Era um passo mais do que anunciado, mas ainda faltava a confirmação que marca o fim absoluto de uma era: Lionel Messi anunciou esta segunda-feira que não vai voltar a jogar pela Argentina, despedindo-se da seleção pouco mais de um mês depois da final do Mundial 2026 perdida para Espanha e menos de quatro anos depois da conquista do Mundial 2022.
O jogador do Inter Miami anunciou a decisão através de uma publicação nas redes sociais, escrevendo um longo texto a legendar uma fotografia com três páginas escritas à mão precisamente com o mesmo texto. “Depois deste tempo que passou desde a final e depois de pensar, quero comunicar-vos que me retiro da seleção”, começa por dizer, sem grandes receios, em parágrafos que diz ter escrito dois dias depois da final de Nova Jérsia contra Espanha.
“Foi uma decisão que doeu e que me dói na alma, mas entendo que é este o momento. Juro-vos que sempre dei tudo, não só nos últimos anos em que ganhámos tudo como também antes, sempre lutei e sempre dei tudo por esta camisola, para vos dar alegrias e fazer com que se sintam orgulhosos de ser argentinos através do futebol. Falta pouco, as etapas vão-se encerrando e esta é uma que me dói muito. Amo, amei e amarei sempre estar na seleção. Esvaziei-me, já não tenho mais para dar e, para além disso, estão a aparecer jovens muito bons que merecem estar lá”, acrescenta.
“Obrigado por todo o carinho destes 20 anos. Vou ter muitas saudades de vos ouvir lá dentro. Agora serei mais um de vocês, a apoiar sempre de fora (nos bons momentos e muito mais nos maus momentos). Obrigado à minha família por estar sempre, por me acompanhar nesta viagem tão bonita, mas difícil. Obrigado a cada um dos treinadores, companheiros e dirigentes com quem partilhei isto. Levo memórias e momentos vividos inesquecíveis. Vou com a tranquilidade e o orgulho de vos ter oferecido, em conjunto com os meus companheiros, os momentos sonhados. Foi uma loucura tê-los vivido com vocês. Amo-vos”, diz o jogador argentino.
“Obrigado, Deus, por me teres feito argentino. Vamos, Argentina! Escrevi estas palavras a 21 de julho, dois dias depois da final. Hoje e depois do que se passou com o meu pai, estou mais convencido do que antes”, termina, referindo-se à recente morte do pai, Jorge Messi, no início deste mês de agosto. O jogador de 39 anos despede-se da seleção 21 anos depois da estreia, em agosto de 2005 num particular contra a Hungria em que até foi expulso com cartão vermelho direto, e duas décadas depois de dar os primeiros passos ao mais alto nível no Mundial da Alemanha, em 2006.
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Ao longo de 207 internacionalizações e 125 golos, sendo o mais internacional e o maior goleador da história da Argentina por longas distâncias, conquistou duas Copa América (2021 e 2024), uma Finalíssima (2022) e ainda um Campeonato do Mundo (2022), disputando ainda outras cinco finais que perdeu (Copa América 2007, 2015 e 2016 e Mundial 2014 e 2026). O último jogo de Lionel Messi com a camisola da Argentina, portanto, foi mesmo a final do Campeonato do Mundo dos EUA, do México e do Canadá, em Nova Jérsia, perdida para Espanha — depois de um torneio em que marcou oito golos e fez quatro assistências, tornando-se o segundo melhor marcador da história da competição com 21 golos, menos um do que Kylian Mbappé.
De recordar que esta não é a primeira vez que Lionel Messi anuncia o adeus à seleção — ainda que, desta feita, tudo pareça ser naturalmente definitivo. Em 2016, depois de perder a final da Copa América e após as finais perdidas também na Copa América no ano anterior e em 2007 e no Mundial 2014, o então jogador do Barcelona chocou praticamente toda a gente ao garantir que não iria voltar a representar o país. Contudo, mês e meio depois, voltou atrás. Mais recentemente, ainda antes de acabar por festejar no Qatar, garantiu que o Mundial 2022 seria o último da carreira — mas a conquista desse mesmo Campeonato do Mundo acabou por levá-lo a tentar repetir o feito em 2026.
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