contra uma equipa imatura do outro lado. O jogo não fugiu àquilo que estávamos à espera. Todas elas estudaram bem o adversário e sabiam o que tinham de fazer. Obviamente que o lado emocional pesou muito. Foi necessário utilizar quase todas as jogadoras que tínhamos e elas foram muito importantes, como vão continuar a ser sempre. O voleibol feminino em Portugal está de parabéns”, salientou o técnico Hugo Silva após essa segunda vitória que carimbou a passagem aos oitavos mesmo tendo menos um ponto do que a Roménia (o primeiro fator a contar é o número de vitórias conseguidas e não o total de pontos somados).
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A partir de agora, o que viesse era “ganho”. Um ponto, um set, um jogo, tudo contava numa partida onde a Polónia, que ganhou de forma surpreendente o grupo A só com vitórias após derrotar na última ronda a anfitriã Turquia. “Isto é algo novo para todos, estar numa fase destas tão adiantada. Dá algum nervosismo mas é bom para todos. Vamos aproveitar este jogo para continuar a crescer e encarar o medo com a mesma expectativa de sempre, que é vencer”, salientava Hugo Silva na antecâmara da partida frente a uma ex-campeã europeia que surgia como uma das principais candidatas à conquista de medalhas no Europeu.
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“Estamos no palco de uma final, perante 12 ou 13 mil espectadores. É o sonho de qualquer atleta estar num palco destes. Os olhos vão estar colocados em cima de cada uma das atletas e Portugal estará atento àquilo que poderá ser a prestação desta equipa nacional. Temos de encarar este desafio como igual a todos os outros, não podemos ignorar o patamar em que estamos inseridos neste momento, mas vamos tentar que esse palco não crie ansiedade ou medo que possa prejudicar a equipa”, completara na antecâmara.
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Era aquilo que Hugo Silva queria evitar, foi aquilo que acabou por acontecer. Um parcial de 5-0 por parte das polacas logo no arranque colocou o primeiro set em 6-1, numa vantagem que chegou a ser reduzida com o passar dos minutos para dois pontos (13-11) antes de nova fuga no marcador das polacas para 20-11. Portugal quebrou na receção, deixou de criar tantos problemas no bloco e a Polónia aproveitou para fechar aquilo que se podia complicar por 25-18. Jogo acabado? Não, desafio reforçado, com a Seleção a ter um grande início de segundo set aumentando a agressividade de serviço com Joana Garcêz e Amanda Cavalcanti e tendo uma maior variação de ataques com a distribuição de Mariana Garcês para Ana Monteiro e Júlia Kavalenka que valeu vantagens de três (5-2) e quatro pontos (7-3). Só a meio do parcial “voltou” a Polónia, com um parcial de 6-0 a aproveitar um decréscimo do jogo nacional para chegar ao 18-13 e fechar com 25-17.
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Tudo parecia resolvido, não apenas pela diferença de valores mas também pela forma como uma vantagem que chegou a ser de quatro pontos se evaporou com um baixar da intensidade e agressividade na partida. No entanto, e mais uma vez, Portugal foi à luta, conseguindo chegar a um inesperado 6-0 no arranque do terceiro set que obrigou o técnico Stefano Lavarini a pedir um desconto de tempo e a mexer na equipa. Essas alterações tiveram efeito, com uma rápida recuperação para 6-4 e de seguida 6-6, mas a eficácia de bloco, o crescimento da defesa baixa e sobretudo a agressividade no serviço mantiveram Portugal na frente quase até ao final do set, altura em que a Polónia voltou a crescer e conseguiu mesmo fechar o encontro por 25-23.
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