José Mourinho conseguiu vencer a Liga Conferência e chegar à final da Liga Europa na época seguinte, num projeto que tinha outro português, Tiago Pinto, como diretor desportivo. No entanto, e apesar desses feitos entre 2022 e 2023, não é pelos títulos que a Roma é grande – aliás, este século, e além dos feitos supracitados, a formação da capital transalpina venceu a Serie A em 2001, duas Taças (em 2007 e 2008) e outras tantas Supertaças (2001 e 2007). Os adeptos giallorossi vibram, apoiam e dão tudo e mais alguma coisa apenas pela ilusão de serem os primeiros, seja no Campeonato, nas outras provas nacionais ou até nas competições europeias. Foi isso que, depois de uma fase de quebra no pós-Mourinho, Gian Piero Gasperini conseguiu trazer de volta ao Olímpico. É isso que jogadores como Rodrigo Mora conseguem também trazer.
https://observador.pt/2026/08/25/cada-vez-que-toca-na-bola-acontece-algo-de-bonito-os-elogios-a-estreia-de-rodrigo-mora-e-a-defesa-de-de-gea-que-evitou-o-primeiro-golo/
Apesar de ter menos de uma semana de treinos e adaptação a uma nova realidade, o jovem avançado de 19 anos, que cumpre a primeira experiência fora do FC Porto, foi opção inicial na estreia da formação romana na Serie A e não demorou a encantar imprensa e adeptos, com 54 minutos que prometeram muito entre uma goleada no Olímpico frente à Fiorentina por 4-0 com hat-trick de golos de Malen e de assistências de Paulo Dybala. David De Gea ainda evitou que o português inaugurasse o marcador numa grande jogada individual da esquerda para o meio mas os giallorossi tiveram o melhor arranque possível numa temporada “especial” que ficará marcada pelo regresso à Liga dos Campeões (recebendo em dezembro o Sporting).
“O Rodrigo Mora foi uma escolha certa. Ele precisa de melhorar em alguns aspetos, mas estamos a falar de um talento extraordinário. Tem 19 anos e já foi campeão nacional pelo FC Porto. Tem, certamente, margem para evoluir, mas também tem personalidade e mostrou-a esta noite. Cada vez que toca na bola, acontece algo de bonito. Pelas características que tem, é resistente e apresenta valores atléticos de grande nível. Pode atuar em qualquer posição do ataque e tem o futebol como talento. É um jogador versátil, que pode jogar tanto à esquerda como à direita. Obviamente, ainda há trabalho a ser feito: ele está aqui há apenas uma semana e só fez cinco treinos. Mas vai dar-nos muitas alegrias”, destacou o técnico depois da estreia.
“Muito feliz pela estreia, mas ainda mais feliz pela vitória. Atmosfera incrível! Queremos fazer ainda melhor. Força Roma”, escreveu o jogador após essa estreia pela Roma no Olímpico.
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No entanto, essa tinha sido apenas uma espécie de primeiro passo, numa época que promete ser ainda mais competitiva do que a anterior no plano interno. Há o campeão Inter, há a sempre candidata Juventus, há o renovado AC Milan de Ruben Amorim, há o cada vez mais sólido projeto do Como de Cesc Fàbregas, há o Nápoles que não deixa de ser uma equipa que mete respeito, há a Atalanta que Gasperini ajudou a levantar, há a Lazio agora com Gattuso no comando que promete ir mais longe. Foi por isso que a semana foi marcada pelo mercado, com os romanos a garantirem mais dois reforços: Marten de Roon e Leonardo Balerdi.
“Chegaram dois líderes, como são o De Roon e o Balerdi. Damos uma força física importante à equipa, que tem talento, mas também precisava de personalidade. Estou satisfeito, ficamos muito sólidos. O De Roon foi algo que aconteceu rapidamente, em 48 horas. Não fazia parte dos planos da Atalanta e deram-lhe a liberdade porque queria muito vir para cá. Vamos ter um calendário muito exigente e precisávamos de completar não tanto o onze, mas sim o plantel, para o tornar mais competitivo. Agora ainda precisamos de um avançado e de um lateral esquerdo”, assumiu Gasperini antes do jogo frente ao Lecce. “Objetivos? É preciso conhecer também os adversários, os outros estão a reforçar-se de forma significativa. Nós somos uma equipa com mais soluções, mais robusta do que no ano passado”, acrescentou o técnico.
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Era esse aumento de alternativas que permitia a Gasperini montar a equipa em função do adversário, nesta fase fazendo apenas uma alteração com a saída de Rodrigo Mora para ser lançado apenas durante a partida e a aposta em Matías Soulé ao lado de Dybala no apoio ao avançado Malen. O tempo deu-lhe razão: com uma dinâmica ofensiva que ia conseguindo desfazer uma linha recuada do Lecce que contava com o internacional Sub-21 Tiago Gabriel como elemento em destaque, Malen aproveitou um erro crasso de Kialonda Gaspar (antigo central do Estrela da Amadora) para inaugurar o marcador logo no quarto minuto e Soulé ficou perto do 2-0 pouco depois num remate na área travado por Wladimiro Falcone (12′). Era uma questão de tempo… em dose dupla: Malen bisou após assistência de Wesley com um toque subtil por cima do guarda-redes (23′), Soulé marcou de seguida o 3-0 numa jogada iniciada em Dybala com assistência de Malen (25′).
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A Roma tinha o jogo mais do que controlado, tendo algumas oportunidades para marcar ainda mais antes de Gasperini começar a mexer na equipa à procura de manter a mesma “ligação” ao encontro. Montiel entrou para o lugar de Wesley França, Rodrigo Mora ficou na vaga de Soulé no ataque e a influência do português não demorou a fazer-se sentir: pouco depois de ter isolado Dybala para um remate na área que saiu por cima (63′), o antigo jogador do FC Porto aproveitou uma insistência na área de Mancini para estrear-se a marcar em Itália apenas cinco minutos depois de ter sido lançado em campo (65′). O 4-0 iria manter-se até ao final, com a Roma a igualar AC Milan, Inter, Juventus e Lazio no topo da classificação, mas com Mora a continuar em destaque, com Ilic a não gostar das fintas do português e a ver um amarelo nos instantes finais num lance que mostrou bem a confiança do jogador de 19 anos depois do primeiro golo.
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[O diretor do SIS entra na sala de audiências e recusa cumprimentar Frederico Carvalhão Gil, com quem trabalhou durante décadas. A traição do espião abalou profundamente o Estado português e Neiva da Cruz não lhe perdoa. Em tribunal, o espião defronta os antigos colegas do SIS. E, para se defender, ataca o sistema. Nunca vai admitir o crime de espionagem. O que não significa que não seja condenado por ele. Já pode ouvir o sexto e último episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube. Pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, o terceiro episódio aqui, o quarto aqui e o quinto aqui.]