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(A) :: João chegou, entrou e foi o melhor em campo. E isso ajuda a explicar muita coisa (a crónica do Benfica-Estoril)

João chegou, entrou e foi o melhor em campo. E isso ajuda a explicar muita coisa (a crónica do Benfica-Estoril)

João Palhinha até começou no banco, mas entrou logo à meia-hora e só precisou de um jogo para explicar o porquê de ter sido protagonista durante semanas. Pelo meio, Benfica bateu Estoril na Luz (2-1).

Mariana Fernandes
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Quem acompanhou os últimos dias do mercado de transferências assistiu a algo pouco comum: a contratação de um médio defensivo tornou-se o tema central do futebol português, o assunto de declarações de presidentes de clubes e o anúncio mais esperado por milhões de adeptos. Depois de uma novela de meses, João Palhinha deixou mesmo o Bayern Munique e reforçou o Benfica — apenas cinco anos após ser campeão nacional pelo Sporting, o clube onde realizou praticamente toda a formação.

O negócio de João Palhinha, independentemente de se tratar da chegada de um médio defensivo e não necessariamente de um playmaker, um extremo talentoso ou um ponta de lança com dezenas de golos no currículo, tem o potencial de ser um ponto de viragem numa temporada eventualmente bem sucedida do Benfica. Não só pela óbvia qualidade do internacional português, que ajuda a defender e liberta quem quer atacar, mas também pelo reencontro com Marco Silva — que o treinou no Fulham e que, mais do que um reforço para o meio-campo, pediu especificamente a contratação de João Palhinha.

Ficha de jogo

Benfica-Estoril, 2-1

4.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Hélder Carvalho (AF Santarém)

Benfica: Samuel Soares, Alexander Bah, Tomás Araújo, Lenglet, Samuel Dahl, Leandro Barreiro, Enzo Barrenechea (João Palhinha, 31′), Rafa (Schjelderup, 63′), Sudakov (Gonçalo Moreira, 80′), Prestianni (Lukebakio, 80′), Pavlidis (Jhon Durán, 80′)

Suplentes não utilizados: Trubin, Alessandro Circati, Lukebakio, Jakub Kaminski, Manu Silva, Richard Ríos, João Neto, Anísio Cabral

Treinador: Marco Silva

Estoril: Joel Robles, Ferro, Antef Tsoungui, Ismael Sierra, Ricard Sánchez (Peixinho, 71′), Xeka (Jordan Holsgrove, 45′), Fernando Medrano (Rafik Guitane, 83′), Stelios Andreou (Pedro Carvalho, 71′), João Carvalho, André Lacximicant (Fabrício Garcia, 71′), Yanis Begraoui

Suplentes não utilizados: Martin Turk, Diogo Dias, Tiago Parente, Jordan Arnolin, Luís Gomes, Tiago Brito

Treinador: Vasco Matos

Golos: Pavlidis (40′), Lenglet (51′), Yanis Begraoui (82′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Ismael Sierra (75′)

Ainda assim e na antevisão da receção desta segunda-feira ao Estoril, já depois de carimbado o apuramento para a Liga Europa através do playoff bem sucedido contra o Aarhus, o treinador encarnado garantia que as responsabilidades da equipa já eram alargadas ainda antes da chegada do médio. “O Benfica, como clube, tem de assumir-se sempre como candidato ao título independentemente dos jogadores que tenha ou não. Não há que fugir. Quando estamos nesta casa não há que pensar de outra forma, não há outra possibilidade, e não pode ser um jogador a alterar aquilo que é a história, a grandeza deste clube. Para mim isso é claro e a resposta é muito fácil: não faz sentido irmos por essa questão em relação ao João ou a qualquer outro jogador que chegou ou que possa chegar. A grandeza, a identidade do Benfica, o seu historial, só por si, têm de falar muito mais alto do que só um ou outro jogador”, atirou, antes do reencontro com o clube onde acabou a carreira de jogador e começou a de treinador.

Neste contexto, no primeiro jogo para o Campeonato com adeptos no Estádio da Luz depois do jogo à porta fechada contra o Académico de Viseu, Marco Silva não fazia qualquer alteração ao onze inicial que venceu o Aarhus na semana passada e mantinha Leandro Barreiro e Enzo Barrenechea no meio-campo — e Richard Ríos no banco, assim como João Palhinha, que se estreava nas convocatórias. Do outro lado, num Estoril ainda sem vitórias na Primeira Liga entre um empate e duas derrotas, Vasco Matos lançava André, Yanis Begraoui e João Carvalho no ataque.

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Numa primeira parte que nem sempre foi propriamente bem jogada, mas sempre bem disputada, o Estoril ainda deixou a ideia de querer atacar nos instantes iniciais com um remate de André que Samuel Soares defendeu (6′), mas depressa entregou a bola ao Benfica e preocupou-se única e exclusivamente com a defesa. A partir dos 10 minutos, os encarnados assumiram completamente o controlo do jogo, assentaram arraiais no meio-campo contrário e começavam a construir com os centrais, que jogavam muito adiantados.

Ainda assim, a dinâmica ofensiva do Benfica acontecia principalmente de fora de área. O Estoril apresentava-se muito organizado no último terço e não permitia que os encarnados se aproximassem demasiado da baliza, sucedendo-se os remates de longe: Prestianni atirou ao lado (9′), Sudakov acertou na trave (12′) e Tomás Araújo também falhou o alvo (28′), sendo que o médio ucraniano ia sendo um dos principais inconformados da equipa de Marco Silva.

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À passagem da meia-hora, o destino falou mais alto e o azar de um foi a sorte de outro. Enzo Barrenechea teve de sair, lesionado e na sequência de um choque, e João Palhinha saltou do banco para se estrear pelo novo clube em pleno Estádio da Luz. O domínio encarnado tornou-se ainda mais inconsequente na ponta final da primeira parte, sem lances de perigo e com muita posse de bola inofensiva, mas bastou um remate à baliza para fazer a diferença: num momento de insistência na área, Pavlidis ganhou espaço com o corpo e atirou à meia volta para bater Joel Robles e abrir o marcador (40′). 

Os estorilistas perderam o norte depois do golo sofrido e os encarnados ainda poderiam ter aumentado a vantagem nos descontos e numa sucessão de oportunidades, com Joel Robles a negar o golo a Pavlidis (45+3′), Rafa (45+3′) e Leandro Barreiro (45+4′) de forma consecutiva e com grandes defesas. Assim, ao intervalo no Estádio da Luz, o Benfica estava a vencer o Estoril pela margem mínima. 

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Vasco Matos foi o único a mexer no início da segunda parte e trocou Xeka, que apresentou dificuldades físicas no primeiro tempo, por Jordan Holsgrove. Com pouco mais de cinco minutos disputados na Luz, Lenglet fez explodir as bancadas: o central francês recebeu a bola ainda muito longe da baliza, enquadrou-se e atirou de pé esquerdo para surpreender Joel Robles, marcar um enorme golo e aumentar a vantagem (51′).

Tal como tinha acontecido na primeira parte, o Benfica acelerou na sequência do golo e procurou capitalizar o golpe no Estoril, com Prestianni a ficar muito perto de aumentar a vantagem com um remate na área que Joel Robles defendeu (55′). O jogo voltou a entrar numa toada mais lenta e desinteressante à medida que os minutos foram passando, com os encarnados a gerirem a vantagem com bola e os estorilistas sem qualquer capacidade para discutir o resultado, e Marco Silva procurou agitar as águas com a entrada de Schjelderup para a saída de Rafa.

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Vasco Matos fez três substituições à entrada para os últimos 20 minutos e o jogo tornou-se progressivamente mais vazio — muito por intenção dos encarnados, que não demonstravam grande vontade de acelerar e procurar o terceiro golo. Ainda assim, ficava a ideia de que a equipa de Marco Silva nunca precisava de muita velocidade ou inspiração para fazer tremer os estorilistas, com João Palhinha a ficar muito perto de uma estreia de sonho com um remate na área que Joel Robles defendeu (76′).

Já dentro dos últimos 10 minutos, quando tudo parecia decidido e Marco Silva já tinha lançado Gonçalo Moreira, Lukebakio e Jhon Durán, o improvável aconteceu: Yanis Begraoui recebeu na área, rodou sobre Tomás Araújo e atirou cruzado para reduzir a desvantagem (82′). Vasco Matos ainda tentou ser feliz ao colocar Rafik Guitane para os derradeiros instantes, mas já nada mudou e o Benfica venceu mesmo o Estoril na Luz, somando a quarta vitória consecutiva entre Campeonato e Liga Europa. João Palhinha estreou-se com a camisola dos encarnados e a verdade é que, entre recuperações de bola e até as oportunidades de golo que chegou a ter, foi o melhor em campo — e isso ajuda a explicar o porquê de se ter falado da contratação de um médio defensivo como se de um playmaker, um extremo ou um ponta de lança se tratasse.

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